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Tony Bellotto lamenta apoio de Roger e Lobão à direita e expõe Rupturas no Rock Brasileiro

Só falou verdades!

Tony Bellotto lamenta apoio de Roger e Lobão à direita e expõe Rupturas no Rock Brasileiro
Reprodução

As declarações de Tony Bellotto durante sua participação no programa Roda Viva reacenderam um debate que atravessa o Rock Nacional nos últimos anos: o distanciamento entre artistas que, durante anos, dividiram palcos, festivais e uma mesma geração musical, mas acabaram seguindo caminhos políticos completamente opostos.


Sem esconder a frustração, o guitarrista dos Titãs afirmou ter ficado "muito decepcionado" ao ver Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, e Lobão (este aparentemente arrependido) aderirem ao campo da extrema direita política. Para Bellotto, a mudança representou mais do que uma divergência ideológica; significou um rompimento com valores democráticos que sempre considerou fundamentais.


A fala ganha peso porque parte de alguém que acompanhou de perto a formação do chamado "BRock" dos anos 1980. Naquele período, bandas como Titãs, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Barão Vermelho e tantos outros ajudaram a construir uma cena artística marcada pela crítica social, pela contestação e pela defesa das liberdades conquistadas após duas décadas de ditadura militar.


Nas últimas décadas, entretanto, esse universo passou por uma profunda transformação. Enquanto Bellotto manteve uma postura crítica ao autoritarismo e ao avanço da extrema direita, Roger e Lobão tornaram-se figuras frequentes em manifestações conservadoras, aproximando-se do bolsonarismo e assumindo protagonismo no debate político nacional. 


A declaração de Tony também desmonta uma narrativa frequentemente utilizada de que artistas deveriam permanecer neutros diante da política. A própria história do Rock Brasileiro demonstra o contrário. Desde sua origem, o gênero sempre dialogou com questões sociais, denunciou injustiças e questionou estruturas de poder.


O que Bellotto lamenta não é simplesmente o fato de antigos colegas pensarem diferente. Sua crítica recai sobre o apoio a movimentos e discursos que, em diferentes momentos, relativizaram a ditadura militar, atacaram instituições democráticas e colocaram em dúvida a democracia brasileira.


O contraste entre esses artistas simboliza uma divisão que ultrapassa a música. De um lado, músicos que entendem a liberdade de expressão como instrumento de fortalecimento da democracia. De outro, artistas que passaram a defender um projeto de poder que afundou o país. 


O Rock, que durante décadas foi identificado como linguagem de contestação ao autoritarismo, passou a abrigar artistas em posições ideológicas diametralmente opostas, incompatíveis com a realidade de uma geração que lutou pela redemocratização de uma nação.


Ao tornar pública essa frustração, Tony Bellotto também evidencia uma discussão que dificilmente desaparecerá: qual é a responsabilidade de artistas que construíram suas carreiras defendendo liberdade, diversidade e contestação quando escolhem apoiar movimentos políticos acusados por seus críticos de enfraquecer justamente esses princípios? Essa é uma pergunta que continua dividindo o Rock Brasileiro — e que, ao que tudo indica, ainda está longe de ser respondida.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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