Sandra de Sá: Entrevista
Entrevista com uma das vozes mais importantes da Música Brasileira!
Sandra de Sá, 69 anos, uma explosão da natureza, uma cantora que esbanja energia, que esbanja talento e que possui uma voz inigualável, algo que causou grande admiração para quem a assistiu pela primeira vez. Na última sexta (6), Sandra de Sá esteve em Pelotas para um show único de sua turnê pelo Brasil, no Theatro Guarany, com abertura magistral da minha querida Dj Helô.
Sandra subiu ao palco por volta das 21:30, mas antes de começar a cantar algo me chamou a atenção, sua banda super compacta é um show a parte, uma verdadeira banda de Rock n’ Roll, que dentro deste formato desfilou Hits da carreira da cantora e sucessos de astros da Música Brasileira e internacional como a interpretação espetacular de Baby Can I Hold You de Tracy Chapman.

Sandra dançou, cantou, mandou seu discurso pedindo respeito, falou muito sobre não correr atrás, mas de chegar junto. Foi até a plateia, levou um casal pro palco onde rolou pedido de casamento para o delírio da Theatro, fez todo mundo dançar no final. Foi impressionante de ver! Foi especial! Além disso, atendeu uma fila gigantesca de pessoas que queria uma foto com ela e tirou um tempinho no final para atender este que vós escreve aqui. Confira.
Somos uma Web Rádio, trabalhamos com música, jornalismo informativo, neste espaço apresento um programa chamado MPB Café e a gente toca muito as tuas músicas. Inclusive falo muito sobre a expressão que você falou agora no show, que é a Música Preta Brasileira. Então, gostaria de saber de você como que você vê os espaços para a Música Preta Brasileira no Brasil atualmente, principalmente no rádio?
‘Bro’, eu não vejo espaço nenhum. (gargalhadas)
É muito difícil, mas o lance é... Eu acho que melhor do que pensar que espaço tem, o espaço onde está, qual é a do espaço, é a gente se conscientizar e ir caminhando, cara. E ir caminhando, sabe? Quando o neguinho vir, a gente já tá, essas paradas todas. Eu acho que a gente usa, não vou dizer que gasta, mas a gente usa muito tempo pensando: oh, mas isso tá sim, e usa muito tempo reclamando.
Aí, ‘boralation’, parar de correr atrás, vamos chegar juntos. O espaço é a gente que faz, ‘boralation’, fazer.
É isso, a gente também tá fazendo isso. A gente tá fazendo a diferença fazendo o nosso próprio espaço.
Como existe você e o pessoal que tá contigo, existe mais gente. É só a gente não ter medo de estar juntos. É só a gente não ter medo de parar de correr atrás e chegar juntos. Vou falar uma coisa, que a gente, se a gente correr atrás, chega depois, nem dá pra ver. Se a gente corre na frente, quando chega lá na frente, olha pro lado, olha pro outro e tá sozinho, não dá pra fazer porra nenhuma. Agora, se a gente chegar junto, a gente se fortalece, aí, e vai arregaçar. (risos)
Com certeza, com certeza.
Na nossa rádio a gente tem três mulheres pretas na locução. Isso é uma coisa muito difícil, principalmente aqui no Rio Grande do Sul. Qual o recado que você tem para as mulheres pretas que querem colocar sua voz pro mundo?
‘Bro’, eu só tenho que falar uma coisa, eu não tenho recado pra ninguém, não. Mas eu tenho uma reflexão minha: que eu entrei numa, eu entrei numa, não, eu percebi que de repente virou moda, né? Agora, ó os pretos, aí tem preto no comercial, ó, tem uma família de preto de novela, ó. Aí, gente, legal, bom pra caralho, mas é o seguinte, vamos nos conscientizar, e vou repetir, ‘boralation’ ali já parar de correr atrás e chegar junto.
É o seguinte, perceber: Estão usando a gente? Pô, vamos usar também, ‘Bro’, não vamos entrar nessa de opa, opa. Aí, vamos parar de correr atrás e chegar junto e ponto. E não é recado, não, é uma reflexão.
Sandra, como foi fazer o espetáculo “80, a década do Vale e Tudo”?
Bom pra caralho. (Gargalhadas)
A melhor resposta.
É, meu ‘brodi’, a época que eu vivi, a época que eu saco, a época que, pelo pessoal, acho que da galerinha que nasceu, como eu nasci em 55, o pessoal que nasceu na década de 50, não sei o que lá, eu acho que o 80 foi o momento, foi a hora, e muita coisa que tá acontecendo, que tá rolando agora, bom pra caralho, foi o pessoal que meteu bronca, sabe? Final de 70, começo de 80.
Então aí, bora respeitar. Mas se liga, quando eu falo bora respeitar, não é respeitar nós de 80, não, é respeitar a si próprio. Geral, ‘boralation’ ler isso geral.
Nós tivemos hoje a perda de um grande ícone da Música Brasileira, que é Sérgio Mendes.
‘Brodi’, eu não acredito nesse lance de perda. Perdeu fulano, eu perdi fulano, a gente perdeu fulano. Que o quê, cara? A gente ganhou mais uma luz, a gente ganhou mais uma estrela, a gente ganhou mais um cara pra estar pertinho lá de, não sei de quem, de Papai do Céu? Pra estar mais perto da energia, pra fazer mais pela gente.
E isso que a gente tem que perceber, a gente não perde um humano, a gente ganha uma estrela pra estar mais junto da gente, pra chegar junto com a gente, pra não deixar a gente correr atrás, pra fazer com que a gente corra junto. Aí, pra bom entendedor, meia palavra, basta. É isso aí.
O que você acha do atual momento da música popular brasileira?
‘Brodi’, eu não acho porra nenhuma, porque eu nada perdi, e eu tô continuando. Não falo da minha saga, não. Tô continuando meu caminho com um monte de gente do caralho, um monte de gente incrível, sabe? É que o povo aqui lança: Ah, o segmento é esse! Ah, o mercado é esse! Ah, não sei o quê. Aí, ó, eu não fico ligando pra essas paradas, não.
‘Boralation’, a gente fazer o que a gente acha que deve fazer, ‘boralation’ a gente fazer a nossa verdade, e é isso que vai prevalecer. Preste atenção, que você vai sacar isso. O que prevalece é a nossa verdade.
Então, pra finalizar, só deixa um recado pra galera, pros teus ouvintes, pras pessoas que pedem a tua música na Aqui de Casa Web Rádio.
Pô, ‘Bro’, olha aí, o cara fala assim, ah, pede um recado, pá, não sei o que lá, deixa um recado, aí eu vou deixar recado, não. Eu vou deixar com a consciência de vocês, e a sensibilidade de vocês, e a emoção de vocês. Tamo aí. Geral, boas, geral pra geral.
Sandra, muito obrigado por esse papo, e a gente cada vez mais vai levar tua música pra cima.
‘Brodi’, como eu falei e canso de falar, o grande lance é a gente saber a hora de ligar e desligar o segurador de onda. Se a gente souber a hora de ligar e desligar o segurador de onda, a gente para de correr atrás, chega junto, a gente sai pra dentro, entra pra fora, aí ‘boralation’ ligar. Aí, gente, ‘boralation’ refletir geral.
Muito Obrigado!
Fica com Deus! Fica com Deus!

E assim terminou a noite, indo pra casa, feliz da vida, por ter estado mais uma vez com umas das figuras que fizeram parte da minha vida, entendendo definitivamente que o trabalho de um artista vai além do palco, Sandra esbanja empatia, simpatia e amor pelas pessoas!




por
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Locutor
Web Designer
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