A Infância Está Gritando Por Socorro Enquanto Muitos Adultos Estão Ocupados Demais Para Ouvir
[...] A infância não precisa de adultos perfeitos. Precisa de adultos disponíveis...
Vivemos uma época em que as crianças têm acesso a tudo, mas muitas vezes têm cada vez menos aquilo que mais precisam: tempo, presença e escuta.
A infância está mudando diante dos nossos olhos. Crianças cada vez mais ansiosas, irritadas, com dificuldade de concentração, problemas de sono e pouca tolerância à frustração. E a pergunta que precisamos fazer é: o que esses comportamentos estão tentando nos dizer?
Muitas vezes, a resposta dos adultos é rápida: “é falta de limite”, “é preguiça”, “é porque fica muito no celular”. Mas será que estamos realmente olhando para a raiz do problema?
O excesso de telas tem ocupado espaços que antes pertenciam às conversas em família, às brincadeiras, ao movimento, ao tédio criativo e às experiências que ajudam uma criança a desenvolver habilidades emocionais. A tecnologia não é a vilã, mas quando substitui a presença humana, deixa marcas.
Também vivemos uma geração de crianças pressionadas a produzir, competir e corresponder a expectativas cada vez maiores. Algumas precisam ser boas em tudo: boas notas, comportamento perfeito, atividades extras, desempenho constante. Mas quem pergunta como elas estão se sentindo no meio de tantas cobranças?
A ansiedade infantil não aparece do nada. Ela pode ser um reflexo de uma infância com pouco espaço para sentir, errar, brincar e simplesmente ser criança.
O mais preocupante é que muitos sinais são ignorados até que o sofrimento fique evidente. Uma criança que se isola, que perde o interesse pelas coisas, que apresenta mudanças de comportamento ou dificuldades na escola não está necessariamente “fazendo drama”. Muitas vezes, ela está pedindo ajuda da única forma que consegue.
Como psicopedagoga e orientadora parental, vejo que precisamos parar de perguntar apenas: “Como fazer essa criança obedecer?”
Precisamos começar a perguntar: “O que essa criança está vivendo?”
Antes de corrigir comportamentos, precisamos fortalecer vínculos. Antes de aumentar cobranças, precisamos aumentar a escuta.
A infância não precisa de adultos perfeitos. Precisa de adultos disponíveis, atentos e dispostos a enxergar além do comportamento.
Porque uma criança que não é ouvida hoje pode se tornar um adulto carregando dores que poderiam ter sido acolhidas na infância.
Alessandra Prebianca

Pedagoga - Psicopedagoga Clínica
Orientadora Parental - Especialista em Desenvolvimento Infantil
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