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Estudar É Pra Todo Mundo Sim, Vereador

Fala de vereador de SC gera revolta no País!

Estudar É Pra Todo Mundo Sim, Vereador
Reprodução

Nos últimos anos a política brasileira ultrapassou totalmente os limites do bom senso, como a do vereador Victor Nascimento (PL), de Itajaí (SC),que afirma: "estudar não deveria ser para todo mundo" e que a esquerda incentiva pessoas a ingressarem no ensino superior sem possuírem os "pré-requisitos". Aqui ele não está apenas emitindo uma opinião, está revelando uma concepção de sociedade profundamente excludente, na qual o conhecimento deixa de ser um direito básico para voltar a ser um privilégio.


Que pré-requisitos são esses? Quem define esse filtro? Um político? Uma elite econômica? O sobrenome? A cor da pele? O bairro onde alguém nasceu? Ou será que o requisito é simplesmente aceitar o próprio lugar na hierarquia social e nunca ousar ultrapassá-lo?


É curioso que esse discurso apareça justamente em um país cuja maior tragédia histórica sempre foi impedir que os negros e pobres tivessem acesso ao conhecimento. Durante séculos, a educação foi um patrimônio reservado aos filhos da elite. Mulheres foram afastadas das universidades. Pessoas negras foram proibidas de aprender a ler e escrever. Trabalhadores eram mantidos na ignorância porque um povo instruído faz perguntas, exige direitos e questiona privilégios.


A história ensina uma verdade inconveniente para alguns: a educação nunca desestabilizou uma democracia. O que ela desestabiliza são estruturas de poder construídas sobre a desigualdade. Talvez seja exatamente esse o incômodo. Porque quando a filha da diarista se torna médica, quando o filho do pedreiro vira juiz, quando o jovem da periferia entra na universidade e passa a disputar os mesmos espaços ocupados com quem sempre os tratou como exclusivos, alguns enxergam isso como uma ameaça.


É aí que surgem discursos sofisticando a velha ideia de que "nem todo mundo nasceu para estudar". Não é uma tese nova. É apenas a velha exclusão tentando parecer moderna.


A Constituição brasileira afirma que a educação é direito de todos. Não diz "de quase todos". Não acrescenta "desde que preencham requisitos ideológicos". Muito menos condiciona esse direito ao aval de quem ocupa um mandato eletivo. Se alguém não possui formação suficiente para ingressar em determinado curso, existem processos seletivos, políticas públicas, reforço escolar e instrumentos pedagógicos para enfrentar esse desafio. O caminho democrático nunca foi fechar portas, mas criar condições para que mais pessoas consigam atravessá-las.


A lógica apresentada pelo vereador, porém, aponta para outra direção: a de que o problema não é a desigualdade de oportunidades, mas o excesso de pessoas tentando superá-la. É um raciocínio perigoso e infeliz. Porque toda vez que alguém afirma que a educação não deve alcançar todos, está, na prática, escolhendo quem deve permanecer na base da pirâmide social. Está dizendo que algumas pessoas nasceram para pensar, enquanto outras nasceram apenas para servir.


Nenhuma sociedade desenvolvida foi construída restringindo o acesso ao conhecimento. Ao contrário. Os países mais prósperos investiram justamente na universalização da educação, na pesquisa, na ciência e na ampliação das oportunidades. Quem teme uma população estudando talvez não esteja preocupado com a qualidade do ensino. Talvez esteja preocupado com as consequências de um povo que aprende a interpretar, argumentar, comparar, votar conscientemente e deixar de aceitar discursos burros como o deste vereador.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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