Notas Baixas Não São O Problema - O Problema É Ignorar O Que Elas Estão Dizendo
[...] Por trás de uma dificuldade escolar pode existir falta de rotina, ausência de acompanhamento familiar, dificuldades emocionais, baixa autoestima....
Por muito tempo, a nota escolar foi vista como um retrato definitivo da capacidade de uma criança. Um número no boletim passou a definir quem “aprende”, quem “tem dificuldade” e até quem “vai ter sucesso”. Mas a verdade é que uma nota baixa não é uma sentença. Ela é um sinal de alerta.
O grande problema não está na criança que tirou uma nota baixa. O problema está quando os adultos olham apenas para o resultado e não se interessam pelo caminho que levou até ele.
Uma criança não acorda um dia e decide não aprender. Por trás de uma dificuldade escolar pode existir falta de rotina, ausência de acompanhamento familiar, dificuldades emocionais, baixa autoestima, problemas de atenção, lacunas de aprendizagem ou até uma forma diferente de aprender que não foi respeitada.
É preocupante perceber que muitas vezes a primeira reação dos adultos é a cobrança: “Você precisa estudar mais”, “Você não presta atenção”, “Seu colega consegue, por que você não consegue?”. Mas poucas vezes ouvimos perguntas como: “O que está acontecendo com você?” “O que está dificultando sua aprendizagem?”
A escola tem um papel fundamental, mas não pode carregar sozinha a responsabilidade pelo desenvolvimento de uma criança. A família também precisa participar, acompanhar, estabelecer rotina e compreender que educar não é apenas cobrar resultados, é oferecer suporte.
Uma nota baixa não deve ser motivo de vergonha, punição ou comparação. Deve ser um convite para investigar, acolher e agir. O perigo não é a criança tirar uma nota baixa. O perigo é ela começar a acreditar que aquela nota define quem ela é.
Como psicopedagoga e orientadora parental, defendo que precisamos trocar o julgamento pelo olhar atento. Antes de perguntar “por que você foi mal?”, precisamos perguntar: “o que essa criança está tentando nos mostrar?”
Porque toda dificuldade tem uma história. E quando olhamos apenas para o número, podemos deixar de enxergar a criança que está por trás dele.
Alessandra Prebianca

Pedagoga - Psicopedagoga Clínica
Orientadora Parental - Especialista em Desenvolvimento Infantil
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