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No Dia do Amigo, Celebro os Que Ficaram

Às vezes, o amigo fui eu....

No Dia do Amigo, Celebro os Que Ficaram
Imagem Internet/Pixabay

O tempo tem um jeito estranho de levar as pessoas embora da nossa vida. Não, não falo sobre a morte, ela é inevitável. Falo da vida, da rotina, da correria de trabalho, das novas conexões que ocupam o espaço, dos mal entendidos que ficam sem solução. Mas também do silêncio que permanece. E, quando percebemos, aquele nome que ocupava nossos dias virou apenas uma lembrança perdida entre os contatos antigos do celular.


Hoje é Dia do Amigo.


Confesso que essa data já não me provoca euforia. Ela me convida a visitar um lugar onde a saudade mora em silêncio. Lá lembro dos risos que pareciam infinitos. Das promessas de envelhecermos juntos, contando as mesmas histórias para filhos e netos que hoje nem sequer conhecemos. Lembro das noites em que bastava uma mesa, um café ou uma garrafa de vinho barato dividida para acreditar que a vida era menos pesada.


Naquela época, eu não sabia que a felicidade tinha prazo. Também não sabia que existem despedidas que acontecem sem abraço, sem discussão, sem uma última conversa. Elas chegam devagar. Primeiro diminuem as mensagens. Depois desaparecem as visitas. Os aniversários passam em branco. Um dia, percebemos que já não sabemos mais nada da vida de quem um dia sabia tudo da nossa. Às vezes, o amigo foi apenas eu.


É estranho perder alguém que continua vivo. Há uma espécie de luto que não tem velório, flores ou orações. Apenas um vazio discreto que aparece quando ouvimos uma música antiga, quando passamos por uma rua conhecida ou encontramos uma fotografia esquecida no fundo de uma gaveta ou na nuvem do smartphone.


Talvez seja isso que o tempo faça com as amizades. Ele não as destrói. Apenas as cobre de poeira. E dói admitir que, por mais sincero que tenha sido o carinho, nem todo mundo foi feito para permanecer. Algumas pessoas chegam apenas para ensinar uma forma de enxergar o mundo e, quando a lição termina, seguem viagem sem perceber que deixaram uma parte delas para trás.


Hoje, eu não tenho vontade de enviar mensagens para quem já foi embora. Há distâncias que aprenderam a existir e merecem ser respeitadas. Prefiro agradecer em silêncio.


Obrigado a cada amigo que um dia chamou minha casa de lar. A cada conversa que salvou uma madrugada difícil. A cada gargalhada que fez o peso da vida parecer menor. Vocês talvez nem imaginem, mas continuam existindo em mim.


A amizade tem dessas crueldades bonitas. E talvez crescer seja justamente isso: aprender que algumas pessoas não caminharão conosco até o fim, mas ainda assim merecem um lugar eterno na memória.


Neste Dia do Amigo, celebro os que ficaram. E agradeço por me ajudarem a permanecer de pé. Porque amigo que é amigo não derruba o outro, nem sequer cogita deixá-lo para trás; sorri, chora, briga, para que o outro não cometa deslizes, fica feliz com a felicidade do outro, e não deixará que o silêncio corrompa os laços mais fortes do amor que nunca morre. 







Jeff Soares

Jornalismo 

Músico 

Apresentador 



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