Carro de Haddad é seguido por viatura da PM
Episódio que levanta suspeitas em plena disputa eleitoral
O que deveria ser apenas o fim de mais um compromisso de campanha terminou com uma situação que agora exige explicações do governo de São Paulo. O carro que transportava Fernando Haddad (PT) e o seu motorista, foi seguido por uma viatura da Polícia Militar durante cerca de 40 minutos na noite de terça-feira (11), em um episódio que o próprio candidato classificou como intimidador e completamente fora do padrão de uma abordagem policial.
Haddad havia sido deixado em casa, na zona sul da capital, por volta das 22h30. Segundo o relato, depois que o candidato entrou na residência, os policiais passaram a acompanhar o veículo. Em determinado momento, os agentes teriam utilizado os faróis da viatura para iluminar o interior do carro. O motorista, então, percebeu que estava sendo seguido e tentou entender o motivo da perseguição.
O que torna o episódio ainda mais grave é o relato de que a perseguição teria se prolongado por aproximadamente 40 minutos. Segundo Haddad, a viatura chegou a encostar no para-choque do carro e os policiais estavam armados com fuzis. O motorista teria procurado um estacionamento de hotel para se proteger, mas, ainda assim, foi tratado de maneira hostil pelos agentes. Não houve, segundo o relato divulgado, uma abordagem formal com apresentação de motivo, solicitação de documentos ou explicação objetiva para a ação.
E é justamente aí que começam as perguntas que precisam ser respondidas. Se a viatura estava investigando uma ocorrência na região, como afirma preliminarmente a Secretaria de Segurança Pública, por que o veículo foi acompanhado durante tanto tempo? Por que não houve uma abordagem convencional? E por que uma equipe fortemente armada teria mantido um carro sob acompanhamento ostensivo sem apresentar imediatamente a razão da ação?
A situação ganha uma dimensão política inevitável porque Haddad é candidato ao governo de São Paulo e adversário direto do atual governador, Tarcísio de Freitas. Até aqui, não há prova de que a perseguição tenha sido motivada politicamente — e seria irresponsável afirmar isso sem investigação. Mas também seria igualmente irresponsável tratar o episódio como uma simples coincidência antes de esclarecer todos os fatos.
Diante da repercussão, a Secretaria de Segurança Pública determinou a identificação das viaturas que estavam na região e informou que pretende apurar o ocorrido. O secretário Osvaldo Nico Gonçalves chegou a telefonar para Haddad para obter informações que possam ajudar na investigação. Tarcísio também determinou a apuração e afirmou que eventual desvio de conduta deverá ser investigado.
O ponto central aqui não é a polarização. É algo muito maior: saber se uma estrutura policial do Estado de São Paulo foi utilizada dentro dos protocolos legais ou se houve abuso de autoridade. A Polícia Militar precisa explicar. O governo precisa investigar. E a sociedade precisa saber o que realmente aconteceu naquela noite. Porque segurança pública não pode ser confundida com intimidação — muito menos quando o episódio acontece em meio a uma eleição.
Jeff Soares

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