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Flávio Bolsonaro “no Missão”?

Filiação misteriosa trava candidatura e expõe confusão no campo da extrema direita!

Flávio Bolsonaro “no Missão”?
Foto: Evaristo Sá/AFP

Senador apareceu como filiado ao partido de Renan Santos, perdeu temporariamente o vínculo com o PL e ficou impedido de registrar candidatura à Presidência; TSE descartou ataque hacker e determinou investigação


O que parecia ser apenas mais um capítulo da turbulenta corrida presidencial de 2026 ganhou contornos de caso político e eleitoral nesta quinta-feira (13). Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, apareceu oficialmente no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como filiado ao Missão, partido ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e que tem Renan Santos como candidato ao Planalto. O episódio impediu, temporariamente, o registro da candidatura de Flávio pelo PL.


A filiação foi registrada em 12 de agosto e, pelas regras eleitorais, provocou automaticamente o cancelamento do vínculo anterior de Flávio com o PL. Para disputar a eleição, o candidato precisa estar regularmente filiado à legenda pela qual pretende concorrer. Com o prazo de registro se aproximando do fim, a situação criou uma crise inesperada dentro da campanha bolsonarista. 


Fraude, “molecagem” ou Uso indevido de Credenciais?

Flávio afirma ter sido vítima de uma filiação fraudulenta e sua campanha classificou o episódio como uma “molecagem”. O Missão, por sua vez, também diz ter sido vítima de fraude: a legenda sustenta que alguém utilizou seus mecanismos internos para registrar a filiação sem autorização. O partido afirma ainda que tentou cancelar o vínculo no mesmo dia, mas o pedido foi rejeitado pela Justiça Eleitoral. 


Há, porém, um detalhe que torna a história ainda mais estranha. Segundo o Missão, o gabinete de Flávio teria sido informado sobre a tentativa de filiação desde 2 de agosto. A legenda afirma que os e-mails enviados foram abertos, mas não receberam resposta. A campanha do senador contesta a versão e questiona, entre outras coisas, como o partido teria tomado conhecimento da suposta tentativa e por que não teria comunicado imediatamente o TSE. 


O TSE, por sua vez, afastou a hipótese de invasão hacker. Segundo o tribunal, a filiação foi realizada mediante o uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais válidas do Missão. Diante da gravidade do caso, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a abertura de investigação pela Polícia Judiciária e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral. 


Nunes Marques determinou posteriormente o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL, retirando o obstáculo que havia impedido o registro da candidatura. A decisão permitiu que a campanha retomasse o processo de formalização da candidatura presidencial. 


Mas como um dos principais candidatos à Presidência da República pode simplesmente aparecer filiado a outro partido sem que sua própria campanha perceba imediatamente?


Renan Santos sobe o tom

O presidente do Missão e candidato à Presidência, Renan Santos, não adotou uma postura meramente protocolar diante da confusão. Pelo contrário. Em declarações públicas, ele colocou em dúvida a narrativa apresentada por Flávio Bolsonaro e afirmou que o partido possui registros que indicariam que a operação teria partido de alguém com acesso a informações e canais ligados ao senador.


Foto: Reprodução


O candidato afirmou que a legenda possui elementos que, segundo ele, permitem demonstrar que a filiação teria sido confirmada a partir de um e-mail ligado a Flávio Bolsonaro. “Temos como provar”, declarou Renan. Em outra manifestação, Renan chegou a levantar a hipótese de que o episódio pudesse ter sido utilizado como uma espécie de “malandragem” para criar repercussão em torno da candidatura de Flávio. A acusação é grave e, até o momento, não está comprovada pelas autoridades. A investigação deverá justamente esclarecer quem realizou o procedimento e com que finalidade. 






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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