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Até Quando as Mentiras de Nikolas Ferreira Serão Relevadas?

[...] podem jogar qualquer coisa na internet e depois sairem impunes?

Até Quando as Mentiras de Nikolas Ferreira Serão Relevadas?
Reprodução/Internet

Não podemos mais negar que Nikolas Ferreira construiu uma das maiores máquinas de comunicação política do país. Sabe fazer vídeo, sabe provocar, sabe mobilizar e sabe exatamente como transformar uma frase em milhões de visualizações.


Por isso, a desculpa da ingenuidade é particularmente difícil de engolir. Quando um político com esse poder de comunicação compartilha um suposto documento da Polícia Federal que depois é apontado como falso, com indícios de produção por inteligência artificial e cuja autoria é negada pela própria PF, não estamos diante de uma simples “gafe de internet”.


Estamos diante de irresponsabilidade política. Ninguém conferiu antes de jogar aquilo para milhões de pessoas?


Nikolas não é um sujeito perdido num grupo de WhatsApp. Ele é um deputado federal, tem assessoria, estrutura, equipe e experiência suficiente para saber que documento oficial não se compartilha no grito, na fé ou na conveniência política.


Na política das redes sociais, a mentira não precisa ser perfeita. Basta ser compartilhável. Basta parecer verdadeira por alguns minutos. Basta chegar primeiro.


Depois que milhares já acreditaram, o desmentido vira detalhe. O documento falso pode até desaparecer da postagem original, mas permanece nos prints, nos grupos, nos vídeos e, principalmente, na cabeça de quem já decidiu acreditar.


E então entra em cena o velho truque: mudar de assunto.


Surge um novo inimigo. Uma nova denúncia. Uma nova série de vídeos. Uma nova indignação. E pronto: o algoritmo é convocado para ajudar a apagar a memória coletiva. É um método eficiente. E covarde. Nikolas é covarde.


Porque quem vive cobrando provas dos adversários não pode se tornar tolerante com documentos falsos quando eles servem à própria narrativa. Quem exige verdade não pode distribuir suspeitas como produto de engajamento. Quem se apresenta como combatente da corrupção e da “podridão da República” precisa começar limpando a própria comunicação.


Mas a questão aqui é óbvia: por que políticos como Nikolas Ferreira parecem acreditar que podem jogar qualquer coisa na internet e depois sairem impunes?


Talvez porque, até agora, a impunidade frequentemente funcionou. A base defende. Os grupos compartilham. Os influenciadores relativizam. E a responsabilidade desaparece no meio de uma nova guerra cultural.


Mas popularidade não é inocência. Milhões de seguidores não são certificado de verdade. E viralização não transforma mentira em fato. Nikolas Ferreira pode ser um dos maiores comunicadores da direita brasileira. Isso não o torna imune à crítica. Na verdade, deveria fazer exatamente o contrário.


Quanto maior o poder de falar com milhões, maior deveria ser o dever de não mentir para eles. Porque apagar uma postagem não apaga a mentira. E mudar de assunto não responde à pergunta.


Até quando?







Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador

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