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Os Dias, a Dor e a Resistência

[...] desistir é uma palavra que não existe em minha trajetória...

Os Dias, a Dor e a Resistência
Imagem Internet/Pixabay

Existem dias que eu não sei o que fazer, há dias que eu não quero levantar, talvez eu quisesse chorar e tirar tudo isso de dentro de mim e por mim, em cada lágrima, mas eu não posso, tenho que enfrentar o mundo, abrir uma janela, abrir duas, dispensar o café e seguir em frente como se nada estivesse acontecendo. Mas o que está acontecendo?


A solidão me engole vivo, faltam amigos que embora foram, outros que deixaram de ser e que eu ainda lamento pela insistente teimosia na  falta de entendimento de que ciclos precisam terminar, são as presenças insólitas de pessoas que não me acrescentam, são os pensamentos tristes e convicções que você chega, de que nem mesmo as pessoas que você ama, são de fato pessoas boas.




É o mundo que arde e queima as florestas em prol da ganância do homem, que está literalmente matando a si próprio. São as jornadas de pessoas que eu nem conheço, mas seus calvários sinto de uma maneira absurda em mim, são as dores das mães e pais tentando salvar seus filhos e dos filhos tentando matar seus pais, é sobre o amor, ou melhor, a falta dele, que me causa tristeza e melancolia.


Mas desistir é uma palavra que não existe em minha trajetória, há dias que gostaria de ser ouvido, de ser abraçado, mas ninguém está aqui, meus amigos estão há quilômetros de distância, então eu rezo, acendo uma vela, peço a Exu o caminho, a Ogum que me empreste seu cavalo, levando comigo o machado de meu pai Xangô para abrir clareiras de entendimento e a bandeira branca de Oxalá para mostrar que mesmo assim, estou seguindo pela paz. 




Tem dias que em frente ao microfone choro copiosamente, escondido para que ninguém me veja, muito embora, deixe bem claro no ar, que este sou eu de verdade, porque de alguma forma a música me abraça e incorpora em mim, me alivia, me ensina e me transforma. Tem dias que é aqui que eu respiro. E talvez a minha insistência faça com que outras pessoas sigam seus caminhos, tortuosos ou não, mas sigam em frente em busca de luz.


Sim, eu sei, dou muito trabalho para os Espíritos de Luz ou Guardiões que me cuidam, eu sei quem sou, muitas vezes é eles e eu, é nós, então percebo que meu conceito de solidão é apenas físico, no entanto, o desafio é tirar esse peso, viver e resistir. Desistir não é opção para uma homem negro, fora dos padrões e que vive a solidão real.



por

Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer

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