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Necropolítica - Presidente do Missão na Bahia defende “chacina” em Comunidades de Salvador e provoca reação de Entidades

[...] irresponsabilidade eleitoral...

Necropolítica - Presidente do Missão na Bahia defende “chacina” em Comunidades de Salvador e provoca reação de Entidades
Imagem Internet

Uma declaração feita pelo presidente do partido Missão na Bahia, Davi Pirajá, durante um ato político em Salvador, provocou forte reação de entidades comunitárias e levou um procurador de Justiça a solicitar investigação sobre o episódio. Durante manifestação realizada neste domingo (27), em frente à Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Pirajá defendeu publicamente uma ação violenta extrema contra comunidades periféricas da capital baiana, citando nominalmente o Bairro da Paz e o Planeta dos Macacos, em São Cristóvão. Segundo relatos publicados sobre o ato, o dirigente afirmou que seria necessário entrar nas comunidades e promover um “banho de sangue” contra integrantes do Comando Vermelho.


O episódio ocorreu durante um ato ligado à campanha presidencial de Renan Santos, candidato do próprio Missão. Questionado pela imprensa sobre a declaração de seu aliado, Renan não se afastou integralmente do conteúdo. Segundo o BNews, afirmou que a fala deveria ser entendida como referência a integrantes de facções criminosas e defendeu que criminosos que enfrentem a polícia poderiam “virar história”. 


O Bairro da Paz e São Cristóvão são territórios onde vivem milhares de pessoas, incluindo trabalhadores, estudantes, comerciantes, crianças e famílias que não podem ser automaticamente confundidos com integrantes de facções. O Conselho de Moradores do Bairro da Paz repudiou as declarações e afirmou que defender o extermínio de moradores de comunidades não pode ser tratado como liberdade de expressão ou como parte normal do debate político. 


A Agência de Notícias da Favela classificou a fala como “absolutamente inaceitável” e cobrou investigação pelas autoridades competentes. A entidade destacou que as periferias de Salvador não podem ser transformadas em palco para derramamento de sangue ou utilizadas como instrumento de disputa eleitoral. O Jornal Comunitário Bairro da Paz também condenou a manifestação e ressaltou que os territórios mencionados possuem histórias, projetos sociais, comerciantes, educadores, trabalhadores e famílias que merecem ser tratados com dignidade. 


O procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira acionou a Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia e solicitou a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal para apurar a conduta atribuída a Davi Pirajá. Segundo a representação, a manifestação pode, em tese, ser analisada à luz do artigo 287 do Código Penal, que trata da apologia pública de fato criminoso ou de autor de crime. A menção ao dispositivo não significa condenação ou prisão, mas o pedido formal para que os fatos sejam investigados e, caso sejam encontrados elementos suficientes, sejam avaliadas as medidas cabíveis.


Não é a primeira vez que a campanha do Missão usa a expressão “Banho de Sangue” para assegurar o combate ao crime organizado como peça eleitoral. Segurança pública não pode ser confundida com autorização para eliminar pessoas, muito menos com a transformação de territórios populares em alvos coletivos. Combater organizações criminosas é atribuição do Estado e deve ocorrer dentro da lei, com investigação, inteligência, atuação policial e responsabilização individual. Quando uma liderança partidária fala em “chacina” e “banho de sangue” diante de uma plateia política, a discussão deixa de ser penalização e passa a envolver incitação a violência aos agentes públicos e a própria comunidade. Uma irresponsabilidade eleitoral que deveria estar sobre os olhos do TSE que a cada dia parece mais parcial.







Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador



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