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Clubes Querem Parar Brasileirão Pelas Bets – Por Isso Todo Dia É Um 7 x 1

O dinheiro das bets vale mais que a vida do trabalhador da escala 6x1

Clubes Querem Parar Brasileirão Pelas Bets – Por Isso Todo Dia É Um 7 x 1
Foto: Adobe Stock

A ameaça de paralisação do Campeonato Brasileiro por causa do fim das apostas online expõe uma das contradições mais incômodas do futebol brasileiro: quando o assunto é dinheiro, os clubes conseguem rapidamente encontrar unidade, mobilização e disposição para pressionar autoridades. O manifesto divulgado nos últimos dias por 15 clubes da Série A em defesa da manutenção do mercado de apostas tratou a perda dessas receitas como uma ameaça à própria sobrevivência do futebol. Agora, diante da decisão do governo de restringir a atividade das bets, dirigentes voltam a discutir a possibilidade de interromper o campeonato. Segundo levantamento publicado pela Folha, as casas de apostas movimentaram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios na Série A em 2025. 


Mas há um detalhe que merece ser destacado: nem todos os clubes assinaram o manifesto. Entre os 20 integrantes da Série A naquele momento, Internacional, Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Remo não aderiram à manifestação. Os outros 15 foram Atlético-MG, Botafogo, Bragantino, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Mirassol, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória. O Internacional, por exemplo, afirmou reconhecer a necessidade de enfrentar os impactos sociais das apostas, embora também tenha manifestado preocupação com os efeitos econômicos para o futebol. 


A situação ganhou ainda mais peso depois que o governo cancelou uma reunião que teria clubes das quatro divisões nacionais e a CBF para discutir os efeitos da medida. Dirigentes ameaçaram esvaziar o encontro, e a agenda acabou adiada. O episódio mostra que a mobilização dos clubes não é apenas uma manifestação pública: existe disposição para pressionar institucionalmente quando uma fonte importante de receita está em jogo. Mas onde estava essa mesma capacidade de articulação quando o debate era sobre as condições de trabalho de quem sustenta boa parte da economia brasileira? 


O contraste com a discussão sobre o fim da escala 6x1 é inevitável. A PEC 221/2019, aprovada pela Câmara, prevê redução da jornada máxima para 40 horas semanais e dois dias de descanso. No Senado, a proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça em 2 de setembro, mas sua votação em Plenário acabou sendo adiada para depois do primeiro turno das eleições. Trata-se de uma mudança que atinge diretamente milhões de trabalhadores e que envolve uma discussão nacional sobre tempo de trabalho, descanso, saúde, convivência familiar e qualidade de vida. 


Há diferença de intensidade na mobilização. Para preservar contratos milionários com empresas de apostas, há manifesto coletivo, pressão sobre o governo, ameaça de paralisação e articulação entre dirigentes. Já diante de uma mudança que pode beneficiar trabalhadores submetidos a jornadas extensas, não se vê uma mobilização semelhante dos grandes clubes para colocar o peso de suas marcas, torcidas e estruturas de comunicação a serviço do debate.


O futebol brasileiro não precisa escolher entre responsabilidade financeira e responsabilidade social. Os clubes podem discutir alternativas para substituir receitas das bets, cobrar planejamento do poder público e, ao mesmo tempo, reconhecer que o torcedor não existe apenas nos 90 minutos de uma partida: ele também é trabalhador, consumidor e cidadão. Se os dirigentes conseguem falar em nome do futebol para defender patrocínios, também poderiam falar em nome de milhões de brasileiros quando o assunto é dignidade no trabalho. Afinal, se o campeonato pode parar por causa de uma fonte de receita que prejudica milhões de pessoa, fica uma questão impossível de ignorar: por que não existe a mesma disposição para defender um país onde as pessoas tenham mais tempo para viver depois de trabalhar?


É ridícula essa articulação e inaceitável que Clubes históricos do futebol Brasileira se ajoelhem para as Bets como única fonte de renda, principalmente quando maioria deles andam mal das pernas por falta de planejamento e uso político interno, que arrastam Clubes para o ostracismo. 







Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador


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