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Tocando Agora:

Sobre Um Fim de Relacionamento

[...] depois de um ponta pé da bunda que tomei, às quinze pras sete...

Sobre Um Fim de Relacionamento
Imagem Internet/Pixabay

Entrei porta a dentro, atirei o tênis num canto, liguei o rádio e levei outra porrada, estava tocando A Via Láctea da Legião Urbana. Geralmente, esta música me acalmava, mas não agora. Depois de tudo. Peguei a toalha, enxuguei-me consciente de que o meu coração partido não era uma metáfora, afinal hoje a tristeza não foi passageira.


Depois de um ponta pé da bunda que tomei, às quinze pras sete da noite, depois de um dia difícil no trabalho. Bom, entendi, não sou mais um menino, sou um homem. A vida ensina, cobra o seu preço e devolve na mesma moeda. Dói, dói muito, mas foi assim que descobri que a dor é uma espécie de farmácia, onde se adquire a falsa sensação de evolução, quando se medica com o remédio errado.




Mas tudo é temporário até chegar ao bar, à igreja de todos dos bêbados, como diria o Agenor. Vamos lá, diga ao garçom, quero uma dose de amor próprio, puro e sem gelo. Peça pra retirar os espelhos, as luzes coloridas e às pessoas, elas sabem mais de mim do que eu mesmo, quero ficar sozinho. Ah, mas que linda degustação, se me virem chorar, aproveitem e me passem o fogo, um outro copo de amor e um pouco de coragem. Mas retirem-se. Me deixem só. Só o tempo de tudo virar cinzas aqui dentro e renascer de novo. Segue à vida, mas me vê um lanche e uma vitamina, o processo todo deu fome. Vou levar pra viagem.


Mas dói, dói, dói, dói o amor que fez sofrer, o desamor que fez chorar, parafraseando a velha cantiga. Formatar o coração machuca, ardem às cicatrizes, dói, mas dói muito, acordar sem o bom dia, sem o beijo, sem o sabor do suor, sem as marcas das suas unhas no meu corpo despido, no choro de prazer que antecede o gozo. 




Eu sei, saímos machucados. Nossa última transa foi quase violenta. Seu corpo e o meu, no limite, pois era dor, o amor que fez sofrer, o amor que fez que fez chorar, era o fim. Lembro-me que te dei um abraço, recebi frieza, me pediste desculpas, te dei compreensão, mas me deixaste nu com a minha música e com sequelas profundas das tuas escolhas, algo que nem mesmo teu olho dentro do meu poderia prever, você me fez sofrer feito um mocinho, desses protagonistas, no palco da peça da vida, aqueles de novela que nem todo gosta, que nem todo mundo aguenta, sabe.


Otário que eu sou, porque o antibiótico que na farmácia comprei não combatia a infecção, só aliviava a dor, tive que evoluir até que me curei à base de chá, poesia, música e um novo e relâmpago amor. Que também não deu certo.  Mas estou aqui. Vivo.



por

Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer

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