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Incêndio na UFPE: coincidência, ameaça ou crime político?

A investigação precisa responder!

Incêndio na UFPE: coincidência, ameaça ou crime político?
Imagem Reprodução

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite de quarta-feira (7), o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O fogo provocou danos expressivos em laboratórios, equipamentos, amostras e pesquisas científicas acumuladas durante anos. O local reunia trabalhos nas áreas de fármacos, genética e informática, e o reitor Alfredo Gomes estima que havia aproximadamente R$ 100 milhões em equipamentos e materiais. Mais grave ainda do que o patrimônio financeiro é a dimensão científica da perda: pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, autismo e outras doenças foram atingidas. Ninguém ficou ferido, mas a comunidade acadêmica perdeu parte de um patrimônio que não se recompõe simplesmente com dinheiro.


O caso ganhou uma dimensão política porque o incêndio aconteceu um dia depois de uma manifestação de estudantes no campus em defesa da democracia, da educação pública e em apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda não podemos afirmar que o fogo foi provocado por razões políticas sem que a perícia tenha identificado a origem das chamas e estabelecido uma eventual autoria. Mas também seria igualmente irresponsável tratar a sequência dos acontecimentos como algo pontual que não merece ser investigado. 


O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) relatou ter recebido informações sobre ameaças direcionadas a estudantes horas antes do incêndio, incluindo mensagens que faziam referência à possibilidade de “explodir” um departamento da universidade. Até o momento, entretanto, a veracidade dessas mensagens e qualquer relação delas com o incêndio não foram confirmadas pelas autoridades.




A Polícia Federal anunciou que vai instaurar inquérito para apurar as circunstâncias e as possíveis causas do incêndio, enquanto uma equipe de peritos federais já foi deslocada para realizar exames no local. Essa decisão é fundamental pela dimensão do patrimônio destruído, e também porque uma universidade federal é patrimônio público e estratégico do país.


Além disso, este foi o terceiro episódio de incêndio registrado na UFPE em um intervalo de aproximadamente oito dias: anteriormente, houve ocorrências no Departamento de Física e no Centro de Biociências. Os episódios anteriores possuem circunstâncias distintas — inclusive um caso relacionado à manipulação de produto químico — e isso não significa que exista uma conexão entre eles. Ainda assim, a sequência merece ser examinada pelas autoridades.


Se forem encontrados vestígios de ação deliberada, ameaças comprovadas, sabotagem ou motivação política, a sociedade terá o direito de saber quem fez, por quê e a serviço de qual interesse. E se houver qualquer tentativa de intimidar estudantes por suas posições políticas, o problema ultrapassa os muros da UFPE: trata-se de um ataque ao direito constitucional de manifestação e à própria liberdade acadêmica. A UFPE não perdeu apenas paredes, equipamentos e laboratórios; perdeu parte de uma memória científica construída por pesquisadores e estudantes ao longo de anos.


Agora cabe à PF e às demais autoridades responderem à sociedade rapidamente: foi apenas um incêndio ou alguém deliberadamente colocou fogo em um patrimônio público?







Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador



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