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Flávio Bauraqui - Entrevista

Batemos uma super papo com um dos mais respeitados atores do cinema Brasileiro! Confira!

Flávio Bauraqui - Entrevista
Instagram

Nesta última quarta-feira tive a honra de bater um papo com o ator, cantor e apresentador Flávio Bauraqui. Atualmente, Flávio está em cartaz com a peça Nossa História com Chico Buarque com a direção de Rafael Gomes. E além de atuar em diversos sucessos do Cinema, Teatro e Televisão dando vida a personagens icônicos da história Brasileira, como: Pelé, Jair Rodrigues, Ismael Silva e Cartola, mostra todo o seu talento no Instagram, dançando música Brasileira, cantando e encantando seguidores.


Flávio é gaúcho de Santa Maria, fez teatro em Porto Alegre, até mudar-se para o Rio de Janeiro, onde chegou a trabalhar como porteiro para conseguir se sustentar. Em 1995 fez a peça Forrobodó com a Cia Trupe do Rei, em 2002 marcava a sua história no cinema como a personagem ‘Tabu’ em Madame Satã e 2003 estreava na TV no seriado ‘Carga Pesada’ da Globo, sua primeira novela com personagem fixo, foi Sinhá Moça de Benedito Ruy Barbosa de 2006, interpretando André.



 Foto: Globo/Reginaldo Teixeira


Em conversa pelas redes, Flávio prontamente atendeu nosso chamado e aqui estamos com essa maravilha de entrevista. Confira.


1 - Flávio você é um doce talento diário na tela dos nossos smartphones, você atua, canta, dança, encanta e nutre em nós uma esperança. O que faz de você um artista tão completo?

Acho que é da natureza mesmo. Já vou parafrasear uma frase do Jô Soares, que ele diz o seguinte, que o “artista é uma mão, e os dedos são os talentos”. Acredito que tudo que eu puder fazer com dignidade e paixão, assim eu quero fazer, quero ter a possibilidade de experienciar. Então, acho que assim são os talentos. 


2 - Todo mundo tem uma história com Chico. Qual sua história com Chico Buarque?

Bom, acho que ele, na verdade, ele foi o tema de muitas histórias, assim, muitas histórias da infância e da pré-adolescência. O Chico tocava em muitas novelas, né? E como eu sempre me imaginava, nas novelas, passando o meu nome nos créditos como artista, mas isso eu, lá criança, né? Projetando para o futuro. Então, as músicas do Chico sempre estiveram nas novelas, né? Sempre foram panos de fundo de muitas personagens.


Eu acho que uma que me marcou muito é ‘A gente vai levando’. Que eu não lembro que novela foi, se foi O Grito ou se foi Espelho Mágico, eu não lembro agora.


‘Vai levando’ parceria de Chico e Caetano, foi tema de abertura da novela O Espelho Mágico (1977) de Lauro César Muniz, interpretada por Tom Jobim e Miúcha.


3 - Como foi unir um elenco tão diverso pra representar uma obra universal?

O elenco é um grande encontro de artistas tão diversos e, ao mesmo tempo, tão talentosos. Aquele colega que você fica admirando quando ele está em cena, quando está ao seu lado também. Então é muito bom. E todos contando a mesma história, empenhados nessa história, nessa homenagem tão merecida. 


4 - Seu show homenageando Emílio Santiago, pude ver alguns vídeos na internet, quando ele ganha o Brasil?

Então, eu fiz o meu primeiro show, chama Itinerante, e depois teve a pandemia, eu parei bastante, e agora voltei cantando o Emílio Santiago, que é um compromisso que eu tenho com o próprio Emílio, que foi nos 100 anos do Cartola, ele me chamou para conversar, nós estávamos no mesmo show, e aí, no intervalo, ele me chamou para conversar e disse a seguinte frase: “Bauraqui, que você tem um timbre lindo, você é um intérprete pronto, cante”. Então, a partir disso, eu tive a ideia de prestar essa homenagem.


5 - Sua dança nos traz alegria, suas escolhas musicais nos levam a estágios de Brasilidade inesquecíveis. Como surgiu o Sambauraqui? E quando veremos você mais perto da gente?

Então, surgiu na pandemia, na verdade, com esse questionamento, que essa pergunta aqui ecoava no Brasil, “o que é ser Brasileiro?”. E aí, eu entendi, na minha busca do que é ser Brasileiro, o título de Brasilidade que também está nas nossas músicas, no nosso jeito de ser.

Então, fui pesquisando músicas e sambas, que eu gosto muito, e comecei a sambar, foi uma espécie de terapia ocupacional, e também uma pesquisa sobre o samba, e uma forma de, como eu vou explicar, uma forma de resistência, né, aquele momento tão solitário e triste que foi a pandemia. 


6 - Como ator, seu último trabalho foi com Gentil em Terra & Paixão. Vem coisa nova por aí?

Sempre existe uma possibilidade. Tem possibilidade, sim, mas eu não posso falar. Como ator estou fazendo agora o musical do Chico Buarque, que tá sendo muito bom e essa chance de poder transitar tanto pelo teatro, quanto pelo streaming, pela televisão, cinema, na comédia, drama, tragédia, filme de horror, eu gosto de ter desafios, então qualquer lugar desses tiver desafio estou feliz, mas por hora estou com a peça e daqui a pouco chega 3ª temporada de Arcanjo Renegado, com o Baratinha, maravilhoso.



Flávio Bauraqui como Baratinha de Arcanjo Renegado


7 - Acompanho grande parte da sua carreira, mas dois momentos para mim são marcantes, Madame Satã ao lado de Lázaro Ramos e quando você aparece de Cartola no filme do Mussum. Que personagem mais te marcou na carreira?

Eu sou aquele pai que gosta de todos os filhos, é difícil escolher um, mas vou lembrar de alguns que eu acho que foram interessantes que, por exemplo, o seu Exu Tranca-Ruas, do filme Cafundó, o Febrônio Índio do Brasil, do Linha Direta Justiça da Rede Globo, que inclusive está disponível na internet, no episódio O Filho da Luz; o pai de João de Santo Cristo em Faroeste Caboclo, o Rodapé de Meu Pedacinho de Chão novela das 18 horas da Rede Globo, nossa são tantas possibilidades, o Jorginho de Quase Dois Irmãos, do filme da Lúcia Murat, o Otávio do filme da Lízia e o Coração da Loucura, e por aí vai.


8 - Como é enfrentar o racismo no Meio Artístico?

O racismo no meio artístico, ele está como está em qualquer outro segmento da sociedade, em qualquer outro lugar. Ele está! Infelizmente está, no meio artístico, às vezes, um pouco disfarçado e muitas vezes não, né? Mas ele está presente. Mas a carreira, acho que a caminhada da gente dá uma certa blindada, assim, as pessoas ficam um pouco intimidadas de falar certas coisas, mas existe e existe nas minúcias, nos pequenos detalhes, nos olhares, nos silêncios, ele está aí.


Como diz o Bispo, complementando, “tudo está no mundo, mas é só para quem enxerga” (Arthur Bispo do Rosário).


9 - Somos incentivadores da Cultura Brasileira e admiramos teu trabalho, muito obrigado pela oportunidade deste papo, a Aqui de Casa agradece a sua força e luz ancestral! Seu recado final pra nossa audiência.

É agradecer essa escolha, por terem me escolhido para bater esse papo, mandar um beijo para todo mundo que frequenta esse espaço tão maravilhoso, espaço de resistência, espaço preto. Fico muito feliz de estar aqui, né, ter sido lembrado, aproveitando a frase do Bispo, né, ‘que tudo está no mundo, mas é só para quem enxerga”. Eu agradeço por me enxergarem. Um beijo no coração de todo mundo e viva nossa arte, viva arte preta, viva nossos artistas. Um beijo no coração.



por

Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer


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