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Perspectivas #6: Músicas que Curam

[...] e algumas outras coisas que andei pensando...

Perspectivas #6: Músicas que Curam
Imagem Internet/Pixabay

Num bom sentido, acho engraçado o espanto de algumas pessoas quando digo que não sou muito chegado a filmes ou séries, e que gosto de escutar álbuns musicais. Não me pergunte da série que saiu semanas atrás e que tá estourando por aí que não sei de nada sobre ela, mas, ei! Quer uma música pra algum momento específico? Talvez eu tenha. E talvez tenha também uma perspectiva a compartilhar sobre ela - tipo essas que trago pra cá com muito carinho. Enfim, vamos ao tema do texto:


Estive pensando nesses últimos dias sobre como existem músicas que, num determinado contexto de nossas vidas, parecem surgir como um bálsamo - ou como um empurrãozinho necessário para realizarmos aquela coisa importante, ou como um abraço que nos conforta num momento de vulnerabilidade. Falo daquele tipo de música que "parece que o compositor pensou em mim quando escreveu" (sabe? aposto que sim!), que se conecta com a gente dê uma forma mais profunda e, de algum modo, algo se transforma dentro de nós.


Eu acredito na música como um meio excepcional de comunicação de ideias e de expressão humana, e que ambos os lados (falo de quem cria e quem escuta) se beneficiam dessas coisas. Acredito também no potencial transformador do contato com a arte, e é por acreditar nessas coisas que eu falo sobre a existência das "músicas que curam". Acho maravilhoso quando estou navegando pelas plataformas de streaming de música, ou por redes sociais, e me deparo com comentários do tipo "esse é o álbum da minha vida", ou "essa música me acompanhou durante um momento Y da minha vida".




Isso fala sobre conexão, sobre se entregar àquela arte de corpo e alma - do jeito que for, dentro do contexto e do momento de cada um. Diferentemente de ter uma música como tema de fundo de alguma outra atividade, em que a gente deixa tocando e vai fazer outra coisa, nesses casos que envolvem conexão estamos falando da música como uma mediadora da nossa relação conosco mesmos e com o momento da vida em que estamos. Não é terapia, mas pode ser terapêutico.


Costumo dizer, frase bem pessoal e inspirada no Rubem Alves, que "a gente ama com os ouvidos". O Rubem certa vez escreveu que a gente não ama quem fala bonito, mas quem escuta bonito. Escutar (que tem a ver com uma abertura à compreensão genuína daquilo que se escuta) é algo diferente de ouvir (processo orgânico, uma capacidade do corpo). Escutar (assim como amar) é algo intencional, enquanto que simplesmente ouvir é algo mais passivo. É possível ouvir a mesma música, várias vezes, sem escutar o que ela tem a nos dizer, ou mesmo sem nos conectarmos com aquilo que ela tem o potencial de nos despertar, em termos de sensações e sentimentos. Interessante que dá pra gente levar essa compreensão pra outros contextos também, por exemplo, estamos realmente escutando as pessoas ao nosso redor (e, por conseguinte, interessados em compreendê-las) ou apenas ouvindo-as passivamente? É possível ouvir só pra responder, assim como também é possível escutar pra compreender.




Tenho as minhas músicas “que curam”, ou que um dia cumpriram esse papel de ajudar uma ferida ou um ciclo a se fechar. Que me ajudaram a encarar conflitos de uma forma tremendamente humana e às quais nutro um carinho especial. Inclusive tenho um disco que, carinhosamente, apelidei de “meu disco terapêutico” - dada a importância que ele teve num determinado período meu de desconstrução e reconstrução internas. Toda vez que escuto ele, eu escuto a mim mesmo também. Dia desses eu falo sobre ele por aqui.


Por hoje era isso. Escutem música, mas também a si mesmo e às pessoas. Escutar também é cuidar.


por

Igor Jeske

Psicólogo

Músico

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