A Solidão da Pessoa com Deficiência
Já ouviu falar da solidão da pessoa com deficiência?
Já ouviu falar da solidão da pessoa com deficiência? Essa solidão não é se sentir sozinha no cunho, não ter alguma amizade, não beijar alguém na balada. Tem haver com exclusão social. A estrutura social, desde sempre, segregou as pessoas com deficiência, privando-as do pleno exercício dos seus direitos. A falta de (re)conhecimento da capacidade dessas pessoas produz (e reproduz) a exclusão e faz com que a deficiência seja considerada um problema para a sociedade. À falta de promoção na interação das pessoas com e sem deficiência e de conscientização coletiva nas áreas de urbanização, acessibilidade, saúde, educação, trabalho, esporte e cultura ficam em 2º plano e sequer existem como deveria. Por isto, o investimento real, significativo, para esse público é mínimo e a inclusão não acontece efetivamente.
Inúmeras pessoas com deficiência estão agora em suas casas vivenciando uma profunda sensação de vazio. Mesmo quando à vida vai bem. Esta sensação é fruto de uma situação específica: o isolamento. A mesma solidão que as pessoas sem deficiência vivenciaram na pandemia. Já parou pra pensar que as pessoas com deficiência vivem uma eterna pandemia? A solidão por ele causada vem acompanhada de um sentimento de tristeza e desamparo, o que traz à pessoa isolada um gigantesco sofrimento psicológico. Existe a vontade de passear, namorar, estudar, mas os meios para a realização dessas atividades são extremamente difíceis!

Dizem que após o surgimento da internet ninguém mais está de fato isolado. É, não há como negar que as influências tecnológicas, as redes sociais, diminuíram a solidão e criaram certo “contato”. No entanto, ao conversarmos com as pessoas com deficiência, quase todas, senão todas, dirão que gostariam de ter uma vida “mais real”, que sentem falta do toque, do olhar, de contado e que em vários momentos se cansam de estar em frente à tela do computador o dia inteiro. Mas, infelizmente, a internet passou a ser a única companhia possível para elas. O contato com a sociedade faz pessoas com deficiência crescerem e serem lembradas que elas existem! A inserção na sociedade faz com que pessoas se desenvolvam melhor e necessitem desse desenvolvimento para tudo na vida.
E, não devemos desconsiderar um agravante relacionado à rede, a vulnerabilidade emocional. Como o processo de relacionamento se encontra prejudicado por causa do rompimento ou diminuição do contato humano, há a possibilidade de inúmeros problemas. Pois, na ânsia de desfrutar de companhia, muitos aceitam qualquer migalha de afeto e acolhimento. E, assim, abre-se um ótimo espaço para relacionamentos amorosos tóxicos, amizades oportunistas e empregos não condizentes com a qualificação e, muitas vezes, com pagamento inferior ao das pessoas sem deficiência, pelo mesmo trabalho prestado. E o pior acontece quando estes “laços” se rompem! A pessoa com deficiência tende a achar que a culpa é sua e cada vez o isolamento intensifica-se.

Talvez alguém se pergunte: Qual o problema de se isolar e querer a solidão? Eu respondo. Nenhum! Afinal, a solidão é uma característica existencial. Mas para ser vista como positiva, precisa ser fruto de escolha, e não de imposição. E é justamente pela imposição da sociedade que a maioria das pessoas com deficiência vivencia esta condição. Escolher estar só gera prazer! A pessoa tem sua própria companhia e gosta desta “cumplicidade”. Já, estar sozinho, forçadamente isolado, gera frustração, angústia e sensação de abandono. Todo ser humano é um ser gregário e, quando a possibilidade de contato com o outro é negada, há muito sofrimento, e a situação torna-se desumana.
O texto traz uma reflexão extremamente importante sobre o impacto negativo sobre a exclusão social em todos os âmbitos na vida das pessoas com deficiência. A luta tem que ser por acessibilidade e inclusão.
por
Fernanda Caroline

Colunista
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