Homens Também Sofrem com Relacionamento Abusivo
[...] estou aqui de coração aberto falando de uma realidade que muitos homens têm medo de falar...
Apesar de não parecer ou de não deixar transparecer, eu sou um cara inseguro. As tendências fora do meu alcance e a ditadura de ser um “homem padrão” meio que fizeram de mim um bicho do mato, uma fera difícil de domesticar, mas que mesmo assim não se deixou petrificar com o tempo, deixando o coração intacto e sempre pronto a vivenciar uma história de amor. Sim, eu sou um homem romântico, daqueles que manda flores, que faz jantares e escreve poesias, mas quase sempre isto não é o suficiente, viver de aparências parece mais interessante para algumas pessoas que passaram em minha vida.
Ultimamente tenho me permitido a conhecer pessoas, mas quando conto minha história, parece que assusto, as mulheres não estão preparadas para ouvir de um homem que ele já sofreu com um relacionamento abusivo. Algumas, além do espanto, ainda dizem: “mulher dizer tudo bem, mas um homem, eu nunca vi, que estranho”. Não quero aqui causar polêmica, tampouco estou escrevendo esse conteúdo para defender homens machistas, estou aqui de coração aberto falando de uma realidade que muitos homens têm medo de falar.
Homens também podem ser vítima de um relacionamento abusivo. Esse assunto é muito pouco falado e costuma ter um certo tabu, já que em uma sociedade machista, um homem jamais poderia sofrer abusos na mão de uma mulher, que historicamente é o ser humano que mais sofre, quando se trata de violência doméstica. Um relacionamento abusivo geralmente não começa com uma agressão física, a violência física pode jamais se manifestar em boa parte dos casos, mas isso não significa que as dores e a violência emocional não sejam profundas e reais.
Um relacionamento abusivo pode acontecer com qualquer pessoa, seja mulher ou homem, você pode estar neste momento vivendo um relacionamento abusivo, sem nem sequer, ter se dado conta disso. Você pode ter uma vida aparentemente perfeita, ter o melhor shape, ser alegre, ter planos, ter a melhor educação, frequentar os melhores lugares e mesmo assim ser uma vítima de um relacionamento abusivo.

As formas de agressão psicológica muitas vezes passam despercebidas, elas costumam plantar dúvidas, cultivar o medo de tomar atitudes que supostamente são normais, mas que podem causar mágoas e um suposto desconforto em sua parceira, onde os questionamentos por aquela postura ainda podem piorar a situação, causando discussões e brigas. Com isso, a chantagem emocional, a difamação, a tortura psicológica, a destruição de objetos, os xingamentos sem motivo, o ciúme excessivo que limita o parceiro de ter uma vida social, privando-o de ter contato com amigos e família, o controle de seus horários, o controle de sua profissão, fazer com que você se sinta culpado por suas ações, mentir que algo aconteceu apenas para confundir, elevar a voz, ligações em massa em horários de descanso, ameaças de término repentinamente, se tiver Filhos, impedir o contato com a criança e o pior de tudo, agir momentos depois como se nada estivesse acontecendo, demonstrando um amor excessivo. Além disso, em muito casos o término do relacionamento causa mais violência, pois o fim do ciclo não é aceito.
Mas porque nós homens ficamos em silêncio sobre este assunto que é bem comum na vida cotidiana?
Como disse, vivemos uma sociedade machista onde o homem não pode demonstrar sensibilidade, aquela coisa horrível de que “homem não chora” ainda mais por uma atitude de uma mulher, onde maioria pensa que virilidade tem correlação com o que as pessoas vão achar delas. No entanto, ainda há o medo, principalmente de não ser levado a sério, já que no Brasil, um país que mais mata mulheres e homossexuais, um homem que sofre violência emocional e descredibilizado quando a agressão vem de uma mulher. Com isso surge a ideia da proteção da imagem, não só a sua, mas como da família, por último surge a depressão e a baixo autoestima, em alguns casos, a ansiedade e síndrome do pânico.

Pois é meninas, eu passei por isso, sofri violência emocional, tive síndrome do pânico, ansiedade, e por ser um homem gordo e já ter uma baixa autoestima, acabei refém do “se eu te deixar, tu nunca mais vai ter ninguém”, teve casos onde fui só o amigo colorido escondido “eu não saio contigo, ir com o fulano vai ser muito melhor", “tu não é homem para mim, quantos caras me querem por aí” em meio a um simples dialogo. “Tu é o culpado das coisas não darem certo", “tira aquela foto do Instagram, agora” quando eu postei uma foto com uma camiseta do Internacional na rede. “Não quero tu cumprimentando ninguém na rua”, “não vai curtir foto daquela artista no Instagram” dentre outras coisas.
A minha voz é só uma voz, talvez uma voz não ouvida, não tem coral neste caso, tem solidão, mas tem coragem o suficiente de hoje não mais querer passar por isso. Hoje sei o que quero em um relacionamento, à leveza, à paz, o amor genuíno, os risos e a admiração. Choro, dor, nunca mais!
por
Jeff Soares

Músico, Locutor
Jornalista, Web Designer
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