Nelly Coelho - Entrevista
Bati um papo com a atriz, comediante e roteirista gaúcha, Nelly Coelho!
Dias atrás tive a honra de bater um papo com uma das comediantes mais legais que a gente tem no Brasil, meu primeiro contato com Nelly Coelho já me arrancou risadas ‘com todo o respeito’ já que sua gatinha havia acabado de procriar em cima de sua cama, então foi algo rápido, mas que me fez lembrar uma história da minha infância, onde uma gata deu cria dentro do guarda-roupa da minha mãe (risos).
Descobri o trabalho da Nelly pelo Instagram em 2022, desde lá comecei a segui-la mais de perto, a comentar, curtir e compartilhar com amigos os seus posts hilários de Stand-Up e da vida cotidiana, mas alguma coisa na comédia dela me chamava a atenção de uma forma diferente, não só pelo fato dela ser gaúcha, preta e do axé, Nelly traz com facilidade uma imagem de coisas que a gente viveu, então isso causa uma empatia, uma admiração. Nelly é autêntica, diz exatamente o que pensa e confesso, a entrevista é forte, surpreendentemente intensa, foi difícil editar, porque não queria correr o risco de tirar algo do contexto. Confira.

Foto Divulgação
1 - Nelly tu és um dos talentos mais importantes e genuínos do Rio Grande do Sul. Tua comédia arranca risadas naqueles que sequer tem motivos pra sorrir. Como foi começar a fazer Stand - Up no Rio Grande do Sul?
Comecei em uma época que a gente não tinha um stand-up, ele não era divulgado, nem no Brasil não era divulgado (como stand-up). Os maiores nomes que a gente tinha de stand-up, eram Rafinha (Bastos) e (Danilo) Gentili, e só, não eram grandes nomes ainda, estavam começando, então ainda tinha muito a questão do personagem e tal, e aqui no Rio Grande do Sul então, meu Deus, aqui era bem complicado.
Só que eu comecei meio na cagada, assim, meio que no “vamos lá”. Por que o que acontece? Entrei na faculdade de Teatro e vi na faculdade a ideia de Teatro tradicional, e sabe, eu sei fazer, mas não era isso que eu queria, eu queria muito fazer comédia. Eu sempre gostei muito de comédia, assistia stand-up sem saber o que era um stand-up. Gostava da Whoopi (Goldberg), gostava do Ed Murphy, do próprio Jô Soares, mas não sabia muito bem assim o que era. Me lembro que vi um vídeo do Rafinha Bastos, da piada dele do “nana neném”, e disse: “é isso que eu quero fazer, é esse tipo de humor que eu quero fazer”.
Então, rolou um concurso no Prêmio Multishow de Humor, me inscrevi, me chamaram. Eu não tinha texto, não tinha nada, não tinha nenhuma noção de comédia, de estrutura de comédia, não passei, obviamente, mas as pessoas gostaram de mim, me chamaram pro outro dia para ver um show, e daí eu encontrei a Juliana Barros, a Pedrita, que chamou todas nós para fazer um grupo, assim nós fizemos um grupo de stand-up chamado ‘Tinha Que Ser Mulher’.
Foi o primeiro grupo de Stand-up Comedy de Mulheres do Rio Grande do Sul, foi bem marcante isso. E a gente ficou, sei lá, três ou quatro anos fazendo stand-up e aprendendo no acerto e no erro. Comecei a fazer às minhas piadas, basicamente fazendo piada sobre racismo, em primeira instância. Então era um desafio fazer a piada e fazer as pessoas rirem como a gente e não rirem da gente. Foi bem complicado, mas foi uma escola muito legal.
2 - Quais as tuas principais influências na Comédia?
Eu gosto para caramba do (Leandro) Rassum. O Rassum é um divisor de águas, o jeito de fazer e tal, Rafinha Bastos é uma inspiração grande pra caramba, foi o primeiro cara que eu vi, onde vi como é que era, como é que não era. E que era aquilo que eu queria fazer. E acho que, sinceramente hoje em dia, tenho umas inspirações bem pontuais, gosto da Cacau Protásio, acho que a Cacau tem um humor muito dela, único.
E eu admiro todas as minhas colegas do Stand-Up do Rio Grande do Sul. De verdade, não é puxa-saquismo não, eu admiro mesmo! Betina Câmara, a Mayura Matos, o Ursa Malgarizi, a Fantine Addams, Nega Gato, você tem muita mulher foda fazendo. Cada vez que tu tá vendo o show, tu aprende com Elas, então eu acho muito pica. Ah, e se for botar uma internacional, com certeza a Whoopi Goldberg é a minha, eu era a cara do Whoopi, sempre fui, até um óculos roxo eu tinha, me chamavam de Ghost, então tipo, ela é muito (Risos).
3 - O que te faz dar risada?
O que me faz dar risada? Aí, eu vou ser cancelada, porque eu tenho um humor muito, mas muito, muito idiota. Eu dou risada com coisa besta, assim, com gente caindo, com coisa quebrando, com piada do pica-pau (risos). Eu dou risada com coisa idiota, com gente falando errado. Dou risada com essas coisas bestas, isso me faz rir. Assim, admito que gosto muito de humor ácido, eu gosto. Não sei fazer, não faz muito o meu estilo, mas eu gosto. Então, tipo, um Hermes e Renato. Mas, gente caindo é pra me quebrar, gente caindo é complicado.
4 - Sabemos das dificuldades que as Mulheres enfrentam para assegurar seus lugares de direito dentro deste meio que ainda é dominado por homens. Mas pra ti como Mulher Preta foi mais difícil?
Ah, olha, pra mim como Mulher Preta houve algumas violências quase, aquelas micro violências que a gente sofre, que realmente me pegaram, outras eu consegui burlar e de uma certa forma não sofrer tanto, mas sim, tiveram situações. Bom, tu ter que provar 3, 4, 5 vezes que tu é boa e que tu sabe o que tu faz, que é o teu trabalho que tá ali, e tu ser invalidada por alguém, são coisas que me pegam muito. De dizerem que tu não é boa, sendo que nunca viram o teu show, de te cortarem de coisas simplesmente porque acham que tu não combina com um lugar, que tu não vai conseguir agradar ao público porque tu não combina com aquilo lá.
Acho que a situação mais cabeluda e complicada que na época eu não soube lidar e que até hoje não sei lidar – eu já tinha uns oito anos de carreira e uma pessoa virou pra mim e disse “agora eu conversei com os fulanos e finalmente eles vão te chamar”. Quer dizer, a pessoa não chegava nem a ter tanto tempo de carreira, quanto eu tinha (de comédia) e muito menos o talento, sabe, muito menos à dedicação. Não querendo me achar, mas a pessoa não tinha. Mas, aí ela estava me validando. Ou seja, eu tive que ser validada por uma mulher branca para homens brancos para poder trabalhar.
Então aquilo foi um baque bem grande na minha vida, tive que engolir, pra gente não gastar um réu primário, mas foi bem difícil. É difícil até hoje, é difícil de tu olhar. Só tu calcular e ver quem é que tá fazendo sucesso. Quem é que tá? Se tu não faz racismo recreativo tu não serve, se tu faz comédia real tu não serve, só está no topo – a maioria que está no topo, é fazendo o racismo recreativo. Eu escolhi não fazer, então eu sei que o caminho é mais difícil.
5 - Como se faz para lidar com o preconceito sendo uma comediante e Umbandista/Batuqueira?
Olha, vou te falar que no palco eu nunca sofri preconceito, peguei uma chata uma vez que largou um ‘Glória a Deus’, mas assim, bem comum e normal num show, o que me pega é na rede social mesmo, no Instagram chove uma galera que acha que eu não posso fazer piada, às vezes é a galera da Umbanda mesmo, que acha que eu não posso fazer piada, tipo ‘aí não pode fazer piada disso’, e eu também pego muito no pé da galera que não tem melanina, então eles ficam indignados, revoltados, dizendo que eu fico fazendo racismo reverso e etc. Já me mandaram parar, já disseram que eu não tenho o que fazer, já disseram que eu ia pagar caro sobre isso e neste aspecto eu admito que eu não dou bola, eu dou risada.
Eu sou de Religião, eu nasci dentro de uma Casa de Religião, eu tenho Santo feito desde sete anos de idade, então eu sei muito bem o que eu posso e o que eu não posso fazer. Então acho engraçado que as pessoas falem isso, acho engraçado que as pessoas não têm nem o tempo de vida, do que eu tenho de Santo (risos) e querem falar coisas pra mim. Realmente dou risada. Debocho, uso o deboche ao meu favor, obviamente, mas nesse aspecto dou risada.

Foto Divulgação
6 - Recentemente, Tatá Mendonça, foi assediada no palco por um colega comediante pelo fato de ser cega. O que você tem a dizer sobre uma situação tão séria como essa?
Cara, eu vi o vídeo e fiquei apavorada, fiquei literalmente apavorada, com a cara de pau, com o absurdo, com a baixeza, com o nojo, nossa eu fiquei apavorada, porque é uma situação sim que acontece, já vi acontecer com meninas na minha frente, e depois: “ah é brincadeira, ah, nada a ver…”.
Normalmente no meu caso, eu uso do preconceito ao meu favor, porque nós mulheres pretas somos sempre vistas como as barraqueiras e as violentas, nesse estereótipo. No meu caso não é estereótipo não, eu sou barraqueira e violenta mesmo e eu deixo isso claro. Então as pessoas não chegam muito perto de mim por conta disso, eu nunca dei abertura e nem as meninas dão abertura. Elas não dão! Nunca deram, nunca vi às minas da comédia se atirarem para comediante nenhum, nunca vi. Então a história é assim, eles não chegam muito perto de mim, eles sabem que eles vão tomar uma cadeirada, que eu vou virar o Datena.
Mas eu fiquei me perguntando: Será que a gente precisa ser assim, desse jeito, para que as coisas aconteçam? E não, nem assim, tenho uma amiga chamada Betina Câmara, que é a pessoa que mais têm a cara de poucos amigos no camarim e ela foi assediada! Então assim, é a falta de respeito mesmo, um absurdo! E se a gente abre muita boca para falar, a gente é tachada como louca, a gente é tachada como a ‘mimizenta’ e não chamam a gente nunca mais para fazer show. Então, muitas vezes, a gente tem que se calar, a gente tem que ficar quieta e aguentar no osso e é muito complicado isso. Olha, ainda bem que a Tatá tem a força que tem, para poder passar.
Foi filmado, porque se ela tivesse só falado, diriam que ela estava louca e mesmo com a filmagem, disseram que ela tava exagerando, então é nessa hora que a gente quer muito virar o Datena e dar cadeirada em tudo quanto é tipo de gente. É muito complicado.
7 - Sei que essa pergunta parece clichê, mas existe limite no humor?
Olha, o humor não tem limite, quem tem limite é o comediante. O humor em si é uma ferramenta. Ele não tem limite. Tu pode fazer o que achar que deve com ele, porque ele não tem limite, mas tu pode ir e extrapolar todos os limites. Ele é uma ferramenta extremamente elástica e plural, mas o comediante tem limite. Então eu acho que o limite do humor para o comediante é o limite que você consegue segurar, porque uma coisa é eu fazer piada, outra coisa é eu arcar com as consequências da minha piada. Eu posso fazer a piada que eu quiser, mas eu não posso esquecer que existe lei e que não pode cometer crimes. Então assim, tu quer fazer? Tu faz. Ninguém tá te impedindo te fazer. Desde que tu não cometa crime.
Eu sou da premissa que dá pra fazer piada com tudo, desde que tu saiba fazer a piada. E segura teus B.O! Essa história de fazer a piada e depois ficar chorando as pitangas que o mundo tá chato, que ninguém te entende, que é censura, que os caralho, aí não né, segura teus B.O. Se tu foi lá e fez a piada, aguenta o teu momento. Eu acho que o limite do humor é isso, o limite do humor é o comediante, o limite do humor é o quanto que você bate no peito e segura às tuas piadas e defende o que tu faz.
Não consegue mais defender, não consegue mais segurar, não consegue mais se responsabilizar, tá aí teu limite.
8 - Me fale mais sobre a mãe Nelly Coelho e suas preferências na vida cotidiana.
Nossa, vamos lá. A mãe no cotidiano, né. Eu sou muito nerd. Eu sou ‘nerdona’, eu sou uma pessoa que se tu deixar, eu não saio de casa. A melhor banda que eu posso dar, a melhor saída que eu posso dar é a saída do meu quarto pro meu computador pra jogar alguma coisa. Eu não sou uma mãe muito organizada, assim, de querer arrumar casa, não é muito a minha. Então, eu sou muito, muito reclusa.
São poucas as pessoas que vêm aqui em casa. Tenho poucos amigos, a gente tem vários conhecidos. Mas, amigos pra caralho mesmo, aquele amigo, eu tenho dois, três, que vem aqui em casa pra trovar fiado, pra tomar café, e só. Me convidam pra sair, eu não quero, me convidam pra fazer alguma coisa, eu não quero.
Vou sair com as crianças, vou na pracinha com as crianças, vou em outro lugar, com as crianças. Mas, não gosto, se deixar o passo o dia inteiro de pijama, entendeu? Não sou a pessoa mais “legalzona” do mundo pra isso. Eu gosto muito de ficar em casa, sou muito ‘nerdona’, muito caseira, basicamente é essa à minha. Meu mote é comer, dormir, ler, desenhar e jogar RPG. É isso. E ver desenho com as crianças, que eu gosto.
9 - Quando poderemos ver teu show pelo Brasil à fora? Principalmente aqui no sul do Rio Grande do Sul?
Então, a gente está batalhando para fazer uma turnê pelo Rio Grande do Sul, ainda estamos só na região metropolitana, porque é difícil de fazer uma logística, mas se o pessoal quiser me chamar para fazer um show, eu vou! Quero muito rodar o Brasil, fiz show em São Paulo ano passado, fiz show no Minhoca e no Beverly, foi muito legal! Onde me quiserem, eu quero ir, quero muito fazer isso. Ainda não tem nada marcado, mas eu quero, inclusive se alguém quiser patrocinar uma comediante aí, eu estou aceitando o patrocínio! É uma logística um tanto complicada, mas eu sei que vai dar certo e eu quero muito isso.
10 – E esse amor pelo Linkin Park? Vamos levar a Nelly para o Show?
Nossa, Linkin Park! Linkin Park foi a banda que eu mais (emoção). Nossa, eu me emociono quando eu falo de Linkin Park, é muito doido. Eu sou fã de Linkin Park desde os 13, 14 anos, desde o primeiro CD.
E ele (o álbum) me ajudou muito, porque eu era de uma família, a galera Black vai entender, que nos anos 90, a gente não tinha problema, né? A gente não podia ter problemas. Eu era uma criança que tinha tudo, a minha mãe batalhou muito para me dar todas as coisas, eu sempre tive muita coisa, só que a minha mãe não aceitava a ideia de que talvez eu tivesse algum problema, alguma questão. Hoje em dia eu entendo que eu tenho TDAH, que eu tenho bipolaridade. Eu era uma criança, era normal, mas eu era perturbada mentalmente, porque é difícil de tu manter a cabeça de um TDAH legal, né? E a gente não tinha isso, a gente era hiperativa e olha lá. E pra minha mãe era aquilo, precisava ser boa, precisava fazer.
Então o Linkin Park entrou na minha vida. Não era só música, era como se aquela Banda conversasse comigo e entendesse as minhas questões, entendesse as minhas dores, e até hoje é assim. Até hoje eu escuto, até hoje quando eu tenho um problema é Linkin Park que vai tocar em looping.
Quando teve o show em Porto Alegre, eu não tive dinheiro para ir, fiz de tudo, tentei de tudo, mas não tive dinheiro pra ir, eu chorava copiosamente, eu chorei dois dias copiosamente, eu olhava para a cara das pessoas e chorava, as pessoas não entendiam nada, e eu estava com tanta vergonha de dizer para as pessoas que eu estava chorando porque não tinha ido num show, que eu não dizia nada, só dizia que “tá, tá, eu não estou legal”, sabe? Mas foi por causa do show.
E quando aconteceu a tragédia com o Chester, eu me abalei muito, fiquei muito abalada. Fiquei me perguntando: que pena que não teve um Chester na vida dele, sabe? Porque por muitas vezes o Chester segurou a minha mão para eu não fazer uma besteira, por muitas vezes eu me vi sozinha numa situação, e só o Linkin Park esteve ali para segurar a minha mão, e pensar, não, não, há uma saída.
Então é uma relação bem intensa que eu tenho com a Banda, não é apenas uma Banda que eu gosto das músicas, eu tenho um sentimento de gratidão por eles, gratidão, porque se eu hoje estou na minha carreira, tenho a minha família, e consigo tocar ficha com a vida, muito foi eles, porque se eu não tivesse tido isso, talvez eu não estivesse aqui, talvez eu tivesse desistido no meio do caminho.
Então, eu sou fã pra caramba, eu gostei muito da Emily, eu torci muito para os meninos voltarem e tocarem a ficha, e eu sei que o Chester está muito feliz de onde ele está, e eu quero muito estar lá naquele momento, quero muito estar naquele show! Muito, muito, muito, muito! Até fiz um vídeo, abri uma vaquinha, estou mandando mensagem pra tudo quanto é patrocinador, por causa disso, porque dificilmente fui fã de bandas assim, nesse nível de fã, eu acho que Linkin Park é a única banda que eu realmente sou fã desse jeito.
10 - Nelly, obrigado pela tua disponibilidade de nos atender, a Aqui de Casa é tua casa também. Deixe seu recado final para a nossa audiência.
Muito obrigada, de verdade, pelo espaço. Eu fiquei muito feliz de receber esse convite pra fazer essa entrevista, e obrigada à galera! Me sigam no Instagram que é @nellycoelho.
No dia 9 de novembro, vou estar fazendo meu show solo em Canoas, no Rio Grande do Sul, chamado “Depois dessa, Iemanjá me Afunda”, que é um show que eu faço com a ideia das piadas de Batuque e de Umbanda, que tá muito legal. Será a primeira vez que eu farei lá no Buteco. Então é importante que o pessoal vá e assista, os ingressos já estão disponíveis, e eu queria muito mostrar pra a galera que é do Axé, e também pra quem não é do Axé, que todos vão se divertir, então falem para as pessoas, vai ser muito bom, e de novo, muito obrigada mesmo.
E assim terminou nosso papo, com a promessa de tentar trazer o show da Nelly pra Pelotas e região, o que será o maior barato!! Pra saber mais da vakinha para levá-la no show do Linkin Park, acesse o Instagram @nellycoelho!!
Nelly também acabou de lançar os primeiros capítulos do seu livro no Wattpad e você conferir aqui: FRAGMENTOS DO ESPELHO
por
Jeff Soares

Músico, Locutor
Jornalista, Web Designer
Comentários (0)