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SOCORRO, FUJA DA SOGRA!

Um registro bem-humorado de uma história surreal!

SOCORRO, FUJA DA SOGRA!
Imagem Internet

Depois de um casamento desgastado o que desejamos? Acerta quem diz “uma grande paixão”! E eu estava na pista depois de 11 anos. Munida de aplicativo no celular, coloquei meu nome ara o jogo e vamos para a vida nova.


Em poucos dias conheci uma pessoa muito bacana. Bernardo era um cara muito educado, culto e sabia muito bem como tratar uma mulher. Nos entendíamos muito e estávamos dispostos a iniciar um namoro (tudo o que eu queria). Tá certo que ele tinha uma rotina e regras um pouco excêntricas para alguém com 49 anos, solteiro, nunca se casou. Mas quem nunca né? E a paixão tórrida corria muito bem até que conheci sua família. Socorro Deus!


Fui apresentada a dona Lidiane, sua mãe, e o seu mundo paralelo em um jantar na sua casa. Apesar de ser uma mistura de Vovó Zilda (personagem da família Dinossauro da década de 1990) e da Vovó Mafalda (Programa do Bozo de 1980) a senhora me pareceu uma graça.


Diretora aposentada daquelas nomeadas pelo estado com somente o seu curso de Magistério, separada, morava com seus dois filhos em um apto em uma avenida bem movimentada. Descobrimos pontos em comum, mas haviam coisas que me deixaram com as orelhas antenadas. Bernardo se calou e a condução de toda a noite foi realizada por ela. Mas fiquei maravilhada pelo cuidado dele com sua mamãe. Pensei encontrei meu pé de chinelo. Ai ai ai…


Minha primeira surpresa era o quarto de solteiro que ele mantinha em casa. Cama de solteiro, escrivaninha, porta retrato com algumas fotos dele criança. E uma regra, nunca fechar a porta. Respeito, que lindo! Sua irmã, uma Jornalista, também solteira mantinha o mesmo padrão de criação. 




E tudo ia tão bem, até que Dona Lidiane começou a demostrar suas verdadeiras garras. Bernardo tinha regras para tudo. Horários para chegar em casa e dias determinados para sair. Até a utilização do carro era controlado! Sim, amigos, era nesse nível! A desculpa era que, como a Senhora tinha um problema em um dos joelhos, ele teria que ajudar em tudo em casa. Eu concordei e achei justo a princípio, já que ele morava lá. Mas isso não era nem 10%.


A senhora distinta se mostrava cada vez mais déspota, controlava a alimentação de todos na mesa, inclusive a minha. Se o Bernardo segurava minha mão, tinha que segurar a dela. Se ganhava uma flor dele, imediatamente ela teria que ganhar também. Às criticas a tudo o que eu era, o que eu vestia, como me portava também aumentava com o tempo. Como estava na casa dela, me calava, o que deixava ela mais louca. Até que um dia pedi que nunca mais me convidasse para ir a sua casa. Continuei ser bem educada nos seus telefonemas e mensagens, mas me mantive distante.


E o universo sempre conspira para aumentar o caos. Bendita, Lei de Murphy. Quando dona Lidiane foi operar seu joelho, eu, como criatura bem-educada, enviei flores: Lindos Lírios da Paz, mas para ajudar o clima de bandeira branca, a floricultura embalou o bendito em um tule Cinza chumbo, quase preto! Nem preciso dizer que fui amaldiçoada até a última geração!


Outra história controversa foi a indicação de medicamentos receitados pelo médico. Deus porque me fez com uma boca tão grande! Bernardo me perguntou qual achava mais tranquilo, indiquei o que mais entendo e acho seguro. E não é que deu reações adversas na pobrezinha? Passou bem mal que tiveram que chamar a emergência.


Poderia passar horas narrando todas as situações quase diárias que passei em 05 meses de relacionamento. Realmente travamos uma luta para podermos ficar juntos. Mas fomos vencidos pelo cansaço. Tentamos até ter um relacionamento aberto. Mas enquanto eu me divertia conhecendo novas pessoas. Bernardo curtia sua mamãe.


E em uma noite de domingo entramos em comum acordo. Ele já tinha um relacionamento sólido e concreto materno e eu não estaria confortável sendo a outra. Terminamos em comum acordo. Ainda gostaria de acreditar que os fogos de artifício que escutei depois que deixei o moço em casa seja apenas coincidência! De tudo o que posso concluir é que nunca entre em competição com sua Sogra, você sempre estará em desvantagem!



por

Edna Loreto

Médica Veterinária

Escritora

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