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Sobre Um Fim de Relacionamento - O Desapego

[...] eu sei, preciso desapegar, dar créditos as pessoas, não fugir delas...

Sobre Um Fim de Relacionamento - O Desapego
Imagem Internet/Pixabay

"Hoje está fazendo um ano amor, que você partiu, levando metade de mim, levando o meu coração..." foi o que cantarolei quando percebi que abrirá o nosso antigo álbum de fotografias. Sim nós tínhamos um, era para termos a lembrança que o nosso amor e os amigos nunca morreriam. Que grande engano. Depois disso, só quis ir para a rua, encontrar alguém que me dissesse algumas palavras, não precisava muitas, eu apreciava o silêncio, mas necessitava de barulho, um barulho que silenciasse meus gritos.


Coitada da minha terapeuta, acha que estou pronto para amar novamente. Será? Não sei amar direito nem a mim mesmo, depois desse vendaval. E ainda me pergunto: Como me portar depois do fim? Nem mesmo o som das músicas e o gosto da comida foram os mesmos. O ritmo das músicas e a narrativa dos filmes soam com alguma coisa faltando, ainda não me desprendi, fato. Será que devo doar nossa coleção de discos dos Milton? Não, os discos do Milton? Sério? Será que até isso você vai me levar?


Tudo bem, eu sei, preciso desapegar, dar créditos as pessoas, não fugir delas, me permitir, mas eu não consigo ainda. Tenho uma menina que encontrei pelo caminho, tão bacana e tem tanta paciência comigo, mas eu já lhe disse que nossa relação não passará de uma amizade-colorida, pois a liberdade que eu preciso para ficar sozinho, ela a tem para seguir em frente, se quiser. Não, eu não a estou usando, somos adultos gente, sempre fui claro, transparente. Não a amo como ela gostaria e ela sabe disso, eu lhe disse. Não se trata de falta de química, nada disso, apenas não estou preparado.




Hoje é aniversário de um amigo em comum, mas eu não pretendo ir à festa no bar da XV. Não, eu não estou preparado pra te encontrar nos braços de alguém, só de pensar, já causa uma coisa em mim. Mas ele é meu amigo, os amigos andam ao lado dos amigos, certo. Mas sinceramente eu não sei. Corro perigo dos nossos amigos em comum me virem chorar. Melhor respeitar o insano, o sagrado e o profano que foi nosso amor. Mas será que Ela irá?


Na verdade estou cansado disso, estou saco cheio de ficar imaginando e buscando porquês, desculpas, entendimentos, está na hora de virar à chave, eu sei, mas conseguir. “Deixo as malas, esqueço o passado, deixo aqui as coisas ruins, levo comigo somente os amigos, sacudo à poeira, tomo meu rumo, deixo aqui as coisas ruins, levo comigo somente os discos…”.


Assim fechei a gaveta deste drama pessoal. Vou pintar o apartamento, decorar do meu jeito, mandar consertar meu violão, comprar algumas rosas e incensos, reunir os amigos aqui, viver outra realidade. O desapego é difícil, quase um vício, causa imensa dor, mas é só um mal necessário. Amar a si mesmo ainda é mais importante.



por

Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer

Comentários (1)

Igor Jeske
Igor Jeske

Amar a si mesmo de forma plena, ao menos do meu ponto de vista, é parte essencial do amar a alguém de forma plena. Há que se tornar amigo do tempo e desbravador do processo, porque é um processo. Aliás, trazer "Hoje Está Fazendo Um Ano" me pegou, gosto muito dessa música.

1 ano atrás