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Virgínia Osório - Entrevista

Um papo sobre a carreira de uma das melhores cantoras da noite Pelotense!

Virgínia Osório - Entrevista
Foto Divulgação

Já algum tempo esperava por esse papo, o talento e a musicalidade de Virgínia Osório são grandes demais para serem resumidos em palavras, mas nosso papel aqui é exatamente este, dar a voz e letra as pessoas que somam e muito com a sociedade, principalmente culturalmente, e Virgínia é um desses casos. Natural de Bagé, cantora e compositora, mãe solo e feminista, tornou-se uma voz radicada em Pelotas, mas que o mundo deveria ouvir.


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Virgínia, quanto tempo, lembro ainda do dia que te conheci em uma Jam Session com Celso Krause no saudoso Diabluras, onde me encantei pela tua voz, cheguei até a cantar um som com vocês naquela noite. Naquela época tu eras uma cantora muito visceral. Conte um pouco pra gente quem é a cantora Virgínia Osório?

A Virgínia é cantora, então, quem eu sou? Eu sou uma mulher, cantora, independente, artista, que tem ideologias feministas, ideologias visando o bem-estar e a arte feminina. É uma mulher, mãe solo, de uma menina de dois anos, que está tentando um espaço, mostrando interpretações de outras mulheres muito fortes, que são as minhas referências maiores da música popular brasileira. E, além disso, colocar de frente, representar esse público feminino que faz arte independente, voz violão, que vive e que ganha à vida fazendo arte, fazendo música, cantando e tocando o seu instrumento para poder tirar o seu sustento dali, dessa arte, e também se beneficiar e se realizar profissionalmente, não só na questão financeira. Então, a Virgínia cantora, ela é isso, ela é uma mulher independente, viva, criativa, audaciosa e com muita vontade de, cada vez mais, seguir em frente nessa carreira musical.


Quais são as tuas principais influências musicais?

As minhas influências musicais são diversas, desde o jazz internacional, como Etta James, Aretha Franklin, Amy Winehouse, que é a mais moderna, mais atual, até também as influências brasileiras, como Rita Lee, Gal Costa, Cassia Eller, Elis Regina, que também eram mulheres muito independentes e mulheres que foram discriminadas em suas épocas, por causa dos seus pensamentos e suas ideologias. Então, além de me identificar com elas vocalmente, pela voz e pela arte, me identifico também pela personalidade e pelas influências que Elas também tiveram, influências que também são minhas.


Como você enxerga o cenário musical da nossa região atualmente?

O cenário musical Pelotense, ainda o vejo tomado, muito por um público masculino, que eu admiro muito também, pela coragem e pelas obras que eu vejo. Existe também o público feminino, mas eu digo assim, mais na cena artística de rua, como a gente fala, que é em bar, restaurante; eventos particulares é uma exceção, mas assim, bares e restaurantes, o que eu vejo, são poucas mulheres executando essa função no barzinho ou no restaurante, tocar voz, violão, ser mais frente de banda e tal.


Existe, mas eu acho que peca muito nesse quesito. Eu gostaria de ver mais mulheres de frente musicalmente na cena Pelotense, fazendo vários lugares, estabelecimentos, que a gente tem vários estabelecimentos maravilhosos aqui em Pelotas, que precisam dar mais oportunidade às pessoas, inclusive as que estão começando ou recomeçando, como é o meu caso, aí na cena, e que são conhecidas também e têm seus trabalhos nas redes sociais e que podem muito bem complementar esse cenário musical. Então eu percebo que ainda existe muito a falta de mulheres na cena musical em Pelotas e na região também.




E no Brasil, qual sua opinião sobre a atual Música Brasileira?

A minha opinião sobre a atual música brasileira, na verdade ela segue o mesmo ponto de vista que sempre tive. A minha visão da Música Brasileira é que somos muito diversificados. A gente tem diversos ritmos e diversas possibilidades de fazer música. O Brasileiro tem essa criatividade musical muito boa, então junta o Funk com o Pagode, com o Samba, com o Sertanejo e eu acho isso incrível, acho isso maravilhoso. Eu não sou uma pessoa saudosista musicalmente, eu acho que a música é isso, ela é um ciclo, ela vai se reinventando, vai se formando através de outras músicas que já existem. Então a Música Brasileira para mim é uma música vasta de tudo, é uma música vasta de cultura, de todos os lugares possíveis, culturas regionais, sul, leste, oeste, nordeste. Então eu considero muito a música brasileira, acho que é isso, que essa ‘misturança’ que a gente está fazendo é válida.


O que está faltando?

Eu não acho que esteja faltando nada, acho que está faltando as pessoas começarem a se conscientizar de que a nossa música é uma música muito criativa, ela é uma música culturalmente diversificada, ela não é só Rock, ela não é só Pop, ela não é só Sertanejo. A Música Brasileira tem diversas vertentes, tanto das vertentes da MPB, Bossa Nova, e também vertentes internacionais, inclusive óperas, vários compositores antigos, compositores novos também.


Então ela é uma mistura linda que para mim não falta nada, o que falta são as pessoas começarem a abrir mais os ouvidos e entender que a música flui em todos os espaços. Há quem goste, há quem não goste, e que está tudo bem se existem músicas que tu não gosta de ouvir. E está tudo bem colocar um Sertanejo com uma Bossa Nova, está tudo bem mesmo. Cantores como por exemplo, João Gomes e Gilberto Gil, juntos no palco, acho incrível. E o que está faltando são as pessoas abrirem os ouvidos para ter uma experiência mais vasta da Música Brasileira.


Dá pra sobreviver de Música no Brasil?

Se dá para sobreviver de música no Brasil, olha, depende muito, depende do quanto tu vai investir na tua música, porque agora com o marketing e como está tudo muito atualizado, tu precisa anunciar tua música na internet, nas redes sociais, e para isso tu precisa ter um investimento. Eu acho que se tu investe no teu trabalho, tem como sobreviver de música, porque aí as pessoas vão ouvir, vão escutar o teu trabalho, vão fomentar o teu trabalho, e aí sim, tu consegue sobreviver de música.


Nesse meio tempo você mudou, voltou, foi Mãe. Como está sendo essa experiência?

Então eu mudei, morei em Santa Catarina um tempo, passei uns dois anos lá, vivendo uma experiência maravilhosa musicalmente, ao mesmo tempo muito frustrante, porque foi momento de pandemia. Então no começo, quando me mudei, fiquei um tempo longe dos palcos lá e sem conhecer muita gente, conheci alguns amigos, mas não muitos, e logo depois que amenizou um pouco a pandemia, eu consegui trabalhar em alguns lugares, em alguns restaurantes, franquias importantes, como a Coco Bambu, fazia voz e violão, no momento que a gente ainda estava em ‘pós-pandemia’, como a gente dizia, que era aquele momento que já estava amenizando, já tinha as vacinas, as pessoas já estavam vacinadas, mas a música estava ainda voltando.


Voltei para Pelotas, logo que voltei descobri que estava grávida, e queria muito voltar para lá. Na verdade ia ser uma passagem curta em Pelotas, mas aí felizmente eu engravidei da Maria, e acabei ficando para poder ficar perto da minha família que mora aqui, meu pai mora lá, mas a minha mãe mora aqui, e acabei retornando para Pelotas, e está sendo uma experiência nova, cheia de altos, mas também cheia de muitos baixos, e mais uma vez eu estou retornando aos palcos, logo depois também de uma enchente no Rio Grande do Sul, e todo esse cenário caótico que a gente vivenciou, mas está tudo bem, essa experiência está sendo incrível.


Voltando a falar de música, o que você tem ouvido de novo e indica para os nossos ouvintes/leitores?

O que tenho ouvido muito, e tenho colocado muito no meu repertório, são cantoras Brasileiras! O meu repertório nem sempre foi Brasileiro, sempre foi muito internacional, então eu tenho colocado muitas cantoras Brasileiras de diversas idades, diversas gerações, diversas épocas musicais, como Marina Lima, Rita Lee, Cassia Eller, Ana Vitória, Mãe Ana, Liniker, Luedji Luna; todas essas mulheres que me inspiram muito na minha vida. Então eu tenho escutado bastante essas artistas.


Eu vou indicar, puxando um pouco a sardinha para o meu lado e para um rapper local, que é o Mano Rick, a música que eu vou indicar é ‘Teu Corpo Não Mente’.


Como encontrar teu trabalho na Internet? E qual é a tua agenda pra essa segunda quinzena de Outubro?

Por enquanto, não tenho trabalho autoral, independente, na internet, porém nas minhas redes sociais tenho colocado muito cover, muitos vídeos de colaborações de pessoas junto comigo tocando, e as minhas redes sociais, o nome das minhas redes sociais é @virginia.cantora no Instagram, ali tenho tudo certinho.


Agenda

14/10 -20:30 Bar do nenê 

16/10- 21:00 Armazém Do Porto 

18/10 -21:30 Goordas Gourmet / 3:00 - Bar do Bocão




Nós da Aqui de Casa agradecemos a tua disponibilidade de nos encontrar e fazer esse papo acontecer. Deixe seu recado final para a nossa audiência.

Agradeço pelo convite da entrevista e dizer que estou muito feliz de estar por aqui!



por

Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer


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