E Eu Só Queria o Meu Lanche!
Um relato engraçado de um DATE ruim!
Com a entrada da internet em nossas vidas, criamos outras formas de conhecer pessoas, ampliando o leque de possibilidades e diminuído os filtros. Quem é mais velho vai lembrar dos primórdios desse contato como o Chat do Terra e até aplicativos como o ICQ e o MSN. Meu Deus a idade tá pegando! Após vieram as evoluções das agências de matrimônio na forma de aplicativos. O primeiro que me recordo era o Badoo, sim caros amigos, já tive um perfil lá naqueles primórdios, antes de conhecer meu ex-marido. Hoje temos vários, o mais famoso é o Tinder e é dessa belezinha que vou abrir meu coraçãozinho.
Conheci essa maravilha tecnológica através do meu psicólogo. Sim amigos, ele foi utilizado como ferramenta terapêutica para demostrar para essa mocinha que eu não era feia e melhorar a minha mínima autoestima. Naquela época não me achava nada atraente. Montamos o perfil com algumas fotos ‘melhorzinhas’ para ver se eu teria algumas interações. E não é que tive? E lá se passaram alguns anos, já atualizei algumas vezes meu perfil, troquei as fotos. Confesso que as vezes passo muito tempo sem entrar, mas quando estou de bobeira dou uma olhadinha para ver o que tem de novidade nesse grande cardápio.

Lá a gente encontra de tudo: os românticos que querem casar amanhã, os casados escondidos na pele de solteiro, os que estão indecisos saindo de relacionamentos de anos e os solteiros que querem aproveitar os prazeres da vida. Posso confessar que passei por algumas fases dessas. Conheci gente muito bacana para encontros despretensiosos, golpes financeiros, amigos que levo para a vida inteira e até paixonites avassaladoras de algumas semanas. Mas hoje, em especial queria contar um dos encontros mais surpreendentes que eu tive.
Depois de algumas semanas de conversa fui convidada para o tradicional encontro. Geralmente encontro o candidato em lugares públicos, para não correr riscos e ir sozinha até o date. Mas dessa vez mudou um pouco o padrão. Permiti que a criatura me buscasse em casa. E começou o festival de estranhezas. Eis que me chega um gol azul com aqueles aparelhos de som que treme a rua inteira tocando um louvor tão alto que até a Igreja Evangélica pediria para diminuir o som. Nada contra o estilo musical, eu gosto de alguns, mas sou adepta a não evangelização em massa por imposição, enfim.
Fui convidada a ir tomar um suco e comer um lanche. Embarquei naquele veículo abençoado e se deu início à aventura. O moço em questão era péssimo motorista e senti ali que estava correndo perigo real. Não conhecia os caminhos e nem a sinalização. Entrava na contramão, não respeitava quebra-molas e nessas horas comecei as orações. Sobrevivi ao role por milagre e já comecei a traçar meu plano de fuga. Mas estava em uma lancheria que amo e estava com muita fome. Pensei já que estou no andar de baixo porque não saúdo o anfitrião né?

Pedi meu lanche e o suco que mais adoro e ganhei uma consideração bem oportuna da pessoa: “Nossa, pediu o mais caro né?” Com minha paciência escorrendo pelos dedos e cantando meu mantra: Socorro Deus, avisei ao alecrim dourado que não se preocupasse que pagaria por ele e ele soltou mais uma pérola “O seu e o meu, já que eu gastei o carro e a gasolina para que a gente vir até aqui!”. Já tentando manter minha sanidade mental, sentados esperando o bendito lanche, iniciamos a conversa com ele relatando o dia que, acompanhado da sua irmã gêmea foi em uma tradicional pizzaria da cidade e comeram de forma gratuita pelo seu aniversário, nossa que rapaz inteligente!! – Deus, eu não colei chiclete na cruz, juro!!
Mas como a lei do universo atrai, ele fez aquilo que mais odeio em encontros. Por favor, Senhor não falem de cachorros comigo! Principalmente não me peçam diagnóstico nem tratamento. Mas dessa criatura não poderia aguardar nada melhor. Lá se foi um relato de caso com todos aqueles vocabulários que a gente entende e a frase: “O que será que é?”. Já preparando meu discurso que só examinando e já indicando levar ao veterinário. Ele me solta o prêmio Nobel da noite. “A gente não levou ao veterinário, isso é frescura, capaz que gastaria com um cachorro. Fui lá e dei um tiro nele”.
Juro que me segurei para não fazer ele engolir o porta guardanapo. Levante e saí, sem lanche, sem carona e com uma vontade enorme de perder meu réu primário. Depois de 10 minutos recebi uma mensagem da criatura me passando o valor dos lanches e o número do pix. E o desgraçado comeu ainda o meu lanche e tomou meu suco!!!
É, o cardápio dessa vez me enganou feio.

Imagem Internet
por
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
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