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Perspectivas #9: O Tempo das Coisas

[...] É bom não estar pronto, no fim das contas.

Perspectivas #9: O Tempo das Coisas
Imagem Internet/Pixabay

Quarta passada, dia 16/10, o programa "Aqui de Casa Podcast" contou com um tema muito bacana pros pedidos musicais, que foi "Qual música/banda que você não gostava mas que agora você curte?". O resultado disso foi o mais belo e divertido possível, tivemos contato com muitas histórias dos nossos queridos amigos ouvintes sobre bandas e artistas com os quais as relações foram ressignificadas por um ou outro motivo ao longo da vida. A banda que eu escolhi foi Smashing Pumpkins que, embora eu nunca tenha desgostado dela, eu nunca dei a atenção merecida. Ouvir todas aquelas histórias, enquanto ao mesmo tempo me reconectava com as minhas próprias histórias de obras que passei a gostar, me fez refletir mais um pouco sobre mudanças. Parando pra pensar, é muito legal perceber como dá pra tirar reflexões bacanas e profundas de coisas simples. Enfim, aqui vamos nós mais uma vez.



Jimmy Chamberlin,  James Iha e  Billy Corgan

Reunião da formação original do Smashing Pumpkins - Foto: Jason Renaud/Divulgação

Banda fará dois shows no Brasil, em Brasília, em 1/ 11, e em São Paulo, em 3/ 11. 


Tendo a pensar que existe um tempo pras coisas, um tempo muito pessoal pra gente aprontar uma postura interna de abertura para uma conexão com determinadas coisas. Nem sempre isso acontece de uma forma consciente, por vezes a impressão que dá é de que o tempo passa, seguimos vivendo e, eventualmente, parece que chegamos a esse estado através das experiências que tivemos ao longo do nosso caminho. Particularmente, tenho tentado tomar consciência dessas mudanças de atitude em relação às coisas - isso não se trata apenas de relação com música, afinal de contas. No fundo, penso que cabe notar o quanto isso tudo se ampara na noção de que não somos seres prontos, completos, por mais que assim a gente possa vir a se sentir em determinados momentos da vida. Há sempre um espaço em nós, que nunca preenche, que cabe novas experiências e transformações, mudanças de rotas, de sonhos, de sentidos, de postura interna. Não estamos prontos, e isso evoca também a beleza de ser, de existir, de construir a si mesmo.




A vida não é algo lá muito linear. Mudamos e, conforme isso acontece, muda também o que faz e traz sentido pra nós. Hoje talvez eu não esteja aberto a determinadas coisas que talvez em algum momento eu venha a estar. Hoje estou aberto a outras coisas que em outros tempos não estive - como o Smashing Pumpkins, como muitas outras coisas na vida. Talvez me faltasse algo que pudesse me conectar com o que escutei da obra deles, talvez eu tenha descoberto esse “algo” e a conexão, então, se deu. Talvez não seja o tempo sozinho que mude as coisas, talvez ele seja o pano de fundo necessário sobre o qual estamos nós no dia a dia, significando e ressignificando as coisas, desconstruindo e reconstruindo perspectivas a partir do contato com as experiências e com nós mesmos. Pude captar algo assim em algumas das histórias que tive o prazer de escutar no programa daquele dia, a transformação por vezes reside nas sutilezas. É bom não estar pronto, no fim das contas. Vou deixar todo esse pensamento no ar e me recolher, à lá mestre dos magos.


Por aqui a gente segue pensando, sentindo e construindo pontes.



por

Igor Jeske

Psicólogo

Músico

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