Schelen Scherer - Entrevista
Entrevista com a vocalista da Banda de Reggae, Atijo Wá e da Big Band Orquestra da Furg
Nesta semana nosso papo é com Schelen Scherer, vocalista da banda Atijo Wá e cantora da Big Band Orquestra da FURG. Formada em meados de 2020, a Atijo Wá é uma banda da cidade de Rio Grande no Rio Grande do Sul, que mergulha nas raízes do Reggae e fusiona essa energia a elementos genuinamente brasileiros, mas com grande influência do Reggae Jamaicano da década de 70, com nuances de MPB, Jazz, Rock Psicodélico e Blues. Schelen é uma cantora talentosa, forte e que traz a doçura que muitas vezes perdemos na Música Brasileira, sua musicalidade é eclética e faz disso um diferencial na sua performance.
Confira o papo!
Schelen, conta pra gente um pouquinho da tua história, qual sua origem?
Eu me chamo Schelen Scherer de Freitas, tenho 44 anos, sou de Rio Grande, Rio Grande do Sul. Sou bacharel em Serviço Social, estudante de Ciências Sociais na FURG, mãe ativista e ‘feministaça’.
Como começou o teu interesse pela Música?
Bom, o meu interesse pela música começou na infância, eu sempre ouvi muito rádio, e desde pequenininha a gente tinha o hábito lá em casa de ter aquele momento de ir buscar os discos. Além dos meus discos infantis, eu bebia e ouvia todos os discos que se compravam pra casa, que eram de Rock, de Samba, Jovelina Pérola Negra, Almir Guineto, Rolling Stones, Beatles e por aí vai.
Quando surgiu a Schelen cantora e compositora?
A cantora surgiu de uma brincadeira. O período de pandemia foi difícil pra todos nós, então eu descobri um aplicativo de celular de karaokê e quando eu percebi, eu passava as noites inteiras cantando, numa forma de não enlouquecer dentro de casa. Nesse meio tempo conheci pela internet a pessoa que hoje tem o meu coração, que é o baterista da Atijo Wá. E ele disse, eu tenho uma banda que não tem um vocal e tu és uma cantora pronta. Debochei da cara dele, logicamente, porque pra mim era só um brinquedo. E um belo dia a gente inventou de fazer um ensaio e naquele dia tudo começou.
A compositora veio um pouco depois, porque eu sempre tive medo de expressar as coisas que eu tava sentindo e um pouco de vergonha, muita vergonha. Hoje o que eu sou no palco, nossa, olhando pra Schelen do primeiro show, não é a mesma. E a primeira composição que a gente fez se chama ‘Mercado’ e foi uma parceria com o Diego. Depois eu escrevi ‘Desabrocha’, que é meio que uma autobiografia. Enfim, tenho escrito algumas outras coisas e ainda estão pela metade, mas é muito bom a gente se expressar, seja por qualquer forma artística, é sempre maravilhoso.

Quais são as tuas principais referências musicais?
As minhas referências, nossa, elas são gigantes. Eu gosto de Kennedy, eu gosto dos Stones, eu gosto do Guns, eu gosto de Maria Rita, eu gosto de Elis Regina, de Milton Nascimento. Hoje em dia eu bebo muito da vertente da Elis, mas eu curto de tudo um pouco. O Reggae, eu tinha aquela visão bem rasa dele, a Atijo Wá que me fez sentir a necessidade e o prazer de me aprofundar numa vertente do Reggae que eu não conhecia e logicamente que eu me apaixonei.
Como você vê o atual momento da Música Brasileira?
A música brasileira hoje tem uma influência, na verdade sempre teve, de pessoas que têm a necessidade de desvirtuar de determinados assuntos, como os políticos, econômicos. Então uma coisa é a Música Brasileira, no meu ponto de vista, e outra coisa é a música mercadológica. Tem muita coisa legal surgindo, mas muito pouca coisa genuína, coisa que é arte mesmo, que a pessoa está expressando exatamente o que ela quer.
Tem espaço pra todo mundo de verdade? Dá pra viver de Música no Brasil?
A questão do espaço no mundo musical vai muito da pessoa meter o pé mesmo, porque em se tratando de arte, o Brasil não incentiva ninguém a fazer arte. Principalmente aqui, o público de Rio Grande curte muito o cover, e Atijo Wá tem esse diferencial porque que ela “mete goela a baixo” as suas composições. Atualmente a gente tem onze no repertório, junto às versões que a gente faz.
E a aceitação é legal, mas as pessoas nem sabem que são nossas. Isso é uma forma meio triste da gente entender que as pessoas não sabem que aquilo ali é nosso. As pessoas acham que sempre tem que ser algo de uma banda grande, sabe? Mas, de qualquer forma, o prazer nosso em poder mostrar, esse ‘peitaço’ que a gente dá em mostrar nosso som é legal, é muito legal.
Infelizmente, se tu não te encaixa no mercado, não dá pra viver de música no Brasil. A gente faz por amor, por carinho, e tenta expressar a sua criatividade da melhor forma, mas viver de música sem estar encaixotado é impossível.
E a tua paixão pelo Reggae? Como foi formar a Atijo Wá?
O reggae surgiu de uma forma muito bonita na minha vida. Conheci a Bob Marley e algumas bandas brasileiras. Sempre curti, mas de uma forma muito rasa. A imersão que eu fiz quando conheci os guris da Atijo Wá foi sensacional, fenomenal. Eu escuto reggae todos os dias. Todos os dias eu estou buscando uma coisa diferente, uma influência diferente.
A Atijo Wá não se chamava assim, ela se chamava Primal Roots, e os guris já estavam há algum tempo juntos e em busca de uma pessoa pra cantar. Fizeram alguns testes com outras pessoas, não rolou e eles seguiriam como uma banda de Reggae Roots, mas só instrumental. Indo pra aquela linha mais psicodélica e tal, e aí eu surgi na jogada.
Nos tornamos Atijo Wá porque a gente descobriu que já tinha uma outra banda chamada Primal Roots, e Atijo Wá quer dizer “raízes primitivas”, da mesma forma que Primal Roots.
Quando teremos um novo single ou álbum da Banda?
Uma das dificuldades das bandas independentes é com relação aos lançamentos. A gente tem muita coisa fervilhando, mas depende de grana pra tudo, então a gente vai devagar, a gente vai maturando as canções, trabalhando elas até finalizar. Não temos uma data específica para fazer mais algum lançamento. Temos a ‘África na Encruzilhada’ em todas as plataformas, e estamos já na produção de algumas outras, mas ainda sem data de lançamento.

Você também faz parte da Big Band da Furg. Conta pra gente como é essa experiência.
A minha experiência com a Big Band é uma coisa fenomenal! A Big Band é uma Banda Orquestra, que é um projeto de extensão da Universidade Federal do Rio Grande, que já tem mais de 15 anos, e no ano retrasado eles implementaram as vozes. Éramos três meninas fazendo backing vocals em alguns momentos, e eu e uma outra menina, como solistas. Frente a Big Band eu tive a oportunidade de cantar Elis Regina num palco lindo, com uma orquestra atrás de mim, pela primeira vez. Foi incrível! Também cantei The Police, Starway to Heaven do Led Zeppelin, e uma gama enorme, um prazer e uma resposta gigantesca.

Schelen, como podemos encontrar tua voz na Internet?
Encontrar minha voz na internet é bem fácil, inclusive, porque depois que eu perdi toda a timidez, eu boto vídeos no Instagram, cantando. Eu tenho um canalzinho no YouTube, muito modesto, mas tenho. Tenho as redes sociais da Atijo Wá, Facebook, Instagram, e no Spotify e todas as outras plataformas de streaming, a gente tem Atijo Wá com a música ‘África na Encruzilhada’.
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Cara, eu só tenho a agradecer, porque a Aqui de Casa Web Rádio, foi a nossa porta de entrada nas rádios. Apesar de a gente ter mandado nosso som para muitas, a Aqui de Casa nos abraçou com carinho imenso. Eu fico feliz para caramba de uma rádio nossa, aqui do Sul, ter esse alcance legal e fazer uma programação tão rica. E, além disso, que promove artistas daqui, promove pessoas que estão na batalha, como Atijo Wá, como eu, como cantora. Também tenho um projeto de voz e guitarra com o Diego Dias, e a gente está aí na luta, e é mágico.
A primeira vez que eu ouvi a ‘África na Encruzilhada’ na Aqui de Casa a Web Rádio, eu chorei! Muito, muito, muito obrigada Aqui de Casa Web Rádio, Jeff, toda a galera aí. Valeu, valeu demais. Obrigadão.
por
Jeff Soares

Músico, Locutor
Jornalista, Web Designer
Comentários (2)
🔥 Baita representação!
1 ano atrásAmo música 🎶 Encantada com essa banda rio-grandense e essa rádio TOP
1 ano atrás