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Como Você Se Comporta em Velórios?

Um relato quase bem humorado da despedida do meu Pai!

Como Você Se Comporta em Velórios?
Imagem Internet

No dia 02 de novembro, na maior parte dos países ocidentais, ocorre um dos mais importantes ritos religiosos da tradição Cristã Católica, o Dia de Finados. De acordo com a Igreja Católica, a alma da maioria dos mortos está no purgatório passando por um processo de purificação. Por essa razão, a alma necessita de orações dos vivos para que intercedam junto a Deus pelo sofrimento que as aflige. Nesse contexto, o Dia de Finados era conhecido na Idade Média como “Dia de todas as Almas”, dia esse que sucedia o “Dia de todos os Santos” (comemorado no dia 1º de novembro)."




Confesso a minha controvérsia ao processo de preparação e celebração da data, principalmente a limpeza e manutenção nos locais da última morada. Como espírita acredito que ali está somente a matéria, mas entendo que se trata de uma forma de homenagens a aqueles que já fizeram a passagem.


Outro rito que me não deixa nenhum pouco à vontade são os velórios. Bem, vocês vão me dizer que ninguém fica à vontade nessa hora. Mas saindo totalmente da caixinha, vocês já analisaram toda a cena? Eis que em um dos momentos, onde você está tentando entender o que aconteceu e aceitar a mais difícil despedida, você é jogado dentro de uma sala, somente na presença da matéria inanimada de quem você ama e tendo que receber dezenas de pessoas por tempo determinado e que ainda esperam qualquer tipo de interação. Louco né?




Já presenciei e vivi intensamente alguns. O mais sem noção realmente foi o velório do meu Pai. Não poderia ser diferente pelo que ele representava em vida, uma pessoa extremamente popular e divertida. Sua doença foi galopante e em poucos dias do diagnóstico o perdemos. Nossa família estava bem ciente do processo, e a pedido dele, ficamos todos juntos até a hora do seu adeus. Foram longos dias e intensas horas finais. E foi no final da noite que nos encontramos para seu último evento social. Desculpe pelo tom de bom humor, não saberia falar sobre ele sem ser de forma leve e divertida. Não demorou muito para que se lotasse o local escolhido. Muitos amigos compareceram para prestar seu último adeus, o que é lindo, mas tem coisas que foram bizarras.


A primeira que achei muito estranha foi a utilização da rede social para divulgarem suas localizações e ainda marcar a família. Pois é, só eu que acho meio mórbido? Outra coisa que me deixou incomodada, foi o questionamento aos familiares de como aconteceu seus momentos finais. E eu como acompanhei tudo, fui à vítima predileta. Não vou lembrar quantas pessoas que chegaram e me perguntaram. "Mas me diga como aconteceu? Ele sofreu muito?". Ao final já estava respondendo somente: “Ele morreu!”.


Outro desconforto é a ladainha de conselhos fornecidos para os familiares. Agora você tem que ser forte para cuidar da sua Mãe. Juro que eu ficava pensando em como minha família estava e ficava incrédula. Minha Mãe tem uma força maior que eu e meus irmãos juntos. Se todos soubessem o que é a garra da baixinha! Uma das cenas que mais me marcou foi quando uma vizinha do século passado (acho que a última vez que eu a vi, teria uns 4 anos) parou na minha frente, segurou minha mão (autista odeia toques de estranhos) e soltou um – "Você lembra de mim?". Tentando ser bem-educada, pedi desculpas e disse o sonoro "não" e ela ficou, mais ou menos uns dez minutos tentando me fazer lembrar dela. Senhor! A mesma se ajoelhou na frente do caixão aos prantos e gritava, não acredito meu amigo que você se foi. Coisa sinistra.




Claro que teve momentos engraçados. Quando o afilhado dos meus Pais tentou lembrar de alguma coisa que o Pai sempre dizia e saiu um – Vai para p... que te pariu (é o Pai usava essa direto, lembre que expliquei acima). Rimos e lembramos de momentos muito engraçados dele. Ele era assim, e é o que combinamos de lembrar sempre. Outro momento de destaque foi quando um amigo distante entrou porta a dentro da sala fúnebre e derrubou 3 coroas de flores em cima do caixão. Ai agradeci pela grande presença de pessoas na hora do socorro. É foram horas surreais.


De todo esse processo, tirei uma conclusão. Um manual de etiquetas de velórios e despedidas fúnebres é necessário. Entendi que para família é cansativo e estressante. Então, se não sou um dos organizadores do ato, já saio de casa munida de informações do que aconteceu e de como aconteceu. Não fico mais do que 15 minutos nesses ambientes, abraço quem eu conheço para dar aquela força, aperto a mão dos familiares que estão presentes e só comento ou respondo aquilo que me perguntarem.


Nunca uso frases comuns como, como "você tem que ser forte por fulano", cada um tem que saber seu papel e saber o que está sentindo. Então entro muda e tento sair mais calada possível. E uma dica importante: Nunca tome bebidas alcoólicas antes de ir a esses locais o risco de desastre se torna real.



por Edna Loreto

Médica Veterinária

Colunista

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