Trabalho, Burnout e “hora bunda”
Que a gente precisa trabalhar para viver, a gente já sabe!!
Não é novidade pra ninguém que quando a fase adulta chega (e para muitos ainda começa na infância), é chegada a hora de começar a trabalhar! Ouvimos, constantemente, que o trabalho enobrece, que é a via que nos garante uma vida melhor, com mais dignidade e qualidade de vida. O trabalho não é apenas uma questão de realização pessoal ou profissional, mas uma necessidade para garantir o sustento.
A renda familiar depende da capacidade de cada membro de contribuir financeiramente, seja por meio de trabalho formal, autônomo ou outras formas. No entanto, a pressão para manter esse fluxo de renda pode levar a jornadas de trabalho excessivas, inclusive com atuação em vários empregos. No entanto, essa relação pode gerar diversos desafios, especialmente quando há sobrecarga de trabalho, como no caso da Síndrome de Burnout, que tem se tornado cada vez mais comum.
A síndrome de Burnout é um distúrbio emocional relacionado ao estresse crônico no trabalho, caracterizado por exaustão extrema, cinismo em relação ao trabalho e uma sensação de ineficácia. Ela é frequentemente causada por sobrecarga de tarefas, falta de controle sobre as atividades e expectativas irrealistas no ambiente de trabalho. A pressão para cumprir horas extras ou atingir metas muitas vezes contribui para o desenvolvimento dessa condição.

O excesso de horas trabalhadas pode ser resultado de uma cultura corporativa que valoriza a produtividade a qualquer custo. Em muitas empresas, há uma expectativa implícita de que os trabalhadores cumpram mais horas do que aquelas previstas em seus contratos, muitas vezes sem o devido reconhecimento ou compensação. Isso pode agravar a saúde mental e física dos empregados, além de expor seus colaboradores à Síndrome de Burnout.
As leis trabalhistas existem para proteger os direitos dos trabalhadores e garantir que eles tenham condições dignas de trabalho. No Brasil, por exemplo, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece limites para a jornada de trabalho (normalmente 44 horas semanais), define os intervalos para descanso e alimentação e regula o pagamento de horas extras, que devem ser remuneradas com um adicional de no mínimo 50%.
Ainda assim, a pressão no ambiente de trabalho, a escolha dos processos executivos, o cumprimento das atividades, muitas vezes com o colaborador já adoecido, só piora a situação do trabalhador. Não são poucas às vezes que ouvimos que “é mimimi”, “se não quer trabalhar, tem fila de gente esperando”, “dá vaga para outro”!! Quando a realidade, é outra! Não há tempo para autocuidado, não há tempo para brincar com um filho, não há tempo para admirar um pôr-do-sol, escutar uma boa música!! Tudo se resume a trabalhar, trabalhar e trabalhar!

E tem um fator que piora todo este quadro, é o “hora bunda”! Te explico: é quando tu já concluíste tuas tarefas, mas não podes ir embora por quê tens que cumprir a tal carga horária! Essa é pra acabar de vez! Tu já fizeste aquele relatório, já desenvolveu uma planilha que vai facilitar o processo de trabalho, mas ainda faltam 30 minutos pra fechar teu horário e tu não pode sair antes porque senão será descontado do teu salário!
Pelo bem da nossa saúde física e mental, estas leis precisam ser revistas, discutidas e principalmente, acolhidas pela classe patronal.
E tu, tá vivendo ou só trabalhando???
por Fernanda Lessa

Graduada em Pedagogia
MBA em Gestão Pública
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