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Perspectivas #11 - Gentileza

Porque a gente nunca sabe qual a extensão das nossas ações na vida de outra pessoa.

Perspectivas #11 - Gentileza
Imagem Internet

Fiquei surpreso quando soube que dia 13 de novembro é comemorado o Dia Mundial da Gentileza, até então eu não sabia daquela data. Ter um dia especial pra gente refletir sobre algo tão nobre é muito bacana. Tenho conversado com o meu terapeuta sobre a extensão das nossas ações na vida de outras pessoas, algo super difícil de se calcular com precisão. A gente nunca sabe exatamente o que as nossas ações vão gerar na vida do outro, e por vezes coisas surpreendentes acontecem a partir de um gesto simples - como um pequeno gesto gentil. Coisas bonitas moram na sutileza.


Estamos inseridos em uma cultura que traz com ela uma veia individualista bastante forte, que nos ensina que “as minhas necessidades devem estar sempre à frente de quaisquer outras”. Bom, é claro que há uma diferença entre o egocentrismo e a legitimação das próprias vontades, necessidades e limites, e é importante visualizarmos bem essa fronteira entre uma coisa e outra - até para que a gente não confunda as coisas e se deixe completamente de lado tentando fazer o bem. Dizer uns “nãos” em nome do próprio bem-estar é importante em certos contextos. Mas saber olhar pro outro e reconhecer suas necessidades, desejos e limites também é absolutamente importante pros nossos relacionamentos. E a gentileza nos pede isso: que a gente se deixe de lado por um breve momento e vire os olhos pro outro.




Ser gentil me parece ser algo que vem de uma disposição interna, que nos leva a determinados comportamentos que expressam essa disposição. Fazer um elogio de forma genuína, por exemplo. Como é bacana quando a gente observa uma característica legal de alguém e aponta isso para ela com gentileza! Mas isso parece vir de dentro, dessa disposição interna para olhar o outro e reconhecer suas qualidades. Então elogiamos, o que expressa essa gentileza. E o que isso gera? Difícil saber exatamente, já que é complicado sabermos a extensão das nossas ações, mas, por que não tentar? De novo, coisas bonitas moram na sutileza – e são vizinhas das transformações, que também têm casa lá. E gentileza pode gerar mais gentileza.


Há uma variedade enorme de comportamentos que, junto dessa disposição interna, demonstram a gentileza. E há diversas possibilidades no dia a dia, momento a momento, de virar nossos olhos para fora e agir de forma gentil – em casa, na rua, no trabalho, ao solicitar os serviços de alguém, com uma pessoa totalmente desconhecida. Já tentou elogiar ou ajudar uma pessoa desconhecida ao acaso? Sem esperar nada em troca, só fazer algo gentil por fazer, gentileza pela gentileza. Se não, sugiro tentar com algo simples, como desejar um bom trabalho pro atendente, com um sorriso sincero no rosto.


Geralmente os atos de gentileza não nos custam muita coisa, então por que não exercitar essa nobre arte? Acho que vale a pena pensar sobre isso. E agir. Por aqui, a gente segue pintando perspectivas.



por Igor Jeske

Psicólogo

Músico

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