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A Falta do Protagonismo Negro no Rock

Uma Análise da História e Impactos Culturais

A Falta do Protagonismo Negro no Rock
Foto Divulgação: Black Pantera, banda brasileira negra de Rock n' Roll

Sei que vou mexer em vespeiro, mas isso faz parte da profissão, mas nesse papo, eu tenho lugar de fala, não só como negro, mas como músico e principalmente como um cantor de Rock. Podem dizer que é 'mimimi', não me importa, essa é uma realidade que racistas terão de engolir.


O Rock é um gênero musical que, ao longo das décadas, se consolidou como uma das principais expressões culturais do século XX e início do XXI. Contudo, sua história e marcada por uma contradição significativa: a sub-representação de Artistas Negros em um gênero que teve suas raízes em ritmos como Blues, Jazz e Gospel, todos profundamente enraizados nas experiências Afro-americanas. Esta matéria busca refletir não somente à falta de protagonismo, mas suas causas, consequências e a necessidade urgente de uma maior inclusão.



Chuck Berry


As Raízes do Rock e a Influência da Música Negra

Sendo associado ao longo das décadas a artistas brancos, o Rock e suas origens estão totalmente ligados à tradição musical Afro-americana. O Blues, para começar como exemplo, foi desenvolvido por músicos negros do sul dos Estados Unidos, trazendo temas muito conhecidos da negritude, a dor, a discriminação, a luta e a resistência – elementos que se tornaram fundamentais à história do Rock.


Artistas como Chuck Berry, Little Richard e também B.B King, foram pioneiros do Rock na década de 1950, mas, enquanto suas contribuições são inegáveis, eles não receberam a mesma visibilidade ou sucesso comercial de muitos músicos brancos que posteriormente dominaram as paradas. Grupos como Rolling Stones e Led Zeppelin não apenas beberam na fonte de artistas negros como Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Willie Dixon, mas muitas reinterpretaram suas criações, sem lhes dar o devido reconhecimento.


Um dos casos mais conhecidos é da clássica “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin, baseada em “You Need Love” de Muddy Water, com letra escrita por Willie Dixon. Dixon processou a banda, que perdeu o caso e teve lhe pagar uma considerável quantia por plágio e inserir Dixon como um dos compositores da canção.


Mas Quem Inventou o Rock?

O Rock meus amigos, surgiu através de uma mulher preta revolucionária conhecida como Sister Rosetta Tharpe! O termo “Rock n’ Roll” surgiu pela primeira na revista Billboard por causa dela. Foi usada para descrever as gravações animadas de Rosetta Tharpe, como a música “Rock Me”. Importante salientar que o a expressão “Rocking” já era usada pelos cantores negros do Golpel no sul dos Estados Unidos para se referirem a uma sensação de transe ou êxtase espiritual.


Voltando a Rosetta Tharpe, ela começou o Rock n’ Roll em 1938, época de grande segregação racial entre negros e brancos, mas isso não a intimidou, misturando as letras do universo Gospel ao som do violão elétrico com o ritmo ainda desconhecido a época, ela influenciou grandes nomes do Rock que vieram na sequência, como Chuck Berry e Elvis. Mas com o passar dos anos sua influência foi apagada para dar espaço aos homens, principalmente os brancos.



Sister Rosetta Tharpe


O Racismo e a Indústria Musical

Nos Anos 50, fundada em Chicago, pelo imigrante judeu vindo da Polônia “Leonard Chess”, a Chess Records foi a primeira gravadora a apostar na música negra que vinha do sul dos Estados Unidos. Lá foi a consolidação do início do Rock n’ Roll.


Possuindo Willie Dixon como principal compositor, nomes como Muddy Waters, Little Walter, Howlin’ Wolf, Sonny Boy Williamson, John Lee Hooker, Buddy Guy, Chuck Berry, Bo Diddley, Etta James e Koko Taylor, surgiram lá. A história da Chess Records foi ao cinema no filme recomendadíssimo, chamado Cadillac Records. Vale cada minuto!


Contudo, vivendo o seu auge nos anos 60 e 70, Rock como estilo musical, enfrentava dentro da própria industria musical o racismo que marginalizava e excluía músicos negros. Embora houvesse a ascensão de Jimi Hendrix e Sly and The Family Stone, grande maioria permaneceu praticamente invisível. O sucesso de Hendrix, por exemplo, foi muitas vezes relacionado a sua imagem única e constantemente inovadora, que se destacava em um cenário predominado por artistas brancos.


Nos anos 80, somente Tina Turner, despontava como uma artista de Rock. Em seu documentário, “Tina” da HBO de 2021, Tina Turner fala abertamente, sobre o preconceito que viveu com a indústria. Tina ainda diz que seu maior sonho era ser reconhecida como a primeira “mulher preta” do Rock a lotar estádios, e assim o fez, tornou-se a Rainha do Rock e maior artista comercial do gênero naquela década.


A falta de divulgação e apoio para os artistas negros dentro da indústria não foi só um reflexo do racismo, mas uma consequência de como a música passou a ser consumida e promovida pelos meios de comunicação, que priorizavam os artistas brancos, relegando os músicos negros a nichos ou segmentos considerados inferiores.



Tina Turner


Efeito da Exclusão: Consequências Culturais


A ausência do protagonismo NEGRO no Rock não é apenas uma questão de representação artística, mas um reflexo das estruturas de poder, leia-se “branquitude” que molda a Cultura. Essa exclusão, efeito do racismo, significa que as narrativas sobre o Rock e suas origens, são contadas de uma perspectiva limitada, onde a riqueza das influências da Cultura NEGRA é ofuscada pelo glamour e sucesso dedicados aos artistas brancos. Atualmente, movimentos que continuam a lutar pela inclusão, justiça e igualdade, já que o preconceito continua, trazem à tona a necessidade de rever a representação do Rock.


O Presente e o Futuro: Pequenos Avanços e Desafios

Com os constantes questionamentos, o Rock começou a ter uma pequena abertura, artistas como Lenny Kravitz, Gary Clark Jr, Moonlight Benjamin tem ganhado destaque na mídia, trazendo novas influências e revitalizando a representatividade. No entanto, a luta pelo reconhecimento da Cultura Negra dentro do estilo, está muito longe de ser alcançada.


A indústria musical precisa de uma transformação que vá além da presença ocasional de músicos negros, mas possuindo um compromisso real com a igualdade e a justiça racial. Além disso, é vital que novas gerações de músicos negros sintam-se encorajados a se envolver na cena Rock.


Por fim, o maior desafio de todos é educar os ouvintes do gênero, parar com as falas equivocadas e racistas, pois muita gente o consome, mas uma minoria entende sua profundidade cultural. Reconhecer que existe um desequilibro histórico é primordial não apenas para a justiça racial, mas para a evolução e permanência do Rock n’ Roll nos holofotes, mas dessa vez destinado a todos, sem discriminação. 


O caminho é longo, exige um esforço coletivo, para garantir que sua história e legado, não sejam mais uma vez manchados pelo racismo. O Rock tem o potencial de ser um espaço inclusivo, onde todas as vozes têm a chance de brilhar.



Moonlight Benjamin


Artistas Negros Que Você Deveria Conhecer

Além dos já citados acima, aqui vai uma pequena lista de nomes negros do cenário Rock!


Living Colour

Black Pumas

Black Pantera

Inocentes

Fishbone

Black Merda

Death

Bad Brains


Divirtam-se!



por Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer

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