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A HIstória Negra Passando Entre Gerações

[...] Nossas crianças são reflexo daquilo que somos...

A HIstória Negra Passando Entre Gerações
Arquivo Pessoal

Em mais uma experiência dessa que vos escreve, hoje pude ver não só a minha, mas a história do povo negro sendo passada para nossas crianças, tive o prazer de ser convidada pela Coordenadora pedagógica do Colégio Intelectos Renata Guimarães a palestrar e trocar um papo bem legal com as crianças dos 1°, 2°, 3°, 4° e algumas dos 5°anos, e fiquei encantada ao ver pequenos olhos negros brilhando ao serem representados ali.


Num bate papo bem animado trocamos ali conhecimentos, e reiteramos junto com eles a necessidade do respeito em todos os âmbitos; e sim, me animou ver crianças tão pequenas se mostrando, compreendendo a luta do povo negro e reafirmando que ser negro além de ser lindo é ser resistência.




Passamos a manhã tirando as dúvidas, desde as mais simples até as mais elaboradas, e incrivelmente bem elaboradas principalmente pelas crianças do 3° ano. Contamos a história do nosso povo e de como chegamos até aqui, de como reis e rainhas, príncipes e princesas dos reinos africanos foram sequestrados de suas terras natais, para servir de mão de obra sem remuneração. Além de dar exemplos de como o racismo e todas as suas variantes podem ser prejudiciais, ainda tive a oportunidade de ouvir relatos como esses:


"-Essa aqui é a Maria Júllia de 7 anos. Maria Júllia é neta do Vovô do Ilê (fundador do bloco afro Ilê Aiyê), sobrinha de Sullivan Bispo (comediante baiano) e vai contar pra gente um pouquinho da importância de ser preta.


- Eu gosto de ser negra por causa que eu já sofri racismo com meu coleguinha. Ele chamou eu e meu outro amigo de macaco e macaco feio que chupa manga. Mas ser negra não tem nada a ver com a nossa vida. A gente não pode sofrer racismo. Eu quero respeito com a minha cor. Quero respeito!”


"-Me diga aí, bonita, como é o seu nome?

-Yasmin Tayla.

- Muito bonito o seu nome. Conta pra mim, o que você acha do feriado da Consciência Negra?

-Muito bom, divertido. Pode ter algumas coisas na cidade, algumas festas também. E, por exemplo, na minha quadrilha também, que eu danço quadrilha, vai ter um desfile do Ilê. Aí eu vou usar a mesma roupa que eu trouxe.

-Ela tá linda com a roupa do Ilê. E conta pra mim, como é pra você ser uma menina negra? -Muito bom também, ter essa pele linda, maravilhosa.

-É maravilhosa a nossa pele. Muito obrigada, Tayla."


"-Bom dia. Me chamo Maria Clara e pra mim a importância da pele negra e de celebrar esse dia é muito importante, pois relembra as forças dessas mulheres que sofreram muito no passado e hoje em dia também com essa discriminação. E também pode relembrar Zumbi dos Palmares que foi muito importante pra gente. Uma figura muito importante.


-Uma figura quilombola muito importante pra gente, porque ela ajudou na nossa libertação, não é isso? Muito bem, muito obrigada, princesa."


E assim fiquei de coração quentinho, com a sensação de mais um dever cumprido, ficando com a pureza e alegria das crianças que mesmo com a pouca idade, já sabem o quão importante é essa luta negra para igualdade social, além de ver a resistência e resiliência habitando dentro de cada um. Nossas crianças são reflexo daquilo que somos, somos seus espelhos e devemos sim trabalhar para proporcionar a eles um mundo bem mais bonito que esse que temos hoje!



por Ninha Sousa

Auxiliar de Necrópsia

Apresentadora

Locutora

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