Biblioteca Feminista Griô Sirley Amaro
Um bate papo sobre a super iniciativa da Usina Feminista e em conjunto com o Centro de Desenvolvimento do Bairro Dunas em Pelotas!
Para começarmos esse papo, vamos falar um pouco sobre a ilustre, Mestra Griô Sirley Amaro, que nasceu em Pelotas em 12 de Janeiro de 1936, uma capricorniana nata, mulher visionária, que mudou a concepção da arte e da cultura negra na região sul do Estado do Rio Grande do Sul. Filha de um cozinheiro amante de carnaval e de uma mãe que lhe ensinou as práticas ancestrais com o uso das ervas, cresceu e viveu com notoriedade os ensinamentos passados de geração em geração. Foi figura importante para o carnaval pelotense e muita gente aprendeu a costurar através de suas aulas, principalmente no espaço, Casa de Meninas de Pelotas.
Sua trajetória como Mestra Griô teve início em 2007, quando foi reconhecida pelo Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura. Como Mestra passou a ministrar oficinas de contação de histórias e narração de vivências que a tornaram conhecida e reconhecida em âmbito nacional. Em 2013, recebeu o Prêmio Culturas Populares, 100 anos de Mazzaropi, em 2017, a Biblioteca Comunitária do Quilombo do Sopapo, em Porto Alegre, foi rebatizada levando seu nome. Em 2019 recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Pelotas, sendo a primeira Mulher Negra a receber a honraria na história da UFPEL. E para celebrar o seu legado, no dia 20 de Novembro, dia da Consciência Negra, acontece a Marcha Griô Sirley Amaro, um evento que reúne a comunidade em uma manifestação cheia de alegria, ancestralidade e luta, dedicado à sua memória.

Dona Sirley Amaro (Foto: Internet)
Criada pela Ong Usina Feminista, a Biblioteca Feminista Griô Sirley Amaro é um braço ativo de que grupo que acredita na disponibilidade de acesso a Cultura e Educação, como parte essencial paras as mudanças necessárias para se chegar a um Brasil mais justo. O grupo trabalha com um ateliê de costura, reciclando o lixo têxtil em arte, e tem como foco, profissionalizar mulheres em situação de vulnerabilidade, através de oficinas e cursos na área da moda.
A Biblioteca está arrecadando doações de livros para disponibilizar em seu acervo. Livros de autoras feministas como Simone De Beauvoir, Grada Kilomba, Bell Hooks, Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus são muito bem-vindos! Também livros de literatura Infantil, literatura Negra, incluindo Livros que tratem de Religiões de Matriz Africana ou Afro-Brasileira, literatura para o Enem e autoras Pelotenses. Além de doar, você pode ajudar a coordenação a comprar títulos essenciais para o Projeto!

Estante da Biblioteca (Imagem extraída de vídeo/Daniela Xu)
Confira o papo que tivemos pela internet, com Bruna Moreira e Roberta Silva, duas integrantes da Usina, que ainda conta com Joana ‘doida da Espanha’, Ana Langone e Daniela Xu.
Como surgiu a Biblioteca Feminista Griô Sirley Amaro?
Bruna Moreira - A Biblioteca Feminista Mestre Griô Sirley Amaro, surgiu de uma vontade da Usina Feminista junto ao CDD (Centro de Desenvolvimento do Loteamento Dunas), que era entender a potencialidade do lugar para receber um espaço de formação, mais um, voltado para mulheres e crianças. As usineiras têm uma relação com a dona Sirley Amaro, que é em vida e segue sendo, guia de nossos princípios de fazer arte, promover formação com arte e fazer isso com amor, com alegria, e entendemos que investir energia na formação de mulheres e de crianças é da extrema importância em um bairro como o Dunas, que é um grande celeiro cultural também. A biblioteca foi viabilizada através do edital Fundo Sicredi Interestados RS/ES. Ela se materializou no espaço do CDD em 2021, inaugurada no dia 20 de novembro.

Pode nos falar um pouco sobre a sua atuação na Biblioteca?
Roberta Silva - Minha atuação na Biblioteca é na parte organizacional como por exemplo: catalogação do acervo, tanto no app biblivre, quanto livro tombo, cadastramento de usuários. Sou graduanda em Letras português - francês na UFPel. Acredito que uma pessoa bem informada pode causar uma rachadura nesse sistema que não colabora com a educação. Normalizando o contato com os livros, com a leitura, com a informação e principalmente desenvolver o senso crítico, e fazer com que nossa comunidade compreenda que a única forma de mudar a vida é através da cultura e educação, e que sim, a periferia pode e deve ocupar espaços como o IFSUL e a UFPEL.
Qual a relação deste ponto de Cultura com as demais Instituições Comunitárias?
Bruna Moreira - A Biblioteca não é um ponto de cultura exatamente, ela é um braço da atuação da Usina Feminista no espaço do CDD e ela tem o objetivo de atender a comunidade de lá, então a relação direta é com o CDD, com os coletivos ali presentes, mas a atuação e a busca pelo público será feita pela usina feminista inicialmente e pretendemos que sejam feitos também vínculos institucionais no sentido de vincular projetos da Universidade, além de ações culturais, tendo a Biblioteca como um centro da formação usineira também ali no CDD.
Então a ideia é que rolem rodas de conversas, ciclos de leitura, já aconteceu Oficina de Crochê na Biblioteca, através de um outro projeto da usina feminista, mas não se consolida como um ponto de cultura oficialmente, no sentido da política pública, e sim como um projeto que a Usina lança semente no CDD para que também tenha uma atuação e proposições por parte da comunidade, de instituições, de outros agentes, além da Usina, propondo nesse espaço. Então, nesse sentido, a gente é uma mediadora, somos mediadoras desse espaço, somos responsáveis pelo acervo, pelo cadastro dos livros no momento, mas é um espaço que nos interessa que a comunidade também se aproprie, propondo ações que as instituições de ensino e outras também possam sentir que é um espaço possível no bairro para ações formativas.

Usina Feminista (Foto: Daniela Xu)
Quais são as ações efetivas desse espaço para com a comunidade?
Bruna Moreira - Nesse momento, a Biblioteca foi sede de atividades como oficinas da Usina Feminista e ela será ativada de fato a partir do cadastramento de usuários, que é o momento onde nós nos encontramos. Através do projeto Ativações Feministas no bairro Dumas, foi possível efetuar a compra de acervo, pagamento de equipe e compra de materiais para que a Biblioteca realmente passe a ser um espaço vivo. Então, estamos no momento de cadastramento de livro e, logo, cadastramento de usuários para que as pessoas possam retirar livros, ler na biblioteca, que também é uma brinquedoteca e assim ela se torne um lugar familiar para as pessoas do bairro.
Então é importante frisar que nesse momento, a gente está trabalhando para que a biblioteca aconteça, tivemos uma interrupção de trabalhos em função da enchente, e agora a gente está finalizando a preparação do espaço para a adesão do público. É um momento de abertura para doação de livros, momento de abertura para a proposição de ações de pessoas e instituições de fora também.
Atualmente vocês estão em campanha de arrecadação de Livros, explique para a gente como funciona essa campanha, quem pode doar e o que pode ser doado para a Biblioteca.
Roberta Silva - Queremos que a Biblioteca Griô Sirley Amaro seja uma referência no território de Pelotas e convidamos a quem tiver interesse em doar livros, e brinquedos para brinquedoteca, chame alguma das representantes da Usina ou da coordenação do CDD, para ter acesso à lista de livros. Tanto pelo Instagram ou direto no prédio do CDD.
Onde a comunidade pode encontrar a Biblioteca Griô Sirley Amaro? Quais os contatos?
Fica situada na rua Ulysses Guimarães 2057 - Bairro Dunas.
Instagram:
Usina Feministas - @usinafeminista
CDD - @cdd_dunas
Roberta Silva - @robertatasilva
Nós agradecemos a oportunidade de conhecer esse lindo trabalho e estamos de portas abertas para divulgação de qualquer atividade da Biblioteca!
por Jeff Soares

Músico, Locutor
Jornalista, Web Designer
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