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A Fazenda Trans: Um Show de Xenofobia, Racismo, Gordofobia e Transfobia

Um reality mal feito e desnecessário para a Comunidade LGBTQIA+!

A Fazenda Trans: Um Show de Xenofobia, Racismo, Gordofobia e Transfobia
Imagem Instagram

Nos últimos anos, os reality shows se tornaram um dos principais fenômenos de entretenimento na televisão brasileira, (já falamos sobre eles por aqui) atraindo milhões de espectadores. Entre os mais famosos está o Big Brother e A Fazenda, onde personalidades diversas se reúnem para conviver sob um mesmo teto, revelando suas dinâmicas sócias e frequentemente, suas controvérsias.


No entanto, nos últimos anos, as próprias subcelebridades ou influenciadores buscam produzir seus próprios realitys, causando polêmica e trazendo reflexões muito sérias sobre o comportamento humano. A Fazenda Trans é um exemplo disso. Realizado pela digital influencer Maria Eduarda, mais conhecida como Loma de Fortal, o reality foi uma tentativa independente de incluir pessoas Trans e promover uma discussão mais ampla sobre a diversidade, mas acabou se tornando palco de uma exposição desnecessária, cheia de preconceitos enraizados na sociedade que promove o preconceito contra a comunidade LGBTQIA+


"A Fazenda Trans" surgiu em um momento em que o movimento LGBTQIA+ ganha cada vez mais visibilidade e exigia maior representatividade na mídia. A presença de participantes Trans em um reality show era vista como um avanço nas redes sociais. No entanto, a expectativa de que esse espaço pudesse promover a inclusão e a aceitação foi rapidamente desafiada por comportamentos de xenofobia, racismo, etarismo, machismo, gordofobia e transfobia entre as próprias participantes e a produção.




Xenofobia 

Desde o início do programa, a xenofobia se manifestou em várias formas. Comentários maldosos sobre a origem e a cultura de alguns participantes foram frequentes, revelando um preconceito arraigado que ainda permeia a sociedade brasileira. Essa xenofobia não apenas desumaniza as participantes, como também perpetua estereótipos negativos que afetam a percepção pública sobre diferentes culturas.


Racismo

O racismo também foi um tema recorrente durante as interações no programa. Participantes afirmaram que atitudes racistas contra as Trans Negras aconteceram, exacerbando tensões e criando um ambiente hostil. O racismo estrutural que possui raízes profundas na sociedade brasileira foi exposto de forma crua, e as reações do público nas redes sociais refletiram um descontentamento com esse tipo de comportamento.


Gordofobia

A gordofobia foi outra questão alarmante na dinâmica da Fazenda Trans. As participantes frequentemente faziam piadas e comentários negativos sobre o corpo das outras, ressaltando um padrão de beleza irreal que marginaliza aqueles que não se encaixam nesse perfil. Essa gentrificação da estética imposta pelos padrões da mídia contribui para a insegurança e a saúde mental das participantes que lutam contra a aceitação do próprio corpo.


Agressões

A violência física foi algo constante durante o reality, dificilmente algum vídeo postado nas redes sociais, não traz cenas deprimentes de agressões entre as participantes Trans. Inclusive houveram momentos de muita tensão, com rosto machucado, sangue e ameaças.


Transfobia

Talvez o aspecto mais doloroso da Fazenda Trans tenha sido a transfobia, que veio à tona tanto entre os participantes quanto nas interações com produção. Se de um lado o programa pretendia ser um espaço de inclusão, de outro ele revelou como os preconceitos ainda estão profundamente enraizados na cultura. Participantes viveram momentos de exclusão e desrespeito, ilustrando a necessidade de reflexão sobre o tema.


Reações do Público

As reações do público nas redes sociais foram intensas. Muitos espectadores expressaram sua indignação em relação ao comportamento discriminatório observado no programa, criando uma onda de apoio e solidariedade para com as participantes marginalizados, outra parcela do público diz que foi puro entretenimento. A mídia em geral não passou nem perto de observar as barbáries que aconteceram no reality, já que o mesmo foi transmitido, via Instagram. Mas o que foi noticiado fala sobre a falta de responsabilidade da produção em criar um ambiente seguro e respeitoso.


Reflexões 

"A Fazenda Trans" acabou exercendo um papel paradoxal. Se por um lado visou promover a inclusão e a discussão sobre diversidade, na prática expôs as feridas ainda abertas da Comunidade LGBTQIA+. A xenofobia, o racismo, a gordofobia e a transfobia não são apenas questões que podem ser facilmente resolvidas, mas sim, temas complexos que requerem uma mudança cultural profunda.


O que faltou nesta experiência foi criação de espaços de diálogo e respeito, onde a diversidade seja celebrada e não usada como motivo para discriminação, apenas para gerar engajamento e dinheiro aos organizadores. O desafio está em transformar o entretenimento em um veículo de conscientização, resistência e liberdade. Naquilo que pude acompanhar nas redes, foi um show desnecessário! Não dá pra brincar com o preconceito, seja de qual vertente for, preconceito mata, violência mata, ódio mata. Será que não aprenderam, não?


Nota do Editor: Essa matéria não terá ilustrações, pois cremos ser necessário preservar a identidade das participantes do reality, vídeos podem ser vistos nas redes sociais para confirmar as informações aqui descritas.



por Jeff Soares

Músico, Locutor

Jornalista, Web Designer

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