Dependência Química
Incurável, progressiva e fatal!
Incurável, progressiva e fatal!!
É assim que se define a doença (sim, é uma doença!!), que atinge jovens e adultos no mundo todo: a Dependência Química. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) define o uso e abuso de álcool e outras drogas como um problema de saúde pública global, que causa sérios impactos físicos, psicológicos e sociais.
Embora exista um discurso sobre o uso recreativo, os estudos e a literatura que pautam o tema, são claros quanto ao indivíduo que é dependente químico que acaba não conseguindo viver o limite do uso, e sim o abuso do álcool e outras drogas, trazendo consequências negativas para si, sua família e a sociedade. Este é um problema de todos nós!
Doenças Associadas ao Uso e Abuso de Álcool e Outras Drogas
O uso abusivo dessas substâncias está ligado a diversas doenças, incluindo:
1. Doenças hepáticas: No caso do álcool, a cirrose hepática é uma das consequências mais graves. Além disso, muitas drogas afetam o fígado e podem levar à insuficiência hepática.
2. Distúrbios cardiovasculares: Tanto o álcool quanto outras drogas, como cocaína e anfetaminas, podem elevar a pressão arterial e aumentar o risco de infarto e derrames.
3. Distúrbios psiquiátricos: A dependência pode estar associada a doenças mentais como depressão, ansiedade, psicoses, esquizofrenia e até mesmo alucinações, como ocorre no uso de drogas alucinógenas.
4. Câncer: O uso de álcool está fortemente relacionado ao câncer de fígado, boca, garganta e outros tipos.
5. Doenças pulmonares: Drogas inaladas, como o cigarro (sim, cigarro também é droga!) e a maconha, podem causar doenças respiratórias crônicas, como bronquite, enfisema e câncer de pulmão.
6. Doenças infecciosas: O compartilhamento de agulhas no uso de drogas injetáveis aumenta o risco de infecções como HIV, hepatites e outras doenças transmitidas pelo sangue.
Até aqui, estamos falando de saúde, mas o dependente químico tem outras perdas, muitas vezes irreparáveis: perde o trabalho, abandono dos estudos, os amigos que não usam drogas se afastam, a família perde totalmente a estrutura, muitas vezes se tornando a mãe o único apoio e em alguns casos, esta também desiste! A situação de rua, parece o único caminho! Apesar do sofrimento, o dependente se submete a uma sobrevida, sem casa, sem comida, sem higiene, sem vínculos afetivos e se coloca na condição de moribundo, pedinte e em muitos casos, começam os furtos, para obtenção de recursos para sustentar o vício causado pela dependência, onde a marginalização acolhe este indivíduo, que poderia estar acolhido, em tratamento.

Tratamento da Dependência e da Codependência
O tratamento para a dependência química e a codependência envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir:
Terapia psicológica e psiquiátrica: Para tratar a dependência química, a terapia é essencial. Psicólogos e psiquiatras ajudam o indivíduo a lidar com gatilhos, desenvolver estratégias de enfrentamento e tratar comorbidades psiquiátricas.
Grupos de apoio: Para codependentes, grupos como o Codependentes Anônimos (CoDA) ou Al-Anon (para familiares de alcoólatras) são importantes para compartilhar experiências e obter suporte emocional.
Medicamentos: Em alguns casos, medicamentos são utilizados para ajudar no controle dos sintomas de abstinência, reduzir os efeitos de algumas drogas ou tratar sintomas psiquiátricos associados.
Comunidades Terapêuticas e Internações
As comunidades terapêuticas são instituições que acolhem pessoas dependentes de álcool e outras drogas e fornecem um ambiente de suporte, disciplina e acompanhamento terapêutico, visando à recuperação e à reintegração social. Embora as abordagens variem, geralmente incluem atividades em grupo, trabalho em equipe, responsabilidade pessoal e apoio espiritual.
A internação é uma opção quando o dependente está em uma situação de grave risco, seja por conta da sua saúde física e mental, seja por risco à segurança própria ou de outros. Em alguns casos, é necessária uma internação involuntária, quando a pessoa não reconhece sua condição e se recusa a aceitar tratamento, mas apresenta comportamento que ameaça sua integridade física ou mental.
Em geral, todas as Comunidades Terapêuticas, tem grupos de apoio familiar, que ajudam e orientam às famílias para a reinserção do adicto na família e sociedade.
Codependência
A codependência ocorre quando uma pessoa se envolve intensamente na vida e nas escolhas de uma outra, geralmente alguém com problemas de dependência química, e começa a sofrer emocionalmente devido a essa relação. O codependente tende a viver em função do dependente, colocando suas próprias necessidades de lado.
Esse comportamento muitas vezes resulta em estresse, ansiedade e até sintomas físicos, tornando-se também um problema de saúde. Geralmente, a codependência afeta familiares, cônjuges e amigos próximos dos dependentes. A família, os amigos, também precisam de tratamento, suporte psicológico e psiquiátrico.
Como prevenir esta doença?
É fácil conversarmos com nossos filhos e familiares sobre prevenção de doenças, certo?? Sim, é fácil!! Mas enquanto não enxergarmos a Dependência Química como doença, vamos seguir perdendo nossos jovens (não importa o sexo) para as drogas.

É preciso muito diálogo! Não experimentar é o caminho mais curto para se manter em sobriedade!
O álcool e o cigarro, que são drogas conhecidas como lícitas, vendidas em qualquer lugar, são o abre alas para as ilícitas. A prevenção começa aqui: incentivem seus filhos a não beberem, não fumarem! Sejam exemplos! Sei que é difícil, numa sociedade onde tudo se comemora com uma “geladinha”, onde fumar, apesar de todas as campanhas contra, ainda é “normalizado” o uso do tabaco, mas se queremos uma juventude mais saudável, longe das drogas, o caminho começa em casa!
O uso e abuso de álcool e outras drogas são questões de saúde pública e exigem ações de prevenção, tratamento e apoio a dependentes e codependentes. A recuperação envolve uma combinação de fatores terapêuticos, incluindo o apoio de profissionais, familiares e comunidades terapêuticas. É essencial buscar ajuda e manter o foco na recuperação para restaurar a saúde e qualidade de vida.
Ainda sobre prevenção, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desponta em ciência, pesquisa, tecnologia e está desenvolvendo uma vacina antidrogas. O imunizante foi desenvolvido a partir de moléculas modificadas da própria droga. Nos animais, a vacina induziu o sistema imune a produzir anticorpos que se ligaram à droga já presente na corrente sanguínea dos bichos. Essa ligação aumentou o tamanho das moléculas do entorpecente, impedindo a passagem delas pela barreira hematoencefálica - estrutura que regula o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central. Sem chegar ao cérebro, o animal não sentiu os efeitos da droga. Os médicos esperam que, desta forma, no teste com humanos, a vontade de consumir crack e cocaína seja drasticamente reduzida.
Teremos um futuro sem drogas? Acredito que não! Mas tenho certeza, que muitos dependentes químicos já estão com o braço pronto para tomar a vacina!
Conte pra mim: você tem um dependente químico em casa? Precisa de ajuda?
por Fernanda Lessa

Graduada em Pedagogia
MBA em Gestão Pública
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