"Abre Essas Pernas Pra Mim"
Uma análise de uma canção da banda Velhas Virgens!
Outro dia, ouvi na Aqui de Casa Web Rádio a música "Abre Essas Pernas Pra Mim", da banda Velhas Virgens, que assim como muitas outras do grupo, tem um tom provocativo e humorístico, mas também é polêmica e frequentemente acusada de reforçar estereótipos e atitudes problemáticas em relação às mulheres.
Essa canção, em particular, pode ser analisada sob diferentes perspectivas, especialmente se quisermos relacioná-la aos direitos das mulheres, respeito, consentimento e violência.
A letra da música parece tratar de maneira superficial ou caricata o desejo sexual masculino e as relações com as mulheres. No entanto, é importante destacar que, na vida real, a autonomia da mulher sobre seu próprio corpo é um direito fundamental. O consentimento deve ser a base de qualquer relação sexual, seja casual ou não. Frases ou atitudes que pressionem ou desconsiderem o desejo da mulher podem reforçar a cultura do estupro, mesmo quando não há intenção explícita de fazê-lo.

Pirataria Autorizada (2006)
Do ponto de vista de uma mulher empoderada e dona de seus próprios desejos, sexo casual pode ser uma escolha livre e saudável. No entanto, é fundamental que essa liberdade não seja confundida com permissividade ou disponibilidade automática, como muitas vezes se reflete em narrativas machistas, do tipo: “Dá toda a hora, e agora que é comigo tá fazendo cu doce”! Ou ainda: “Casou, tem que dar a hora que o marido tem vontade, senão ele vai buscar na rua!”
Músicas, textos, comerciais, filmes, que sugerem que o desejo masculino deve prevalecer podem contribuir para essa visão distorcida.
A linguagem da música pode, de forma indireta, banalizar situações em que o consentimento é desrespeitado, o que é preocupante em uma sociedade onde o abuso sexual e a violência contra a mulher ainda são problemas graves. Estupro não é apenas o ato violento em si, mas também pode ocorrer em contextos onde a vontade da mulher é manipulada e ignorada!!
Outro ponto que pode ser explorado na análise da música é como mulheres casadas são frequentemente vistas sob estigmas sociais, seja como "propriedade" dos maridos ou como alvos de julgamentos morais. É necessário desconstruir essas visões e promover uma perspectiva onde o casamento não apague a individualidade ou os desejos da mulher. Sim, a mulher mesmo casada, tem o direito de fazer o que quiser com o seu corpo! Que isso fique bem claro!
Embora a intenção da banda Velhas Virgens seja muitas vezes a sátira ou o humor, obras culturais não estão isentas de crítica. Letras como essa podem ser usadas como ponto de partida para discussões mais profundas sobre os limites entre humor e perpetuação de preconceitos. É possível questionar se o impacto de tais músicas reforça valores ultrapassados ou se abre espaço para debates importantes sobre igualdade e respeito.
A crítica às narrativas que subjugam as mulheres não significa censura, mas sim uma oportunidade de reflexão sobre os valores que queremos promover na sociedade. Nossas meninas estão ficando mocinhas, e logo ali serão mulheres adultas que precisam saber seu espaço quanto sociedade e o empoderamento necessário para encarar este nosso mundo ainda tão machista, segregador e polêmico quando a pauta é uma mulher dona de si!!
Me conta: mulher tem obrigação de abrir as pernas por aí, ou é decisão exclusivamente dela quando isso pode acontecer??
por
Fernanda Lessa

Graduada em Pedagogia
MBA em Gestão Pública
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