Perspectivas #14: E as metas de Ano Novo?
Algumas reflexões para quem decidiu começar alguma mudança.
Achava que a palavra “atolamento” não existia, ou que era uma forma errada de me referir ao verbo “atolar”. Mas parece que a palavra existe mesmo, então… Deixa eu começar de novo: olá, pessoas queridas! É bom estar de volta nessa nova temporada do Aqui de Casa, espero que tenham curtido as festividades de fim de ano! E aqui estamos nós, pouco depois da metade do primeiro mês do ano, e aqui vai uma pergunta ou duas: e as metas? Tu gostas de fazer metas para o ano que surge? Novo ano, novo ciclo, novos sonhos - ou sonhos antigos sendo trazidos de volta, objetivos. Confesso que nessa virada de ano eu, particularmente, não defini nenhuma meta, mas sei que muita gente curte fazer isso. Sendo assim, preparei algumas reflexões para nos ajudar a não nos atolarmos enquanto estamos indo atrás daquilo que desejamos para a nossa vida. Bora?
Mudança de hábitos, começar uma academia, cuidar melhor da saúde física ou mental (ou ambas), (re)conectar-se a pessoas importantes, ser mais sociável, experimentar um novo esporte, abrir ou melhorar um negócio, mudar de carreira, estudar… Ideias parecem nunca faltar, e uma perspectiva positiva para o futuro geralmente agrada quem a enxerga, mas mudar alguma coisa nem sempre é tão natural quanto a gente gostaria que fosse. Mudanças podem exigir de nós algumas coisas, como paciência, dedicação, comprometimento, disciplina. Na hora da promessa de fim de ano, a motivação costuma estar lá no alto: a vontade de dar um giro de 360° na vida está fervendo, poderíamos conquistar o mundo. Mas a motivação não é a única coisa que importa, embora ela seja, sim, importante.

Acho muito interessante pensar nessas mudanças (porque ir atrás de algum objetivo de forma intencional costuma ser, também, um ato de mudança, de transformação) como a construção de uma casa. Eu vi o meu pai trabalhar a vida toda como pedreiro, acho que uma das lições mais valiosas que ele me ensinou sem me dizer uma única palavra é sobre reconhecer processos acontecendo. Ele levava meses para deixar uma casa pronta, num trabalho árduo, por vezes muito difícil. Construir algo novo para a nossa vida pode levar tempo, talvez a gente precise tolerar determinadas dificuldades, talvez a gente precise puxar a nossa orelha para fazer o que precisa ser feito, talvez sejam necessárias algumas renúncias.
Por que queremos atingir aquele objetivo? O que estamos dispostos a fazer em nome dessa mudança? É bom lembrar que nem sempre estaremos motivados, esse nosso estado de motivação se altera ao longo do tempo devido a uma série de fatores diferentes. Esperar pela motivação para começar (ou continuar com o que já se começou) pode, de repente, não ser o mais interessante. Nessa espera, podemos acabar procrastinando, deixando para depois até que o depois se torne distante. Quebrar grandes objetivos em partes menores pode ser uma forma interessante de se conseguir um estímulo de reforço, pode nos ajudar a ver com mais clareza as coisas se construindo também.

Pode acontecer de a motivação surgir após termos começado alguma coisa, nesse caso ela nos ajuda a continuar - a manter aquele comportamento em prol daquele objetivo. Sempre importante enfatizar que as mudanças não acontecem de repente, elas são uma construção e precisam ser mantidas para que durem. O primeiro grande desafio é começar, o segundo é manter as coisas acontecendo. No meio disso tudo, vale lembrar do porquê de estarmos fazendo o que estamos nos propondo. Ah, e vale também lembrar de aproveitar o processo, curtir cada passo do caminho. Às vezes a gente acha que a felicidade nos espera no final da estrada e, assim, acaba perdendo muitas paisagens alegres ao longo da caminhada.
Gosto de pensar nos objetivos como um ponto de referência, como inspirações. Uma vez que a gente defina nossos pontos de referência, nos cabe alinhar as nossas escolhas a esses pontos. Se eu quero melhorar a minha saúde, quais escolhas devo fazer? Se pretendo começar alguma nova atividade, por onde começar? Quais os passos necessários para manter a caminhada acontecendo? Se percebi que saí da rota e desejo retornar, o que fazer? Quais os ajustes necessários? Mudanças exigem manutenção, exigem cuidados. É importante manter isso em mente, até para não interpretarmos possíveis dificuldades esperadas como falhas. Mas e aí, vamos buscar o que esse ano?
Por aqui, seguimos pintando perspectivas. Obrigado por estar com a gente!
por
Igor Jeske

Psicólogo
Músico
Colunista
Comentários (0)