Já Ouviu Falar da Expressão "Dedo Podre"
Algumas reflexões sobre o universo dos relacionamento.
Há alguns dias estivemos discutindo sobre relacionamentos no grupo de whatsapp da Aqui de Casa, porém fomos questionados: Porque as mulheres acabam se afastando dos homens gentis e se relacionando com homens embustes? Um desafio e tanto, não é? No entanto, algumas das meninas da Rádio, chegaram para compartilhar suas conclusões baseadas na experiência.
Sabe, aquele talento que algumas mulheres têm de encontrar homens que mais parecem ter saído de uma comédia romântica? Só que na versão de baixo orçamento? Pois é, parece que às vezes, existe um concurso para ver quem consegue encontrar o maior embuste da cidade. Acreditem, a competição é acirrada. Mas, por que será isto acontece? Por que sempre se sobressaem os ‘Bad Boys’, aqueles que têm mais histórias mal contadas que um roteirista fraco de Hollywood? Será o gosto pela adrenalina? A emoção do inesperado ou aquele sentimento de se tornar a ‘salvadora de uma alma’? Lá no fundo, como será que nos sentimos ao receber de um homem a gentileza e os cuidados que procuramos?
Na minha crença, acredito que precisamos saber usar o poder de atrair boas pessoas. Acredito mesmo que o universo é um grande menu de boas opções. Mas será que estamos escolhendo o certo? Quem sabe um dia, nós as heroínas da história, percebamos que o amor verdadeiro, pode estar bem a nossa frente, com gestos simples, como nos esperar com o café pronto e uma playlist de músicas boas.
Não esqueçamos que todas as pessoas têm seus defeitos e qualidades, e que nunca vamos encontrar a perfeição, mas que somos merecedoras de todo o carinho e atenção. Saia do papel de ‘heroína’ que aceita tudo. Não se contente com menos.
Mas vamos compartilhar ideias sobre o tema? Com a palavra...

Luana Collet, apresentadora do Café com Lei, todas às quintas, às 18 horas.
“Impossível falar sobre esse assunto sem iniciar com um belo ‘baaah'! Aqui no RS, essa expressão significa diversas coisas: espanto, alegria, insatisfação, etc., mas, especificamente, no que diz respeito ao ‘dedo podre’, entendo que decepção. Quantas vezes iniciei relacionamentos por carência e me dei muito mal. Muitas vezes depositei no outro, as expectativas, sonhos e desejos, esperando que ele conseguisse suprir minhas necessidades.
‘Nessa longa estrada da vida’, o que realmente me salvou foi o processo terapêutico, entender o motivo pelo qual repetia ciclos, meus ‘ex’ voltavam em outros corpos, em relacionamentos abusivos e tóxicos. Mas, apesar do dedo podre, acredito que seja importante falar sobre os relacionamentos saudáveis após o abusivo.
Como agir, depois de sofrer das mais diversas formas?
Parafraseando Luísa Sonsa: será mesmo que ‘relações ruins são bem mais fáceis de esquecer’? O processo terapêutico é extremamente necessário, principalmente para cuidar de si mesmo, aprender a estabelecer limites claros e lidar com todas as feridas emocionais do passado. Além disso, entender que a comunicação é fundamental e que o/a parceiro/a não tem como, literalmente, adivinhar nossos desejos. Por fim e não menos importante, manter um rede de apoio próxima, com pessoas que nos amam e nos querem bem é primordial.”

Amanda Beatrice, apresentadora do Cartas que Cantam, que estreia dia 15 de fevereiro, às 10:30 da manhã.
“Sabe aquela história de ter dedo podre pra relacionamento? Já ouvi isso tantas vezes que quase acreditei. Mas, pensando bem, o problema nunca foi o dedo, e sim o que a sociedade nos ensinou a aceitar como normal. Desde cedo, principalmente nós mulheres, fomos moldadas para acreditar em um modelo de amor cheio de controle, ciúmes, vitimização e manipulação. Quando dá errado, colocam a culpa na gente, como se a escolha fosse exclusivamente nossa. Mas será que somos nós as ‘podres’ ou é o sistema que cria esse cenário tóxico?
Até pouco tempo atrás, mulheres precisavam de autorização pra viajar, trabalhar ou até abrir uma conta bancária. Isso não foi há séculos, foi ontem. Essas limitações não desapareceram sem deixar marcas; elas continuam influenciando as gerações de hoje, moldando a forma como nos relacionamos. Nos ensinaram que amor é sinônimo de tolerar abusos emocionais disfarçados de preocupação e que ceder é a base de um bom relacionamento. E aí, quando as coisas dão errado, jogam o peso do fracasso sobre nossos ombros, com aquele discurso de ‘dedo podre’.
Mas não é só sobre os abusos que a gente romantizou sem perceber; é sobre a falta de gentileza genuína nas pessoas. A gentileza, que deveria ser algo natural, virou uma moeda de troca, feita esperando algo em troca. Parece que o amor genuíno, sem interesses ocultos, virou artigo de luxo. Pouca gente percebe isso, e quem percebe geralmente já sofreu bastante até aprender a diferença.
O mais curioso é que a única vez que vivi um relacionamento sem esses jogos foi com uma mulher. Foi tão diferente: não tinha aquele controle disfarçado de cuidado, nem a necessidade de competir ou dominar. Era uma troca verdadeira, baseada no respeito mútuo. Isso me fez enxergar como a sociedade molda não só as mulheres, mas também os homens, para seguirem papéis distorcidos. Não tô dizendo que não existem homens bons – existem, sim –, mas são quase uma exceção num sistema que cria tantas dinâmicas tóxicas.
A verdade é que a gente não precisa aprender a ‘escolher melhor’. O que precisamos é de uma revolução no jeito de se relacionar. Menos posse, menos ego, mais respeito e mais afeto sincero. Parece utopia, né? Mas não deveria ser. É assustador que amar de verdade, sem manipulação ou interesses, pareça algo tão distante, quase inalcançável. A mudança começa com pequenas ações, no jeito que criamos as próximas gerações, no que ensinamos sobre respeito, empatia e cuidado.
O que precisamos mesmo é de uma revolução de afeto. Uma sociedade que ensine e forme pessoas capazes de amar sem egoísmo, de respeitar sem esperar algo em troca e de demonstrar gentileza verdadeira. Porque, no fundo, não é sobre ‘escolher errado’; é sobre viver num mundo que precisa aprender o que realmente significa amar. Quando a gente encontrar essas pessoas – e elas existem –, vai ser fácil perceber: o problema nunca foi o dedo, foi o que nos ensinaram a aceitar como normal."
E você, o que nos diz sobre o tema?
por
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora do HotCast
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