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Venci Um Câncer!

Um breve relato sobre a minha batalha pela vida!

Venci Um Câncer!
Imagem Internet

Nunca me lembro do Dia Mundial de Combate ao Câncer. Acredito que seja uma autodefesa, um bloqueio de quem o enfrentou por um longo tempo.


Acho que é preciso compartilhar alguns pontos. É uma doença silenciosa e que geralmente não causa dor. No meu caso, simplesmente acordei estrábica do olho direito. Havia ido ao oftalmologista, algo que era rotina desde meus 09 anos de idade para a troca de óculos. Dias depois, ao acordar, olhei no espelho e achei estranho. Claro que virou piada até com o médico amigo da família. Mas retornei ao consultório na mesma manhã e tive a primeira notícia ruim. Edna, não é oftálmico, é algum distúrbio neurológico. E, aí começou o medo, a angústia e a insegurança.


Conseguimos a consulta com neurologista naquela tarde e já fui internada para exames. Na tomografia apareceu o intruso: Uma massa cilíndrica de aproximadamente 6 cm no meu lobo occipital, próxima ao cerebelo. Tratamento: cirúrgico, chances de sobreviver a cirurgia 50%, chances de sequelas, 90%. Para alguém que estava no 5º semestre da faculdade e dançava todos os dias, foi cruel.


Lembro do branco do rosto do meu irmão e da voz embargada do Pai perguntando se tinha uma alternativa para amenizar esse caminhão de desespero. Teria uma nova técnica nos Estados Unidos que utilizava vídeo e que minimizaria os riscos. Meus amigos iniciaram uma campanha e por um milagre, surgiu um médico que conhecia a técnica e eu fui sua primeira paciente. O pós foi complicado e, para quem entrou na cirurgia andando, me deparar com dificuldades motoras, incluindo a fala, caminhar e segurar objetos, foi difícil.


Na época também se realizei quimioterapia e radioterapia para tratar o tumor. Passei por tudo isso sozinha. Mesmo com apoio da minha família, fui sozinha para as terapias e sessões. Queimaduras, enjoos e frustrações me acompanharam por muito tempo, junto com os 90 kg adquiridos da depressão.


Sim, eu venci a tudo, consegui me formar no meio desse processo, e sim toquei o sino da remissão em 09 de Setembro de 2005. Todos dizem, ah, você é uma heroína, você venceu. Eu só gostaria de não ter passado por isso. Posso ter vencido, mas perdi muitas pessoas importantes para essa doença.


Semana passada realizei um procedimento para diminuir aumento das células da minha bexiga, causados por uma sequela, chorei muito e juro que aos 46 anos pedi pela minha mãe.


Então amigos, se cuidem, cuidem dos seus corpos, façam exames periódicos, se toquem. Sejam heróis e heroínas por respeitarem seus corpos e não por enfrentarem os processos.



por

Edna Loreto

Médica Veterinária

Colunista

Apresentadora do HotCast

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