A Escalada do Ódio
[...] O ser humano precisa de uma reciclagem urgente!
Nos últimos dias notícias sobre o estado de saúde do Papa Francisco preocupa o mundo. Sua luta pela vida, infelizmente vem se agravando devido a um quadro respiratório. Atualmente ele encontra-se internado no Hospital Gemelli, em Roma. Nas redes sociais, os portais de notícias atualizam a situação a cada instante, mas há algo que tem chamado a atenção, os autointitulados “Cristãos” torcem pela morte do pontífice, algo muito estranho, cruel e sem precedentes, na história moderna. Comentários como: “papa comunista tem que morrer”, “vou rezar para que ele morra logo”, entre outras coisas de absoluto mau gosto.
E a pergunta que não quer calar, lendo tamanha baixaria, hostilidade e imbecilidade é: Quem são esses “Cristãos”? Eu sou Umbandista, mas Jesus Cristo que no sincretismo é Oxalá, continua reverberando fortemente em meu coração e nas minhas ações. Mas e essa gente? É exatamente isso que a “Fé” deles prega para o mundo? Onde foram parar os ensinamentos do Cristo? É esse Deus vingativo que os move?

Foto Divulgação: Papa Francisco
Este comportamento violento não se resume à figura do Papa, mas também aqueles que se colocam na linha de frente para combater a fome, como acontece semanalmente com os ataques ao Padre Júlio Lancelotti em São Paulo. A atriz Fernanda Torres, que concorre ao Oscar neste final de semana por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”, um filme que retrata um dos piores períodos da história do Brasil, a ditadura militar, tem sido alvo constante nas redes sociais, muitas pessoas afirmam não torcer por sua vitória, outros dizem que ela é péssima profissional, outros apenas a “odeiam”. Mas por qual motivo as pessoas afirmam odiar estas pessoas? Ódio pela prática efetiva da caridade? Ódio pelo talento?
Hoje, tudo virou polaridade política, essa guerra entre extrema direita e esquerda, escala fervorosamente a patamares inimagináveis, onde a maldade atua sem nenhuma vergonha. O crescente clima de hostilidade que se manifesta não apenas na sociedade civil, mas que compõe os movimentos das instituições é preocupante. Embora esteja enraizada nas questões sociais, tecnológicas e comportamentais, a escalada do ódio está afetando a saúde mental das pessoas.
As redes sociais como plataformas dominantes para a discussão política têm potencializado ambientes tóxicos, cheios de ódio e completamente desinformativos, inflamados por “fake news” e líderes que reforçam suas bolhas ideológicas, alimentando suas próprias crenças e principalmente demonizando o outro. Essa dinâmica suja, reduz a empatia e praticamente cessa a oportunidade diálogo, transformando a vida em um eterno ringue, onde um lado precisa aniquilar o outro.
Esse ciclo de intolerância se expande a cada dia mais pelos quatro cantos do mundo, a radicalização é evidente em todos os lugares. Só que dificilmente o impacto disso tem sido discutido abertamente entre as pessoas, a saúde mental delas está em jogo, elevando os níveis de stress, ansiedade e até mesmo depressão. Viver em um ambiente hostil pode resultar em isolamento social e uma percepção negativa e invertida da realidade.
Mas e como mudar essa situação? O ser humano precisa de uma reciclagem urgente! Talvez não tenhamos mais tempo para salvar essa geração do ódio e da imbecilidade, mas se quisermos ter uma próxima, talvez a Educação seja um caminho. Mas educação em todos os sentidos, até mesmo no entendimento do que é de fato ser um cristão, ou seja, um seguidor da doutrina de Jesus Cristo. Cristo não demonizou ninguém, não odiou ninguém, não desejou a morte de um irmão. Conseguem perceber, a inversão das coisas? Esse é o nosso mundo, o que é demais nunca é o bastante…
por Jeff Soares

Músico, Web Designer, Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
& do MPB Café
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