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Ciclos Repetitivos

Mais Uma Dose? Será Que Eu Tô Afim?

Ciclos Repetitivos
Imagem Internet/Pixabay

Semana passada, falamos sobre os amores líquidos na sociedade contemporânea, e um gancho nos trouxe a uma nova discussão: Por que repetimos ciclos? Aqui tentaremos refletir um pouco sobre as repetições e lições que devemos extrair de nós mesmos.


Faz parte da nossa evolução, vivenciarmos inúmeras situações doloridas e desconfortáveis que nos marcam intensamente. Mas por que repetimos tais situações? É tudo coincidência? Acredito que não existam coincidências e que nada está ao acaso quando se tratam de relações humanas. Às situações, formas e interações, os relacionamentos, continuarão a se repetir enquanto não tivermos o entendimento de que algo não vai bem. O apego a situações do passado e a insistência de manter padrões que já mostraram insuficiência, podem nos levar a estados de profunda inconsciência, limitando crenças e criando prisões imaginárias.


Quando as coisas boas acontecem em nossas vidas é um sinal de que estamos recebendo uma contrapartida dos nossos próprios atos e pensamentos, mas atualmente, nesta sociedade líquida, lembrar daquilo foi bom tem perdido constantemente o espaço, para recordações dolorosas e traumáticas. Mas, por que precisamos reprisar as experiências “não tão boas”?


Talvez, você não tenha percebido, mas há uma falta em jogo. Há um aprendizado que não foi concluído. Continuamos a repetir ciclos para vivenciarmos as lições incompreendidas do nosso próprio ser. E quando se trata de relacionamentos é importante observar que nem tudo é sobre o outro, em grande parte das vezes, trata-se de um entendimento sobre nós mesmos, na busca incessante de alimentarmos nosso próprio ego, que limitante repete padrões que precisam ser dissolvidos internamente.




Como disse, no texto anterior, fui um completo irresponsável ao colocar a minha vida repetidamente nas mãos de pessoas que mantinham o mesmo padrão, o padrão que eu queria, pois buscava aceitação, amor a qualquer custo e reconhecimento. E depois de bater a cara no muro tantas e tantas vezes, comecei a entender que essa irresponsabilidade emocional, não emergia somente das atitudes de outra pessoa, ela dizia muito mais de mim, que não me amava, tampouco, respeitava a mim mesmo. Precisei entender, que o outro não podia me conduzir, mas que precisava trilhar os caminhos e nutrir sentimentos saudáveis para comigo, buscando a felicidade em minha própria companhia e na liberdade à possibilidade de viver o novo.


É um processo simples? Obviamente que não! Foram anos repetindo a mesma classe, o mesmo conteúdo e aprendendo com professores que só mudavam de rosto. É importante salientar que não se trata apenas de tentativas frustradas de relacionamento amoroso, refiro me também as relações de amizade, relações parentais, relações de trabalho.




Somos parte criativa da nossa realidade, somos parte ativa do processo. Quando visualizamos e buscamos a compreensão das lições que precisamos aprender, teremos a força suficiente para encararmos nosso lado obscuro, adquirindo a coragem de lidar com o desconforto, com a dor, com a tristeza, com o medo e principalmente a dúvida de sermos quem de fato somos, ou seja, seres humanos em plena evolução. Precisamos parar de nos colocarmos na posição de vítima de nossas próprias vidas, mas desbravar o grande oceano que somos é desafio gigantesco, mas muito necessário para a nossa própria compreensão.


Conheça-se. Cuide-se. Avalie-se. Não permita que nada e ninguém, faça você se diminuir, para caber em pote que pode ser descartado há qualquer momento. Seja inteiro e autoconfiante, sua autoestima é fundamental, ame-se e compreenda-se como ser único, completo e aprendiz de uma vida dura, doce, mas nada mole de viver. Nunca desacredite de você e se repetir ciclos não se culpe, faz parte de uma lição, procure o “Xis” da questão, sabendo que poderá encontrar várias variáveis.



por Jeff Soares

Músico, Web Designer, Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast

& do MPB Café

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