A Hipocrisia de Demonizar o Carnaval
As Polêmicas Que Envolvem A Maior Festa Popular do Mundo!
Estamos há poucos dias da maior festa popular do Brasil, o Carnaval conhecido mundialmente por sua aquarela de cores e alegria contagiante, vai tomar às ruas do País mais uma vez. No entanto, ao longo dos anos o Carnaval vem sendo alvo da intolerância, do racismo e da demonização, motivadas por preconceitos religiosos e políticos.
Historicamente, o Carnaval até possui raízes europeias, mas foi na cultura Africana e Indígena, onde se estabeleceu e se desenvolveu como a maior festa popular do mundo. Por ter adquirido tais culturas como mote principal, essa diversidade acaba provocando em grupos conservadores, principalmente nos neopentecostais, o que eles chamam de “decadência moral”, fazendo com que o período seja marcado por uma forte onda de preconceito e pela tentativa de apropriação cultural.
Mas por que o Carnaval incomoda tanto? Sejamos objetivos. O Carnaval como qualquer manifestação NEGRA será alvo do racismo, que atualmente se estende ao racismo religioso. Marginalizar à Cultura Negra ainda é um elemento da primeira instância fascista. E assim, incomodará muita gente, gente BURRA, sejamos sinceros. Para esses ai é fácil demonizar o Carnaval e esconder a maracutaias políticas, promover a exclusão e esconder seus próprios pecados.

Representação de Exu, no desfile da Escola Grande Rio em 2022
Infelizmente vemos nas redes sociais depoimentos de pessoas que ganharam fama e dinheiro através do Carnaval endossando esse preconceito. O carnavalesco Paulo Barros, que muito dinheiro ganha com o Carnaval Carioca, disse: “A maioria dos enredos desse ano são afros, tudo já foi visto e revisto, e eu posso te garantir que 90% de quem está assistindo o desfile não vai entender nada”. Joana Prado, a Feiticeira, dançarina de palco que surgiu na TV no início dos Anos 2000, através de Luciano Huck, afirmou: “uma invocação aos demônios acontece na festa”, “uma cultura que, muitas vezes, promove tudo que é contrário à vontade de Deus”, disse a ex-musa do Carnaval que explorou o corpo ao máximo na mídia, mas que hoje é evangélica. Já Débora Peixoto, digital influencer e produtora de conteúdos adultos (+18), disse: "Cresci em uma família que me ensinou valores cristãos muito fortes. O Carnaval sempre foi algo que amei, mas participar de um enredo que fala sobre práticas que não condizem com minha fé seria uma contradição para mim. Tenho medo de decepcionar minha família e de ser julgada por aqueles que compartilham da mesma fé que eu”, disse ao se recusar a participar do desfile do Salgueiro que traz o enredo “Salgueiro De Corpo Fechado”.

Paulo Barros, atualmente carnavalesco da Escola de Samba Vila Isabel
Quanta HIPOCRISIA! Narrativas de pessoas que desconsideram totalmente o aspecto social e cultural do evento, que inclui a criatividade, a inclusão social e principalmente a resistência cultural em um País que não conhece sua própria história. Esquecem-se completamente da conscientização sobre a saúde, sobre a segurança e o respeito que o Carnaval desempenha, desconsiderando as tradições e a responsabilidade social que a festa reproduz, Carnaval é liberdade de expressão.
Essas tentativas estapafúrdias de marginalizar, silenciar e promover o apagamento da identidade e contribuição da Cultura Negra é algo muito sério e precisa ser combatido, não dá para fecharmos os olhos mais uma vez para a intolerância. O Carnaval é muito mais do que uma festa; é uma expressão viva da diversidade e da resistência negra do Brasil, o Carnaval é uma sala de aula, que se bem aproveitada, continuará contando enredes de conhecidos e desconhecidos, que juntos fazem parte da história de um País que definitivamente precisa respeitar suas origens.
Parafraseando o carnavalesco, Milton Cunha: “O Carnaval é uma procissão da NEGRITUDE no Brasil. Aceita que dói menos”. O Carnaval vai falar sobre a Cultura Negra, vai falar de Orixá, vai fala sobre a Cultura Indígena, vai fala sobre o povo. Ninguém vai conseguir mudar isso.
por Jeff Soares

Músico, Web Designer, Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
& do MPB Café
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