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Mês da Mulher: A Violência no Brasil

[...] Atenção, não mandem flores, não é momento para isso, existe um oceano de desigualdades estruturais que persistem.

Mês da Mulher: A Violência no Brasil
Imagem Internet

O dia 8 de Março, conhecido como o Dia Internacional da Mulher, não é uma data festiva, tampouco uma data de envio de flores, trata-se de um dia profundamente político, que transcende qualquer tipo de celebração e homenagens simbólicas. É um dia de reflexão e luta, que esta enraizada historicamente na vida das Mulheres, que buscam seus direitos, sua igualdade de gênero e a justiça social.


Atenção, não mandem flores, não é momento para isso, existe um oceano de desigualdades estruturais que persistem, diferenças salariais absurdas, a sub-representação da Mulher nos espaços de poder, a sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado com a família e principalmente momento de discutir e combater a violência doméstica.


No Brasil, segundo pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Data Folha, se revela um número alarmante, são 21,4 milhões de Mulheres com 16 ou mais idade que sofreram violência no ano de 2024. A pesquisa destaca que a maioria das Mulheres que passam por esse tipo de violência, tem em comum, a violência física, a psicológica, a sexual e o assédio.


Outro dado preocupante, se refere a descrença da maioria das vítimas pelas Instituições, o que acaba silenciando vítimas, que deixam de buscar ajuda. Apenas 14% das Mulheres que sofreram violência foram em busca da Delegacia da Mulher para denunciar as agressões em 2024. E o número ainda é menor se comparado a outros órgãos como Delegacias (10,3%) e Polícia Militar (2,2%). A maior incidência de violência é entre Mulheres de 25 a 34 anos. As Mulheres Negras, são 37,2% das vítimas. Mulheres com baixa instrução são as que mais sofrem (45,5%) com a violência.




Essa luta por justiça não pode se resumir apenas ao dia 8 de Março ou ao Mês da Mulher, essa problemática deve ser debatida por 12 meses, 24 horas por dia! Trata-se de resistência! É momento de amplificar essa discussão e dar mais voz às Mulheres, principalmente as vozes marginalizadas, como as das Mulheres Negras, das Mulheres Indígenas, LGBTQIA+, Imigrantes e Periféricas, que enfrentam inúmeras formas de discriminação. Essa discussão também serve para lembrar que a luta Feminista é interseccional, ou seja, deve considerar as diferentes experiências e opressões que atravessam as vidas femininas.


Atualmente, em um contexto global marcado por retrocessos nos direitos humanos e a ascensão de governos conservadores que incitam a violência, as lutas das Mulheres precisam ganhar mais relevância e, acima de tudo, precisamos reconhecer que essa luta é uma transformação social, e que ainda há muito a ser feito.



por Jeff Soares

Músico, Jornalista

Apresentador do MPB Café e do Aqui de Casa Podcast



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