cover
Tocando Agora:

Os muros que separam os Moleques da Vila dos covardes

É preciso desmontar a retórica dos covardes e lhes dar punição.

Os muros que separam os Moleques da Vila dos covardes
Imagem Internet

Hoje me deparei com uma história contada por uma influenciadora em seus storys no Instagram, ela moradora de um bom condomínio em Porto Alegre é mãe de um menino de quatorze anos. Em seu perfil, conta que seu filho foi interpelado por um morador do mesmo condomínio, que exigiu que ele não mais trouxesse os “amigos da vila” para brincar no ambiente que segundo ele está em um patamar superior a classe social dos adolescentes.


A influenciadora ainda conta que se dirigiu até o condômino para esclarecer a situação e o que ouviu do morador é preocupante, triste e nojento. Segundo sua narrativa, o homem lhe disse que se sentiu acuado “achando” que seria assaltado pelos adolescentes e que por estar “armado” poderia ter usado o revólver para “se defender”. Também repetiu algumas vezes que “alguns muros não precisam ser ultrapassados” referindo-se ao contato com pessoas de condição social mais humilde e que sim, existe o incomodo real pelo fato dos meninos serem moradores de um bairro mais pobre.


Infelizmente a fala deste homem não se trata de um fato isolado, faz parte de manifestações de grupos supremacistas, eugenistas ou simplesmente extremistas. O Brasil ainda é um país eugenista. Ainda existem pessoas como este homem que acreditam que são superiores por distinguir classe social, cor, gênero e religião. E o pior de tudo, brasileiros em todo o país apoiam e difundem essas ideias.


Provavelmente, o caso exposto pela influenciadora não trate de extrema pobreza, mas de garotos que moram em um ambiente comum, sem regalias, sem glamour e serviços 24 horas. No entanto, os muros foram instituídos de fato. Milhares de crianças e adolescentes, principalmente negros, vivem em condições de dificuldade, parte delas sobrevive a uma vida precária, sem comida, escola, cultura e saúde. Famílias são esquecidas e apagadas, por mentes perversas como a deste cidadão, que deveria ser preso e pagar por seus atos de discriminação.


Existem muros que separam os “moleques da vila” dos covardes. E sinceramente espero que esta construção pérfida e babilônica caia por terra logo ou jamais teremos um país justo e igualitário para se viver. É preciso desmontar a retórica dos covardes e lhes dar punição, mas é necessário abraçar os meninos e lhes dar um futuro consciente de sua origem e lhes fazer compreender que eles podem através da educação, conquistar o mundo.



por Jeff Soares

Músico, Apresentador

Jornalista

Comentários (0)