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O Simples ato de Ouvir

[...] por fim, falou que era melhor ela por um fim naquele sofrimento sumindo do mundo.

O Simples ato de Ouvir
Etienne Boulanger

Existem muitas formas de praticar a caridade, todas elas estão ai presentes no nosso dia a dia através das oportunidades que nos são dadas a todo momento. A caridade é um ato sublime de amor, uma renúncia em favor do próximo, uma prática do bem e da fraternidade, que tanto procuramos.
Mas será que somos realmente trabalhadores dessa seara?

Hoje a caridade é amplamente confundida com o compromisso material, não que este não seja importante, mas ainda é pouco perto daquilo que podemos fazer, acreditem vocês hoje é possível fazer caridade pela internet, por exemplo, sabe como? Doando alguns minutos para ser ouvinte da angústia de um irmão que está do outro lado.

Há alguns meses eu estava entediado reclamando da solidão, então uma pessoa me chamou no Whatsapp. Como já conheço o histórico da pessoa, pensei logo comigo, ela está estressada e do jeito que eu estou ficarei pior, isso já eram uma hora da manhã. Resolvi ficar ali e dizer um ‘Oi’ e ouvir o que ela tinha para me dizer. Ela reclamou de tudo e de todos, da falta de emprego, da pessoa amada que não a retribuía com a reciprocidade e, por fim, falou que era melhor ela por um fim naquele sofrimento sumindo do mundo.



Neste momento, me bateu uma reflexão: Como Umbandista, Espírita ou Espiritualista, como tem sido o meu papel no auxílio daqueles que me pedem ajuda?

Sentei na cama e falei sobre o que tinha aprendido sobre o suicídio nesses anos de busca por compreensão através da Espiritualidade. Acredito o suicídio seja uma das formas mais tristes de desistir de si mesmo, não necessariamente do cerne do problema que aflige o ser, o suicídio é uma ilusão que se cria para resolver algo de maneira rápida e violenta, o que na verdade apenas faz aumentar o sofrimento e mudar o problema de endereço, suicídio não é uma solução, não é um fim.

Argumentei da melhor maneira possível com os meus pontos de vista, lhe ofereci uma leitura com o Tarô e também lhe apliquei Reiki naquele momento, era o que estava ao meu alcance. Depois de uma hora de conversa virtual, lhe dei um empurrão para que procurasse uma Casa Espírita ou Terreiro de respeito e começasse um acompanhamento.

Recentemente, ela veio conversar comigo novamente, veio me agradecer, pois havia seguido meu conselho e eu havia lhe dado a oportunidade que ela não tinha obtido até então: ser escutada. Relatou-me suas atuais condições e ainda me disse que seguiria em frente para evoluir ainda mais, além de me prometer não mais pensar em tirar à própria vida.

Essa sensação me trouxe um afago no peito, o simples ato de escutar alguém faz uma diferença enorme na vida das pessoas que precisam dividir com alguém suas dores e angústias. Acredito que isso seja uma fagulha da caridade que a gente tanto fala. Muitas vezes as pessoas precisam de abraços, dos nossos ouvidos, além de pão para matar a fome, de água para matar a sede e de roupas para vestir o corpo.

Doar o tempo é uma prática que deveria ser comum dentro do aspecto da caridade, mas será que estamos doando nosso tempo para as pessoas? Será que nós não estamos também precisando ser ouvidos e amparados?

Está na hora de fazermos esse exercício de avaliação, será que somos mesmos trabalhadores da Espiritualidade? Será que estou fazendo o mínimo para ajudar nossos Irmãos?


por

Jeff Soares

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