Axé e Acolhimento: As Religiões de Matriz Africana e o Apoio à População em Situação de Rua
Reconhecer e valorizar esse papel é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, humana e antirracista.
As religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, têm uma longa história de acolhimento e apoio à população em situação de rua no Brasil. Essas religiões, que têm suas raízes na cultura africana, têm sido uma fonte de conforto e apoio para muitas pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade.
Tais religiões, carregam em sua essência os princípios de solidariedade, coletividade e respeito à dignidade humana. Historicamente, esses saberes e práticas foram construídos em comunidades que resistiram à escravidão, ao racismo e à marginalização, criando redes de proteção, cuidado e pertencimento para os seus. Hoje, essas tradições seguem sendo espaços fundamentais de acolhimento, especialmente para grupos vulneráveis, como a população em situação de rua.
Nos terreiros, o axé — força vital e energia que sustenta a vida — é compartilhado em gestos de cuidado, na partilha do alimento, na escuta atenta e na oferta de abrigo. Muitas casas religiosas desenvolvem ações sociais que vão além do espiritual: distribuem roupas e refeições, oferecem banhos, apoio psicológico, encaminhamentos para serviços públicos e, acima de tudo, um olhar que reconhece a humanidade de quem foi tantas vezes invisibilizado pela sociedade.

As religiões de matriz africana têm uma longa tradição de acolhimento e apoio àqueles que se encontram em necessidade. Isso inclui a população em situação de rua, que muitas vezes enfrenta desafios significativos em termos de acesso a recursos básicos como alimentação, abrigo e saúde. As religiões de matriz africana oferecem um espaço de acolhimento e apoio, onde as pessoas podem encontrar conforto, proteção e ajuda.
O acolhimento oferecido pelas religiões de matriz africana é fundamental para a população em situação de rua. Isso porque muitas dessas pessoas enfrentam desafios significativos em termos de acesso a recursos básicos, e podem se sentir isoladas e sem apoio. As religiões de matriz africana oferecem um espaço de acolhimento e apoio, onde as pessoas podem encontrar conforto e ajuda, sendo um exemplo de como a fé e a espiritualidade podem ser utilizadas para promover o bem-estar e a proteção.
Esse acolhimento não é assistencialista, mas ancestral e político. Ao receberem pessoas em situação de rua, os terreiros reafirmam o valor de cada vida e enfrentam, na prática, o racismo estrutural e a exclusão social. Ao invés de julgamentos ou exigências, há escuta, acolhida e axé. Isso transforma. Isso cura. Em um mundo marcado por tantas rupturas e desigualdades, as religiões de matriz africana seguem sendo territórios de resistência e amor, onde se vive o sagrado no cuidado com o outro. Reconhecer e valorizar esse papel é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, humana e antirracista.
por Liziane Borges

Psicopedagoga
Professora
Apresentadora
Colunista
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