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Deep Purple - Equals One

Equals One, o novo e excelente álbum do Deep Purple!

Deep Purple - Equals One
Deep Purple - Equals One (Foto: Reprodução)

No último dia 19 de Julho, Equals One o novo disco do Deep Purple chegou as plataformas digitais, trata-se do vigésimo terceiro álbum de estúdio da Banda e marca à estreia de Simon McBride como novo guitarrista do grupo.

Para às viúvas de Ritchie Blackmore, não se preocupem, ninguém conseguirá ser um guitarrista tão brilhante como Blackmore foi em sua história com a Banda. Tommy Bolin e Steve Morse foram incríveis e merecem o devido respeito, pois ajudaram a seguir o imenso legado do Grupo, já Simon está fazendo seu caminho recentemente. Nos shows mostra-se um guitarrista híbrido, com características de seus antecessores, o que felizmente traz para o som de Equals One.

Para os críticos de Ian Gillan, ele não tem a mesma voz dos tempos áureos do Machine Head, todos sabem dos seus 78 anos de idade, mas o vocalista encontrou uma forma de cantar que não desconfigura quem um dia ele foi, a voz de Ian tem classe, experiência e verdade. Senti Ian Gillan mais solto neste disco.

Mas falando especificamente de Equals One, o som do Deep Purple rejuvenesceu! Simon McBride trouxe mais dinamismo ao som da Banda, mais Hard Rock, menos progressivo e mais a cara da banda que se consagrou nos Anos 70 e 80 com o Perfect Strangers, com riffs interessantes e bons solos. Don Airey trouxe referências dos tempos em que tocou com Ozzy e com o Rainbow, ao utilizar o Moog, sem deixar a característica principal da banda de lado que é o som do Hammond. Ian Paice e o Roger Glover estão soando como dois jovens no máximo poder da juventude, um belíssimo trabalho! E o Gillan mesmo com a voz envelhecida interpretou muito bem as faixas. Ian Gillan me parece feliz.

O álbum é direto, as faixas são curtas, a única que tem mais de 5 minutos é a última que é ótima inclusive, com status para se tornar um clássico! Mas um ponto principal neste trabalho funcionou muito bem, menos é mais! O que me fez refletir sobre a Era Morse, onde o som estava orientado ao Hard Progressivo, mas que nos últimos lançamentos apesar de excelentes, mostrava uma banda um tanto preguiçosa.

Enfim, na minha ignorância o Deep Purple lançou disco acima da média! Algo que fazia tempo que não acontecia com tanta força!



FAIXA À FAIXA

SHOW ME é uma faixa de abertura diferente, traz uma característica que de alguma forma foi menos usada na banda nos últimos anos, os riffs duelados entre o hammond e a guitarra, lembram os velhos tempos, o uso do teclado moog para os somos de Don Airey foi realmente uma bela escolha. É uma faixa pesada, rápida e muito boa.

A BIT ON THE SIDE vem na sequência, riffs que lembram os anos 80, às vezes soando como algo feito por Dio, ela é mais metal no meu ponto de vista. Novamente o uso do moog traz uma sonoridade única á faixa que se apresenta muito interessante.

SHARP SHOOTER chega com aquela classe absurda, hammonds e guitarras trazem o peso, bateria e baixo mantém a música vibrante o tempo inteiro. Novamente temos solo de moog e um solo bem construído. O Riff às vezes traz um sentimento que vagamente lembra outras eras da banda. Uma faixa ótima e que provavelmente estará nos shows do próximo ano!

PORTABLE DOOR foi o primeiro single a ser lançado de Equals One, mostra aqui já a qualidade do viria ser o disco. Uma faixa bem construída dentro do alicerce do grupo, temos tudo nela, bons solos, riff bem construído, hammond soando como nos tempos áureos de Jon Lord. Traz um gosto de Perfect Strangers aqui. É uma das minhas preferidas do disco.

OLD FANGLED THING é uma faixa divertida, traz a primeira sensação de felicidade de Ian Gillan, estava solto aqui! A música é mais uma com caracteristicas clássicas da banda, orientada pelo som do Hammond, mas com uma guitarra soando novos horizontes ou velhos, vá saber, mas sem invenções absurdas, apenas Rock. Excelente!

IF I WERE YOU é uma balada que chega na sequência, trazendo outra proposta, mas sem deixar a qualidade de lado, algo que no meu ponto de vista não acontece em nenhum momento no álbum. Ela tem uma ambientação que me recorda novamente os anos 80, o bonito solo de Simon McBride me fez pensar muito sobre o quão importante é a renovação. Analisando por outro lado traz uma faixa que estabelece uma conexão muito boa para o lado comercial, para tocar no Rádio, eu diria.

PICTURES OF YOU foi o segundo single lançado de Equals One, confesso que na primeira audição dela, achei um tanto estranha, trata-se de uma música que precisa de algumas audições para ser totalmente assimilada e dentro do contexto geral do disco, faz com que ela suba de patamar, dá pra entender o porquê está ali. Trata-se de hard rock clássico, mas com características progressivas, algo muito comum nos últimos anos da banda com Steve Morse na guitarra. Uma boa faixa.

I’M SAYING NOTHING começa no clima de finalização da faixa anterior e começa a crescer, tornando uma música com uma sonoridade diferente, ainda assim apresenta características do progressivo. Simon McBride faz um excelente solo em duelo com Don Airey e seu hammond aqui. Gillan mais uma vez se mostra solto, feliz e brinca com a tentativa de fazer vocais dos seus tempos de juventude. Uma faixa que progride e termina muito bem!

LAZY SOD é o terceiro single lançado do disco, uma música muito boa, uma das minhas faixas prediletas também, algo que mistura o melhor de cada um individualmente. Novamente o som clássico da banda está de volta, o hammond orientando à música, criando um clima incrível para ser acompanhado pelos riffs pesados, solo bem construído e uma cozinha poderosa, talvez seja a faixa mais próxima da era clássica da banda. Excelente!



NOW YOU’RE TALKIN chega trazendo aquela sensação dos anos 80, não me assustaria se fosse uma faixa do Perfect Strangers. Gillan se soltou de vez e está arriscando muito aqui, sua voz soa muito bem, com muita carga Rock n’ Roll! Simon mais uma vez chama a atenção com um solo bem construído, hammond e moog se encontram perfeitamente aqui. Tem tudo pra virar um clássico da nova geração de fãs da banda! Excelente! É a minha faixa predileta do álbum!

NO MONEY TO BURN traz um som marcante de hammond e riffs de guitarra, novamente aquele som caracteristico da banda, ligeiramente traz o som do álbum Fireball na mente, às vezes soa sombria, sem perder o peso. Uma ótima faixa.

I’LL CATCH YOU é uma pérola de puro sentimento, o som mais emotivo do álbum, uma linda balada reflexiva, uma interpretação bonita de Gillan para uma balada em anos, sua voz envelhecida soa magnífica aqui. Simon rouba a cena com um solo incrível no final. Linda música. Excelente faixa. O som que provavelmente irá parar nas Rádios do mundo inteiro.

BLEEDING OBVIOUS é a faixa que termina Equals One, aqui a banda mostra todo o seu poder de fogo, uma faixa épica com elementos de todas as eras da banda, mas pende ao Hard Prog com mais facilidade, soa naturalmente extraordinária. Traz elementos clássicos do hammond, solo bem executado, riff marcante, cozinha afinada e um Gillan soltíssimo, feliz. Uma faixa espetacular pra finalizar o álbum!

Se fosse para dar uma nota ao disco, faço algumas considerações:

Nota de Fã 10/10
Deep Purple é a minha banda do coração, muita gente diz que eles deveriam ter parado, mas Equals One tapou a boca de muita gente por aí, o disco é excelente no contexto geral.

Nota de Crítico 9/10
Faltou um melhor destaque ao excelente trabalho de Roger Glover e Ian Paice no disco.


por 

Jeff Soares

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