cover
Tocando Agora:

Perspectivas #17: Amigo do tempo.

[...] deixei de correr de mim mesmo para andar do meu lado.

Perspectivas #17: Amigo do tempo.
Imagem Internet/Pixabay

Tal qual uma fênix, o Perspectivas ressurge. Tudo bem com vocês, pessoas queridas? Foi um período de muitas mudanças por aqui, 2025 veio com tudo. Mudei de setor no trabalho, ganhei mais carga horária e mais responsabilidades, fui morar sozinho pela primeira vez na vida… Estou buscando administrar tudo isso: essa nova vida que agora me surge, dentro da mesma vida que levo há quase 28 anos. Mudanças me cansam bastante, sou do tipo de pessoa que gosta de certa previsibilidade. E recém agora que isso tá começando a surgir, nada como algumas semanas de abertura e dedicação às novidades. Enfim, estamos de volta com o Perspectivas! Uma coisa que permanece na minha cabeça desde o momento em que entrei no meu apartamento, minha nova morada, é o seguinte pensamento: “se, há um ano, alguém tivesse me dito que hoje eu estaria onde eu estou, eu teria pensado que não seria verdade”. Mas aqui estou, de verdade. Tenho pra mim que isso tudo começou a acontecer quando deixei de correr de mim mesmo para andar do meu lado.


Ser amigo do tempo é importante, mas muitas vezes me vi brigando com ele. Uma briga que acontecia dentro de mim, uma briga que se baseava em comparações, idealizações, pressa, desejo de viver e reviver certas coisas. Mas como uma briga com algo que não se pode vencer me ajudaria? Não sei, mas eu brigava - e eu sofria por isso. Há cerca de 2 anos eu me vi saindo da faculdade sem uma perspectiva clara do que eu queria para a minha vida, encarando uma série de encerramentos que para mim foram difíceis, descobrindo uma compulsividade que (a partir do acolhimento, compreensão e tratamento adequados) viria a me ensinar muito sobre mim e sobre a minha história. Lembro bem daquele momento, sobre como tudo aquilo que acontecia me despertou uma impulsividade de querer resolver tudo da forma mais rápida possível - e lá estava eu, brigando com o tempo.




Acontece que brigar com o tempo daquele jeito, com toda aquela pressa, me fez tomar algumas decisões das quais me arrependi mais tarde. Foram alguns tombos até aprender que com o tempo não se briga e que eu deveria me reconciliar com ele se quisesse alguma mudança. Foi quando eu comecei a aprender a respeitar a passagem do tempo e não esperar nada dessa passagem em si. “O tempo passa. Não traz nada, não promete nada, não tira nada. E a gente, por outro lado, vive.” Aos poucos isso foi se tornando um princípio, mas também um suporte, um alívio. O tempo lá, passando, conforme o seu próprio ritmo. Eu aqui, buscando me conhecer, me entender, e viver de acordo com os meus valores - os quais redescobri também. Cada um de nós fazendo a sua parte: eis a reconciliação, o começo de uma amizade poderosa.


Acredito que há que se respeitar os fluxos, o tempo das coisas. A sequência das horas, a continuidade da caminhada, a construção passo a passo de si mesmo. Lembrar do passado, mas não virar-se constantemente para ele. Sonhar o futuro, mas não buscar existir lá antes da hora. Como amigo do tempo, no aqui-agora permaneço: sem correr contra o tempo, sem esperar que ele corra, nem que demore a passar, nem que me traga ou me tire algo. É um exercício de consciência, é preciso exercitar com paciência e gentileza. Não resolve todos os problemas da vida, nem se propõe a isso, mas uma mudança de perspectiva pode trazer mudanças interessantes.


Sigamos construindo pontes. Com carinho.



Igor Jeske

Psicólogo

Músico

Colunista

Comentários (1)

Amanda Beatrice
Amanda Beatrice

"Mas como uma briga com algo que não se pode vencer me ajudaria? Não sei, mas eu brigava" me definiu kkkkkkk cara!!! era dessa perspectiva q eu precisava!!!! lindo texto

1 ano atrás