cover
Tocando Agora:

Afroempreendedorismo: Resistência, Potência e Transformação Social

Apoiar o afroempreendedorismo é um compromisso com a equidade!

Afroempreendedorismo: Resistência, Potência e Transformação Social
Afroempreendedorismo: Resistência, Potência e Transformação Social (Foto: Reprodução)

Em cada esquina de uma feira, em cada tabuleiro de acarajé, em cada salão de beleza na periferia ou loja virtual nas redes sociais, existe uma história que carrega força ancestral e coragem para romper com o silêncio histórico: o afroempreendedorismo. Muito mais do que abrir um negócio, empreender sendo uma pessoa negra no Brasil é um ato político, uma afirmação de identidade e um grito por autonomia em meio a uma sociedade estruturada sobre desigualdades raciais.


O afroempreendedorismo surge como resposta direta à exclusão histórica da população negra do mercado formal de trabalho e de oportunidades. Desde o período colonial, negras e negros criaram formas próprias de sustento, usando saberes trazidos da África e reinventados no Brasil. Foram quituteiras, barbeiros, parteiras, artesãos, músicos e líderes comunitários. Pessoas como Luísa Mahin, que vendia quitutes e articulava revoltas, ou Tia Ciata, que transformou sua casa num espaço de cultura, fé e resistência, são apenas dois exemplos de como o empreendedorismo negro está profundamente enraizado em nossa história.




Apesar das barreiras estruturais — como o racismo institucional, a falta de acesso a crédito, formação e visibilidade —, o afroempreendedorismo se reinventa. Ele cria produtos que representam a estética negra, serviços que acolhem com respeito a diversidade dos corpos e culturas, e ambientes onde a população negra pode se ver, se sentir e se reconhecer. Empreender, nesse contexto, é também curar feridas e afirmar existências.


Mas o impacto do afroempreendedorismo vai além da dimensão individual. Ele transforma territórios. Quando um negócio negro prospera, ele gera renda, cria empregos e fortalece o senso de pertencimento nas comunidades. Ele inspira outras trajetórias, abre portas e cria uma nova economia — mais justa, mais inclusiva, mais nossa.


Apoiar o afroempreendedorismo é um compromisso com a equidade. É entender que consumo também é escolha política. Que comprar de empreendedores negros é contribuir para romper ciclos de exclusão e investir em futuros possíveis.


Que a potência do afroempreender siga pulsando nas feiras, nos aplicativos, nas quebradas e nas rodas de conversa. Porque cada negócio negro é um quilombo moderno, uma semente de transformação e um legado de resistência.



Liziane Borges

Psicopedagoga

Escritora

Apresentadora

Colunista 


Comentários (0)