E Quando A Festa Acabar?
Mas o que fazer com pessoas como eu? Aquele tipo de pessoa sem vergonha que insiste em acreditar que um dia o amor vai aparecer e ficar?
Acredito que sou uma boa pessoa. Cheia de erros e defeitos é claro, mas, ainda assim, uma boa pessoa. Toda vez que canto aquela música dos Novos Baianos que a Gal gravou "Eu sou amor, dá cabeça aos pés" (Dê um Rolê, de Moraes Moreira e Luiz Galvão), me identifico tanto, porque acredito que sou amor e que tenho amor para compartilhar.
No entanto, chegam às pessoas, elas lhe inflamam a tirar à armadura, fazem com que você se sinta radiante e saia da zona de conforto, irradiam em você a possibilidade do amor, então você acredita que está tudo bem, que agora vai, que tudo deu certo. Você promove uma festa, faz um banquete, tenta oferecer o melhor de si, mas não é o suficiente, tudo foi passageiro, foi só uma dança. Então, os convidados vão embora, eles nunca ficam para a parte mais bonita e o seu coração virou uma vez mais, aquela estrada vazia para um passeio.
Você se sente rejeitado, incapaz, cheio de dúvidas, pedindo desculpas, achando que errou, vivendo um mar de dúvidas, angústias e o medo de ter ferido alguém. Daí surge a auto sabotagem, o sentimento de fracasso, você assume culpas que nunca foram suas e abre as portas para a tristeza voltar à velha moradia.
Fico horas a questionar como tudo passa tão rápido, os convidados vão embora na mesma velocidade que chegaram, olhando pra você como se nada tivesse acontecido, deixando marcar profundas, lacunas imensas e uma dor que ao primeiro momento parece incurável, mas que com o passar dos dias, passa. Então, você renasce com a alma marcada por cicatrizes e um legado que te fará mais forte, mas menos acessível.

Você pode até pensar, quanta amargura, por que palavras tão duras? É assim que me sinto depois de mais um buraco no peito. Você somatiza pensamentos tão nocivos que começa a acreditar que nunca será amado por alguém, que nunca será escolhido, que será sempre a segunda ou última opção. É como se você estivesse em um baile de máscaras, só que despido de fantasia, deixando nus a face, o coração, as marcas e às vísceras, atraindo olhares de uma multidão abutre, que não vai te acolher no momento que você mais precisar.
Provavelmente, as pessoas não estão precisando de um texto como esse, talvez seja melhor fingir e só seguir a festa, afinal para um cantor, tocar o baile faz parte, não é verdade. Mas e quando a minha festa acabar?
Ai caiu à ficha! Quando você percebe que nunca foi tão importante assim. Que é você por você e mais ninguém, que o amor estava em você e não no outro e que não há o que fazer. “E eu preciso aprender a ser só” (Elis Regina, de Marcos Valle e Paul Sérgio Valle). É traumatologistas emocionais, arrumar toda essa bagunça, não deve ser tarefa fácil. Talvez seja esta a minha prova, renascer do caos.
Mas o que fazer com pessoas como eu? Aquele tipo de pessoa sem vergonha que insiste em acreditar que um dia o amor vai aparecer e ficar?
Lhes escrevo este texto com um sorriso no rosto, provavelmente vocês esperassem lágrimas, só que eu já chorei demais. Amanhã será outro dia e a previsão do tempo garante que a próxima festa estará linda e que mesmo que me abandonem no meio da festa, continuarei a dançar sozinho, mas feliz!
A barra do amor é que ele é meio ermo! A barra do amor é que ele não tem meio termo!
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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