Faca de Dois Gumes: Sobre Homens, Mulheres e o Abismo Entre Nós
[...] No final das contas, talvez o maior ato de coragem hoje, não seja querer ser inteiro. Mas aceitar que nos falta algo.
Este texto é uma reflexão sobre as publicações
Procura-se Homens de Verdade e Nem Todos Os Homens São de Mentira.
Edna trouxe o grito das mulheres cansadas de serem tratadas como troféus. Jeff trouxe o suspiro dos homens cansados de serem julgados pelo que não são. Ambos estão certos e, ao mesmo tempo, ambos mostram apenas metades da mesma ferida.
O que está acontecendo entre nós, homens e mulheres? A resposta é mais profunda do que parece: estamos todos machucados. Buscando reconhecimento. Buscando respeito. Buscando amor. Mas, no fundo, tentando apenas sobreviver em um mundo onde relações viraram contratos invisíveis de exigências e medos.
É fácil olhar para o outro lado e apontar: “as mulheres são interesseiras”, “os homens são imaturos”, “elas só querem status”, “eles só querem sexo”. Difícil é admitir que todos nós, de algum modo, estamos com medo. Medo de sermos usados, medo de nos entregarmos e sermos rejeitados, medo de não sermos bons o bastante, medo de sermos esquecidos.
A sexualidade virou moeda. A conquista virou guerra. O amor virou aposta. Ninguém mais quer perder. E, por isso, quase ninguém se entrega de verdade.
Se algumas mulheres estão mais práticas e menos pacientes, é porque se cansaram de esperar por respeito. Se alguns homens estão mais fechados e seletivos, é porque se cansaram de serem desejados apenas pelo que oferecem e não por quem são.
O problema não é ser forte, ou ser sensível. Não é ser homem ou ser mulher. O problema é sermos incapazes de enxergar o ser humano por trás da máscara do gênero. Queremos parceiros prontos pra nos preencher, porque enquanto buscamos nos esvaziamos.
Relações verdadeiras não nascem da carência, nem da cobrança. Elas nascem da presença. De olhar para o outro e ver não uma utilidade, mas um reflexo do que já somos. Bonito? Vai do teu ponto de vista.
Querem homens de verdade? Homens também querem mulheres de verdade.
Querem mulheres confiantes, livres e gentis? Elas também querem homens fortes, respeitosos e vivos.
Não é sobre ganhar ou perder. É sobre caminhar lado a lado, mesmo sangrando um pouco no caminho. Quem ama, arrisca. Quem respeita, cresce. Quem entende, transforma. Do contrário, vamos todos continuar falando sozinhos, apontando dedos de um lado e chorando escondidos do outro.
No final das contas, talvez o maior ato de coragem hoje, não seja querer ser inteiro. Mas aceitar que nos falta algo.
Para quem quiser aprofundar essa reflexão, recomendo a leitura de A Parte Que Falta, de Shel Silverstein — um livro delicado e poderoso sobre encontrar-se inteiro antes de buscar o outro. E, se preferirem uma condução externa, vale assistir ao vídeo A Falta Que A Gente Faz de Jout Jout, disponível no YouTube, em que ela realiza a leitura do livro.




Amanda Beatrice

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