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Escolher Ser Mãe Ainda É um Ato de Resistência

[...] escolher como maternar, e seguir firme nessas escolhas é, sim, um ato de resistência.

Escolher Ser Mãe Ainda É um Ato de Resistência
Arquivo Pessoal

Quando falamos em maternidade, é comum pensarmos logo na imagem da mãe amorosa, sempre presente, que sabe o que fazer em qualquer situação. Mas quem vive a experiência de ser mãe — ou quem já parou para ouvir essas mulheres de verdade — sabe que a maternidade real é feita de dúvidas, cansaço, pressões e principalmente de escolhas. Muitas. O tempo todo.


A primeira delas já é gigantesca: gestar ou não gestar. Essa decisão, que deveria ser pessoal e respeitada, ainda é atravessada por inúmeros fatores. Há mulheres que sonham em ser mães e não conseguem, outras que não querem e são julgadas, e ainda aquelas que engravidam sem planejar e não têm sequer o direito de decidir sobre seu próprio corpo. O acesso à informação, à saúde reprodutiva e à liberdade de escolha ainda está longe de ser garantido para todas.


Se a gestação segue adiante, novas decisões começam a surgir — e, com elas, os julgamentos. Como será o parto? Normal ou cesárea? Quem poderá estar presente? O corpo muda, a rotina muda, e nem sempre há apoio.




Depois do nascimento, vem a amamentação: um tema tão romantizado que, quando não acontece da forma esperada, gera frustração e culpa. Algumas mães enfrentam dor, outras não produzem leite suficiente, e há as que optam por não amamentar — todas merecem acolhimento, mas o que mais encontram é a crítica.


E não para por aí. O retorno ao trabalho, a divisão de tarefas com o parceiro (quando há), a escolha da creche ou da escola, o tipo de educação, os limites impostos, o tempo de tela, a alimentação — cada uma dessas decisões envolve reflexão, muitas vezes renúncia, e quase sempre um peso extra: o medo de errar. Parece que, qualquer que seja a escolha, alguém vai apontar o dedo. As redes sociais, inclusive, transformaram a maternidade em um campo de comparação constante, onde a performance vale mais que a vivência.


Mas o que poucos reconhecem é que, por trás de cada escolha, existe uma mulher tentando dar conta do que pode, como pode. E não existe uma fórmula mágica para educar uma criança. Criar um filho é um processo contínuo de tentativa, erro e aprendizado. Cada família, cada mãe, cada criança tem sua própria história. E tudo bem.


Precisamos, como sociedade, parar de romantizar a maternidade e começar a olhar para ela com mais verdade. Apoiar uma mãe não é apenas oferecer ajuda com o bebê — é escutá-la sem julgamento, é valorizar suas escolhas, é lembrar que ela continua sendo uma pessoa inteira, com vontades, medos e cansaços. É garantir que ela tenha espaço para ser, inclusive, imperfeita.


Escolher ser mãe, escolher como maternar, e seguir firme nessas escolhas é, sim, um ato de resistência. Que a gente aprenda a respeitá-lo.



Ninha Sousa

Apresentadora do Rock D'elas

Hora da Pelúcia e Mixto Quente

Auxiliar de Necropsia

Comentários (1)

Amanda Beatrice
Amanda Beatrice

cirúrgica. 👏🏻

1 ano atrás